A Justiça manteve presa a mãe domenino de 10 anos encontrado trancado em um quarto, sem comida nem água, em um apartamento no Setor Faiçalville, emGoiânia. Durante a audiência de custódia, realizada nesta segunda-feira (13), a defesa alegou que a mulher deixava o filho isolado para protegê-lo,porque ele tem diabetes tipo 1 e compulsão alimentar. A juíza, no entanto, entendeu que não havia justificativa para a conduta.
Segundo a magistrada, mesmo que a mãe optasse por restringir o acesso do menino aos alimentos, ela deveria ter garantido condições básicas de sobrevivência. A TV Anhanguera teve acesso exclusivo à audiência de custódia.
"Caso ela não quisesse administrar alimentos ao mesmo, ela deveria ter, no mínimo, deixado água para a criança beber. Porque a água não faz nenhum tipo de mal para diabetes. Então, a apresentada não tem argumentos. Não há argumentos. Não há justificativa", afirmou durante a audiência.
A defesa sustentou que a criança permanecia trancada porque, devido à compulsão alimentar, poderia comer além do recomendado e agravar o quadro de saúde.
"Se deixasse, por exemplo, a porta aberta, ele, pela impulsividade alimentar que também está diagnosticada, não tem um limite para parar de comer. Talvez agravaria ainda mais a situação dele", afirmou o advogado.
Ao negar o pedido para revogar a prisão em flagrante, a juíza destacou que o menino permaneceu sozinho por mais de 15 horas, sem acesso a água, alimentação e banheiro, em um quarto trancado.
Após quatro dias internado no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), o menino recebeu alta na tarde desta segunda-feira (13). Segundo o conselheiro tutelar José Roberto da Silva, a glicemia da criança, que chegou a ultrapassar 500 no dia do resgate, foi estabilizada durante a internação.
"Ele ficou em observação na UTI desde quando entrou no hospital por causa da taxa da glicose dele, que estava muito alta. A saúde dele está muito boa, já está até mais coradinho", afirmou.
Do hospital, o menino foi levado pelo Conselho Tutelar para a casa da avó materna, que ficará responsável pelos cuidados da criança enquanto o caso é analisado pela Justiça.
Segundo José Roberto, ao chegar à residência, o garoto foi recebido pelo primo de 4 anos.
"Os dois já foram brincar. Esperamos que, a partir de agora, ele receba muito amor e carinho", disse o conselheiro.
O Conselho Tutelar informou ainda que orientou a avó a procurar atendimento psicológico para o menino em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). A definição sobre a guarda ficará a cargo do Juizado da Infância e da Juventude. O pai da criança mora no exterior.
O menino foi resgatado na última quinta-feira (9), após vizinhos denunciarem que ele estava sozinho em um apartamento. Quando os conselheiros tutelares chegaram ao local, conversaram com a criança pela janela. O garoto contou que havia comido apenas bolachas dadas por uma vizinha e que fazia as necessidades fisiológicas em uma garrafa porque não tinha acesso ao banheiro.
Segundo a Polícia Militar, a mãe afirmou que deixava o filho trancado para impedir que ele tivesse acesso aos alimentos, alegando que ele é diabético. Após o resgate, a criança foi levada ao hospital com a diabetes descompensada e glicemia acima de 500. A mãe foi presa em flagrante e responde por abandono de incapaz. A investigação também apura o crime de maus-tratos.
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Mãe de menino encontrado trancado sem comida nem água deve ficar presa, decide juíza
Defesa alegou que a criança ficava trancada no quarto por causa da diabetes e de uma compulsão alimentar. Menino recebeu alta e foi levado para a casa da avó materna.