Lesão no bíceps femoral: entenda problema que tirou Militão da Copa do Mundo

Lesão no bíceps femoral: entenda problema que tirou Militão da Copa do Mundo
Lesão acontece quando há um estiramento ou ruptura do músculo localizado na parte de trás da coxa. Segundo os especialistas, esse tipo de lesão ocorre, principalmente, por conta de um desequilíbrio muscular.
Após uma nova lesão na coxa esquerda, o zagueiroÉder Militão passou por uma cirurgia na Finlândia nesta terça-feira (28) e está fora da Copa do Mundo. A previsão é que o jogador só retorne aos gramados em outubro.

O problema é conhecido de outros atletas que também podem não retornar para a temporada deste ano: alesão no bíceps femoral.

➡️Alesão no bíceps femoralacontece quando há umestiramento ou ruptura do músculo localizado na parte de trás da coxa. Segundo os especialistas, esse tipo de lesão ocorre, principalmente, por conta de um desequilíbrio muscular.(entenda mais abaixo)

Eduardo Ramalho, médico ortopedista e especialista em trauma do esporte, explica que esse quadro significa que o músculo posterior da coxa foi levado além do limite, geralmente em movimentos que exigem muito – como arrancadas ou mudanças bruscas de direção.

"Nesse momento, as fibras musculares sofrem um estiramento excessivo. Parte delas consegue suportar, mas outra parte se rompe. Dependendo da intensidade, isso pode ser algo pequeno ou uma lesão mais extensa. É, na prática, um 'rasgo' muscular em maior ou menor grau", detalha o médico.

No caso de Militão, a impressão inicial, quando foi substituído no jogo do Real Madrid contra o Alavés na semana passada, era que o problema não seria grave.

Mas o diagnóstico piorou com o passar dos dias e novos exames constataram que havia risco de uma ruptura total do tendão. Por isso, a orientação foi para a cirurgia.

Causas e sintomas da lesão no bíceps femoral

A lesão no bíceps femoral é um problema comum entre jogadores de futebol eocorre principalmente durante movimentos rápidos e de esforço intenso– como sprints na corrida ou mudanças bruscas de direção.

Mas Ramalho destaca um ponto fundamental nesse contexto: acontração excêntrica do músculo.

"Esse tipo de contração acontece quando o músculo está se alongando enquanto tenta gerar força — por exemplo, no momento em que o atleta desacelera a perna após um chute ou durante o final da fase de balanço da corrida. É exatamente nessa situação que o bíceps femoral sofre maior tensão e fica mais vulnerável à lesão", analisa.

Além disso, fatores comofadiga muscular, desequilíbrio entre quadríceps e posterior de coxa e histórico de lesões prévias aumentam bastante o risco. Em atletas de alto nível, o cenário mais comum é o esforço máximo com o músculo já fatigado.

Ele comenta que os sintomas desse tipo de lesão são bastante característicos e incluem:

O bíceps femoral funciona como um freio da perna, principalmente durante a corrida, controlando a extensão do joelho. Quando ocorre a lesão, o controle se perde.

"O músculo reduz a capacidade de gerar força e o corpo ativa um mecanismo de proteção, diminuindo sua ativação para evitar piora da lesão. Em paralelo, acontece um processo inflamatório local, com possível formação de hematoma", afirma Ramalho.

Diferentes níveis de lesão

Os especialistas explicam que essa lesão pode ter três níveis principais:

O tratamento desse tipo de lesão vai depender diretamente da gravidade do problema. Em casos mais leves, é possível trabalhar somente com a fisioterapia. Mas, quando há ruptura completa, há a necessidade da cirurgia.

De forma geral, o tratamento começa com controle de dor e inflamação nos primeiros dias, com redução de carga e proteção da área. Mas, segundo os ortopedistas, o que realmente define o resultado é a fase de reabilitação.

"A recuperação segue uma progressão: primeiro recuperar mobilidade, depois reativar o músculo, evoluir para fortalecimento e dar bastante ênfase ao trabalho excêntrico, que é essencial nesse tipo de lesão", detalha Ramalho.

A tendência é que aslesões leves a moderadassejam resolvidas em umperíodo de três a seis semanas, somente com fisioterapia.

Já osquadros mais graves, onde a recomendação é cirurgia, oretorno pode levar meses.

Ainda que a lesão do zagueiro tenha sido bastante grave, ele não é o único que vem sofrendo com problemas desse tipo na reta final de preparação para a Copa do Mundo.

Na última semana, oatacante Estêvão foi diagnosticado com uma lesão de grau 4, também na coxa. O quadro acontece quando há uma ruptura completa ou praticamente completa do músculo. O problema também pode deixar o jogador de fora da lista de convocados.

A lista de lesionados que podem ficar fora da Copa 2026 inclui outros brasileiros, como Raphinha e Alisson.Veja abaixo:

De acordo com oge, cinco jogadores devem voltar a jogar pelo seus times ainda na atual temporada: Mbappé, Alisson, Raphinha, Rodri e Rúben Dias.Todos os demais vão perder o restante de 25/26.