Exercício de alta intensidade melhora mais os vasos do coração do que treino moderado, aponta estudo

Exercício de alta intensidade melhora mais os vasos do coração do que treino moderado, aponta estudo
Análise com mais de 6 mil pacientes indica que treinos intervalados são os mais eficazes para a função vascular em doenças cardíacas
Um tipo específico de exercício físico, chamado detreino intervalado de alta intensidade (HIIT), pode ser mais eficaz para melhorar a saúde dos vasos sanguíneos do que atividades moderadascontínuas em pessoas com doenças cardiovasculares. É o que mostra uma revisão científica que analisou dados de mais de 6,8 mil pacientes.

O estudo conclui que o exercício físico, de forma geral, melhora a função do endotélio (camada interna dos vasos sanguíneos), mas aponta que o HIIT apresenta os resultados mais consistentes e robustos.

O que o estudo analisou

Apesquisa reuniu 37 estudos clínicos,com um total de 80 grupos de intervenção, envolvendo adultos com:

Os cientistas compararam diferentes tipos de exercício:

A principal medida avaliada foi a dilatação mediada por fluxo, indicador da capacidade dos vasos de se expandirem, um marcador importante de saúde cardiovascular.

Exercício melhora a função dos vasos, mas intensidade faz diferença

Os resultados mostraram que quase todas as modalidades de exercício melhoraram a função endotelial em comparação com a ausência de treino.

Os ganhos médios foram:

O treino de força isolado não apresentou melhora significativa.

Ao comparar diretamente os métodos, o HIIT superou o exercício moderado contínuo, reforçando que a intensidade do esforço influencia o benefício vascular.

O que acontece no corpo para que o exercício melhore a função dos vasos?

Durante o exercício, há aumento do fluxo sanguíneo, o que gera uma força de atrito do sangue na parede dos vasos sanguíneos, chamada de shear stress. Esse estímulo é fundamental, porqueativa a camada interna dos vasos, melhorando sua função.

A força do fluxo sanguíneo sobre as paredes dos vasos aumenta a liberação de óxido nítrico, uma substância produzida pelo endotélio que tem papel central na regulação dos vasos. Ele atua como um relaxante natural, promovendo adilatação dos vasos.

Com maior capacidade de dilatação, os vasos têmmelhor controle do tônus vasculare sofrem adaptações estruturais ao longo do tempo, explica o especialista em reabilitação cardiovascular e fisiologista da Comissão Científica do Instituto do Coração (InCor) Francis Souza.

“Além disso, a prática regular de exercício físicoreduz processos inflamatóriose o estresse oxidativo, fatores que prejudicam a saúde vascular. O resultado é uma melhora global da função endotelial, considerada um dos principais marcadores de saúde cardiovascular”, acrescenta Souza.

Na prática, isso ajuda a restaurar o funcionamento do endotélio, que costuma estar prejudicado em pacientes com doenças cardíacas.

Treino combinado pode ter maior efeito, mas ainda há incertezas

O treino combinado de alta intensidade apresentou o maior efeito observado, mas os autores fazem um alerta: esse resultado se baseia em apenas um grupo de estudo.

Por isso, ainda não é possível afirmar com segurança que essa seja a melhor estratégia.

“São necessários ensaios clínicos para confirmar esse potencial”, destacam os pesquisadores.

Intervalos mais longos parecem ser melhores

A análise também sugere que, dentro do treino intervalado:

Ainda assim, os dados não são conclusivos e precisam de mais estudos diretos.

Benefícios aparecem principalmente no endotélio

Outro achado importante é que o exercício melhora especificamente a função do endotélio, sem alterar significativamente a resposta da musculatura dos vasos.

Musculação e exercício aeróbico podem ser considerados treinos moderados?

A classificação de intensidade do exercício não depende exclusivamente do tipo de exercício, explica Souza.

Tanto a musculação quanto o exercício aeróbico podem ser leves, moderados ou intensos, de acordo com a carga, o esforço e o condicionamento individual da pessoa.

Idosos podem se beneficiar ainda mais

Os resultados indicam que pacientes mais velhos, que geralmente têm maior comprometimento vascular, podem apresentar ganhos ainda maiores com treinos intensos.

O estudo também aponta que o treino intervalado mantém eficácia independentemente do tipo de doença cardíaca.

O que muda na prática

Os autores defendem que os resultados devem influenciar a prescrição de exercícios na reabilitação cardíaca.

Hoje, o exercício moderado é o mais recomendado. Mas o estudo sugere que:

Entre todas as opções, o treino intervalado de alta intensidade se destacou como a estratégia mais eficaz para melhorar a saúde dos vasos.

A análise reforça que o exercício é essencial para pacientes com doenças cardiovasculares, mas destaca que não é apenas se exercitar, e sim como se exercitar, que faz diferença.