A Ypê informou nesta sexta-feira (8) que apresentou um recurso àAgência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)contra a resolução que determinou o recolhimento e a interrupção da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca comnumeração de lote terminada em 1.
Segundo a empresa, com a apresentação do recurso, a proibição de fabricar e comercializar produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teve seus efeitosautomaticamente suspensos até novo pronunciamento da Anvisa.
Procurada pelog1, a Anvisa confirmou que, de acordo com a legislação em vigor, o recurso administrativo apresentado têmefeito suspensivosobre as ações determinadas pela agência.
A fabricante diz que baseia esse entendimento no artigo 17 da RDC 266/2019 da própria agência.
"Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é — e sempre será — sua maior prioridade", afirmou a empresa em nota.
O recurso da Ypê deverá ser julgado nos próximos dias pela Diretoria Colegiada da Anvisa.
A agência afirmou, no entanto, quemantém a avaliação técnica de risco sanitáriodiante do que foi verificado na inspeção da linha de fabricação dos produtos da marca, na unidade da Química Amparo, em Amparo (SP).
"A Anvisa esclarece que não houve revisão sobre a avaliação técnica do risco sanitário diante do quadro verificado na inspeção", afirmou a agência.
A recomendação ao consumidor segue a mesma, ainda segundo a agência.
A Anvisa orienta que as pessoasNÃOusem os produtos indicados e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para receber orientações sobre o procedimento de recolhimento, troca, devolução, ressarcimento ou demais providências cabíveis.
O que motivou a decisão da Anvisa
A inspeção que levou a Anvisa a suspender a fabricação e determinar o recolhimento de produtos da Ypê tem conexão com um"histórico de contaminação microbiológica"registrado na empresa em novembro de 2025.
Em novembro do ano passado, a fabricante havia anunciado umrecolhimento voluntáriocautelar de lotes após identificar a bactériaPseudomonas aeruginosaexclusivamente em lava-roupas líquidos.
"A inspeção recente foi realizada justamente em razão do histórico de contaminação microbiológica e de novos elementos que indicavam necessidade de reavaliar as condições de fabricação", afirmou a agência ao g1.
O atual recolhimento de produtos abrange todos os lotes comnumeração final 1de detergentes, sabões líquidos e desinfetantesfabricados na unidade da Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo a Anvisa, a inspeção atual foi realizada entre os dias27 e 30 de abril de 2026, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária municipal de Amparo.
Os fiscais avaliaram principalmente aslinhas de produtos líquidos— lava-louças, lava-roupas e desinfetantes fabricados na mesma unidade.
A Anvisa identificou descumprimentos relevantes das chamadasBoas Práticas de Fabricação, como fragilidades nos sistemas de garantia da qualidade, controle de qualidade, limpeza, sanitização, validação e controle microbiológico.
Esses são, segundo a agência, aspectos diretamente relacionados à prevenção de desvios microbiológicos, ou seja, de falhas que permitem a contaminação dos produtos por microrganismos.
📝ENTENDA:As Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa são umconjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatóriosque garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.
Elas atuam preventivamente em toda a cadeia produtiva para evitar contaminações e riscos à saúde do consumidor.
Apesar da conexão técnica entre os dois episódios, a Anvisa esclareceu que a decisão atual está fundamentada nos achados da inspeção de abril, e não no caso de novembro de 2025, que compõe o histórico regulatório considerado na avaliação de risco.
⚠️ Questionada se há risco de contaminação microbiológica nos produtos atingidos pela medida desta semana, a agência respondeu que foi identificadorisco sanitário associadoà possibilidade de contaminação, considerando o conjunto dos achados.
As medidas adotadas e paralisadas — recolhimento, suspensão da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso — foram classificadas pela agência comopreventivaseproporcionais.
Após o episódio de novembro, a Anvisa acompanhou orecolhimento voluntárioe recebeu da empresa informações sobre as quantidades recolhidas e a destinação dos produtos.
O caso seguiu em monitoramento sanitário, o que motivou a nova inspeção para avaliar se as Boas Práticas de Fabricação estavam sendo cumpridas e se as medidas tomadas pela empresa eram efetivas.
LEIA A NOTA DA YPÊ NA ÍNTEGRA:
"A Ypê informa que apresentou na data de ontem um recurso perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, com o objetivo de reforçar os compromissos assumidos no seu Plano de Ação e Conformidade, e, ao mesmo tempo, apresentar esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos relacionados à Resolução-RE n. 1.834/2026, publicada ontem.
Com este recurso, a proibição de fabricar e comercializar produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teve seus efeitos automaticamente suspensos até novo pronunciamento da agência, tal como dispõe o art. 17 da RDC n. 266/2019/Anvisa.
Porém, ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é – e sempre será - sua maior prioridade.
A Ypê, assim, reafirma seu compromisso de 75 anos com a qualidade, a segurança e a transparência, razão pela qual continuará em diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades, sempre baseada em critérios científicos e subsídios técnicos, como forma de encontrar uma solução definitiva para a situação, no menor tempo possível."
LEIA A NOTA DA ANVISA NA ÍNTEGRA:
"Anvisa mantém avaliação do risco sanitário de produtos da Ypê
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que não houve revisão sobre a avaliação técnica do risco sanitário diante do quadro verificado na inspeção da linha de fabricação dos produtos da marca, fabricados pela empresa Química Amparo (CNPJ 43.461.789/0001-90), na unidade localizada em Amparo (SP).
A Ypê entrou com recurso contra a Resolução 1.834/2026 e, de acordo com a legislação em vigor, os recursos administrativos apresentados pelas empresas têm efeito suspensivo sobre as ações determinadas pela Agência. O recurso deverá ser julgado nos próximos dias pela Diretoria Colegiada da Anvisa.
No entanto, a recomendação é que os consumidores não usem os produtos indicados e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor — SAC da empresa Ypê para receber orientações sobre o procedimento de recolhimento, troca, devolução, ressarcimento ou demais providências cabíveis.
Suspensão e recolhimento
Durante a inspeção, foram constatados descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. Os problemas identificados comprometem as Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica (presença indesejada de microrganismos patogênicos)".
Ypê recorre à Anvisa e está liberada para vender produtos suspensos; agência não recomenda uso
Recurso tem efeito suspensivo sobre a resolução publicada na quinta-feira (7). Agência afirmou, porém, que não houve revisão da avaliação técnica de risco e recomendou que consumidores não usem os produtos.