Nesta sexta-feira (17), termina o prazo para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votarem sobre a ação de inconstitucionalidade da lei aprovada emSanta Catarinaqueproíbe o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superiorem instituições que recebem verbas do Estado.Enquanto a votação não termina, a norma segue suspensa.
Isso ocorre por causa de umadecisão da Justiça estadual. A medida foi tomada em janeiro.
Em relação à votação no STF, oplacar era de 7x0até o final da noite desta quinta (16). Os ministrosGilmar Mendes,Flávio Dino,Alexandre de Moraes,Dias Toffoli,Cristiano Zanin, Edson Fachin eCármen Lúciavotaram por declarar a inconstitucionalidade da lei, formando maioria.
Mendes é o relator. No total, dez ministros votam. Faltam as manifestações deLuiz Fux, Nunes Marques eAndré Mendonça.
A norma catarinense foi aprovada em dezembro na Assembleia Legislativa e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL).
O texto catarinense estabelece a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas de gênero ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras.As exceções são para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.
Suspensão é para evitar efeitos antes de julgamento definitivo da ação
Alei foi sancionada em 22 de janeiro. A suspensão ocorreucinco dias depois, feita pela desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Na decisão na época, a desembargadora escreveu que a lei poderia produzirefeitos antes do julgamento definitivoda ação judicial, sobretudo no contexto do início do ano acadêmico, período em que se definem regras de ingresso e contratação.
Lei é discutida no STF através de Ação Direta de Inconstitucionalidade
A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessemexplicações.
Lei estadual proíbe cotas raciais e prevê multa por descumprimento
A lei 19722/2026 proíbe a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.
A regra vale para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.
Com isso, o fim das cotas raciais atingiria estudantes e profissionais:
A lei diz que ficam excluídas da proibição a reserva de vagas para:
Em caso de descumprimento, a lei prevê as seguintes penalidades:
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Lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades segue suspensa pelo TJ durante votação no STF
Votação está em 7x0 para declarar inconstitucionalidade da norma. No total, dez ministros votam.