Remédio de colesterol recolhido: como funcionam as estatinas, que tiveram lote retirado do mercado pela Cimed

Remédio de colesterol recolhido: como funcionam as estatinas, que tiveram lote retirado do mercado pela Cimed
Substância inibe secreção de uma enzima no corpo que é responsável pela produção do colesterol no fígado, o que faz com que os níveis de LDL no sangue caiam.
Asestatinassão um tipo de medicamento comumente prescrito para reduzir os índices do colesterol LDL, popularmente conhecido como colesterol ruim.

Na segunda-feira (18), lotes de dois medicamentos dessa classe – a atorvastatina cálcica e a rosuvastatina cálcica –começaram a ser recolhidos de forma voluntária pela fabricante, a empresaCimed Industria S.A.

De acordo com o Diário Oficial da União da segunda, o motivo foi a mistura de embalagem de cartucho de rosuvastatina no lote de atorvastatina. Segundo a empresa, a medida é preventiva e voluntária.

➡️De forma geral, a estatinas são importantes aliados para quem busca reduzir os índices de colesterol. Elasinibem a secreção de uma enzimano corpo que é responsável pelaprodução do colesterol no fígado, o que faz com que os níveis de LDL no sangue caiam.(entenda mais sobre a ação das estatinas no corpo abaixo)

🩸O LDL é responsável por transportar o colesterol das células do fígado para outras partes do corpo. Em excesso no sangue, ele pode seacumular nas paredes das artérias, formando placas eaumentando o risco de doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC).

Além da redução dos níveis de colesterol, as estatinas também têm outros efeitos positivos como:

➡️Um estudo publicado em dezembro de 2025 na revista científica "Annals of Internal Medicine" também mostrou que esse medicamento é capaz dereduzir significativamente o risco de mortalidade em adultos com diabetes, independentemente do risco cardiovascular.

Na reportagem abaixo, você confere:

Como as estatinas agem no corpo?

As estatinas são uma classe de medicamentos queatuam no fígado bloqueando uma via enzimáticacom o objetivo principal dereduzir a produção de colesterol no corpo.

"Quando o fígado produz menos colesterol, ele passa a captar mais colesterol do sangue por meio de receptores de LDL. O resultado é a queda do LDL, colesterol ruim no sangue", detalha o médico endocrinologista, Marcello Bertoluci.

Bertoluci, que é diretor do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Cardiometabolismo da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), detalha que háao menos seis representantes dentro da classe das estatinas.

O que muda, segundo o médico, é a potência do esquema, que depende da molécula e, principalmente, da dose.

"Em geral, a atorvastatina em dose alta e a rosuvastatina em dose alta reduzem em torno de 50% o LDL, enquanto outras como a sinvastatina, a pitavastatina, a pravastatina e a fluvastatina tendem a reduzir por volta de 30%", analisa.

Quem deve tomar o medicamento?

A indicação para o início do uso das estatinasdepende diretamente da categoria de risco cardiovascular e do nível do LDL no sangue.

Bertoluci pontua que,quanto mais alto for o risco, maior a necessidade de reduzir o colesterol.

👉Elaine dos Reis Coutinho, médica cardiologista e membro do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), explica que, de maneira geral, o tratamento com estatinas é indicado para os seguintes casos:

"Em resumo, as estatinas entram quando o LDL está alto e, principalmente, quando o risco e a necessidade de redução são grandes o suficiente, a ponto de as medidas de estilo de vida – que conseguem reduzir em média 15% do colesterol – não darem conta sozinhas de atingir a meta de colesterol", detalha Bertoluci.

É importante lembrar que, em 2025, a Sociedade Brasileira de Cardiologiaatualizou a Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose e endureceu as metas de colesterol, incluindo pela primeira vez a categoria de risco extremo – voltada para pacientes que já tiveram múltiplos eventos cardiovasculares.

A nova versão do documento estabelece:

🫀Ou seja,quanto maior o risco cardiovascular envolvido, mais baixo é o nível de LDL aceitávelno sangue do paciente.

Helio Magarinos Torrres Filho, patologista clínico e diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico, pondera que, por muito tempo, o controle do colesterol foi tratado como um número isolado, especialmente o LDL. Mas a nova diretriz mostra que o tratamento precisa ir muito além.

"Quem tem risco mais alto precisa de metas mais baixas. Ou seja, dois pacientes podem ter o mesmo LDL e receber condutas diferentes, porque uma pessoa de baixo risco pode estar em um patamar aceitável e outra, que já teve um evento cardiovascular, pode precisar reduzir muito mais", compara.

De acordo com os especialistas, as estatinas são medicamentos seguros, eficazes e com estudos robustos que demonstram que podem salvar vidas quando bem indicados.

Apesar disso, como acontece com todos os medicamentos, essa categoria de remédios pode causar alguns efeitos colaterais. O mais comum deles é ador muscular.

"É algo que acomete cerca de 10% das pessoas, mas, em geral, é tolerável e reversível, quando se troca a medicação ou se ajusta a dose, ou mesmo quando se muda para doses mais baixas em combinação com outras medicações", explica Bertoluci.

Elaine detalha que as dores musculares costumam ser leves, no primeiro mês do tratamento, e podem levar também à sensação de câimbras.

Em situações muito raras, o uso do medicamento pode levar a uma lesão muscular grave com consequência aos rins. O efeito é algo bem mais incomum que também costuma ser reversível com as medidas adequadas.

Outro efeito raro é relacionado ao fígado, como uma hepatite medicamentosa com alterações laboratoriais. A reação também é pouco relatada e, quando acontece, pode ser revertida.

"Os efeitos colaterais importantes são raros e o benefício do tratamento na grande maioria das vezes é maior que o risco", analisa Elaine Coutinho.