A Ypê afirmou neste sábado (9) que triplicou a capacidade de atendimento do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) após consumidores relatarem dificuldades para entrar em contato com a empresa em meio à crise envolvendo produtos suspensos pelaAgência Nacional de Vigilância Sanitária(Anvisa).
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a fabricante reconheceu os transtornos e anunciou novos canais de atendimento ao consumidor.
Segundo a empresa, agora estão disponíveis três números para atendimento telefônico:
🔗A empresa também informou que criou um novo canal digitalno site da marca (http://ype.info/comunicado) para orientar consumidores sobre os procedimentos relacionados aos produtos afetados.
O comunicado foi divulgado após aYpê informar que apresentou recurso à Anvisacontra a resolução que determinou o recolhimento e a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca com numeração de lote terminada em 1.
Segundo a fabricante, com a apresentação do recurso, os efeitos da medida ficaram suspensos até novo julgamento da Diretoria Colegiada da Anvisa.
A agência, no entanto, afirmou que mantém a avaliação técnica de risco sanitário identificada duranteinspeção na fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP), e orienta que consumidores não utilizem os produtos atingidos pela medida.
O que motivou a decisão da Anvisa
A inspeção que levou a Anvisa a suspender a fabricação e determinar o recolhimento de produtos da Ypê tem conexão com um"histórico de contaminação microbiológica"registrado na empresa em novembro de 2025.
Em novembro do ano passado, a fabricante havia anunciado um recolhimento voluntário cautelar de lotes após identificar a bactériaPseudomonas aeruginosa(saiba o que é a bactéria mais abaixo) exclusivamente em lava-roupas líquidos.
"A inspeção recente foi realizada justamente em razão do histórico de contaminação microbiológica e de novos elementos que indicavam necessidade de reavaliar as condições de fabricação", afirmou a agência aog1.
O atual recolhimento de produtos abrange todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, sabões líquidos e desinfetantesfabricados na unidade da Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo a Anvisa, a inspeção atual foi realizada entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária municipal de Amparo.
Os fiscais avaliaram principalmente as linhas de produtos líquidos — lava-louças, lava-roupas e desinfetantes fabricados na mesma unidade.
📝ENTENDA:As Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa são umconjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatóriosque garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.
Elas atuam preventivamente em toda a cadeia produtiva para evitar contaminações e riscos à saúde do consumidor.
Apesar da conexão técnica entre os dois episódios, a Anvisa esclareceu que a decisão atual está fundamentada nos achados da inspeção de abril, e não no caso de novembro de 2025, que compõe o histórico regulatório considerado na avaliação de risco.
⚠️ Questionada se há risco de contaminação microbiológica nos produtos atingidos pela medida desta semana, a agência respondeu que foi identificado risco sanitário associado à possibilidade de contaminação, considerando o conjunto dos achados.
As medidas adotadas e paralisadas — recolhimento, suspensão da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso — foram classificadas pela agência como preventivas e proporcionais.
Após o episódio de novembro, a Anvisa acompanhou o recolhimento voluntário e recebeu da empresa informações sobre as quantidades recolhidas e a destinação dos produtos.
O caso seguiu em monitoramento sanitário, o que motivou a nova inspeção para avaliar se as Boas Práticas de Fabricação estavam sendo cumpridas e se as medidas tomadas pela empresa eram efetivas.
O que é a bactéria encontrada em novembro
APseudomonas aeruginosaé um microrganismo comum no ambiente. Está presente no ar, na água, no solo e pode ser encontrado inclusive na pele de pessoas saudáveis. Ela é classificada na literatura médica como umabactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar ou agravar quadros infecciosos em pessoas com o sistema imunológico comprometido.
É justamente esse perfil que explica o teor do comunicado da empresa, direcionado especialmente a imunossuprimidos, cuidadores e profissionais de saúde.
De acordo com o Manual MSD, referência em informações médicas, "essas bactérias são favorecidas por áreas úmidas, como lavatórios, sanitários, banheiras de hidromassagem e piscinas com cloro inadequado, e soluções antissépticas vencidas ou inativadas. Às vezes, essas bactérias estão presentes nas axilas e na área genital de pessoas saudáveis".
As infecções por Pseudomonas aeruginosa variam de infecções externas pequenas a distúrbios sérios com risco de morte, segundo a MSD.
Ypê amplia atendimento ao consumidor após orientação da Anvisa sobre produtos suspensos
Empresa afirmou que triplicou a capacidade de atendimento após consumidores procurarem informações sobre troca, devolução e ressarcimento de produtos atingidos pela medida da agência.