Estoy aqui, Estou aqui, I’m here, Io sono qui, Je suis ici, Soc aquí, أنا هنا,diz og1, pronto para explicar as mudanças que ocorreram no cérebro da cantora colombiana Shakira, diante do fato de ela dominar tantos idiomas:
🎶Whenever, wherever, 🎶ou melhor, não importa quando nem onde, Shakira consegue rapidamente acessar o vocabulário, as estruturas sintáticas e as expressões populares de cada uma dessas línguas.
O cérebro dela, assim como o de todas as pessoas multilíngues, trabalha sob a lógica de “malabarismo mental”, como explica Felipe Barros, médico neurologista do Hospital Sírio Libanês.
“Diferentemente do que se acreditava no passado, os idiomas não ficam armazenados em compartimentos isolados; eles permanecem ativos simultaneamente. Quando uma pessoa fala um idioma, o cérebro precisa recrutar mecanismos de inibição para suprimir as palavras e as regras gramaticais das línguas que não estão sendo usadas”, afirma.
➡️Ou seja: no momento em que a cantora estiver dando uma entrevista em italiano,o sistema nervoso dela fará um esforço contínuo para ignorar os outros idiomas “intrusos”, como o português e o inglês. Todo esse processo mantém as redes neurais em estado de alta atividade e coordenação.
“É um sistema de controle de ‘chaveamento’”, como define Barros.
Conhecido como “code-switching”, em inglês, esse mecanismo cognitivo permite ao bilíngue transitar entre dois ou mais idiomas sem misturá-los de forma caótica.
É como se o cérebro não tivesse gavetas separadas para cada língua, mas sim um grande painel de controle.
A seleção da língua específica ocorre por meio de um controle executivo.
“Esse processo funciona como um semáforo neural: o cérebro sinaliza 'verde' para a língua pretendida e 'vermelho' para a outra, monitorando constantemente a fala para detectar possíveis interferências ou erros de seleção”, explica o neurologista.
🧠Quais regiões são acionadas neste processo?
Como Shakira não fica “Loca, loca, loca” ao saber tantos idiomas?
O sistema nervoso dela (e dos bilíngues) é uma estação de rádio ao vivo. Enquanto as áreas neurais da linguagem cuidam do conteúdo, as de controle supervisionam a mesa de som para garantir que as frequências não se cruzem:
💪Musculação cerebral
Essa ginástica neural de "ligar e desligar" línguas diferentes transforma o cérebro em uma espécie de academia de alta performance. De acordo com Barros, as neuroimagens revelam que o uso frequente de vários idiomas promove a chamada neuroplasticidade.
"Observamos um aumento na densidade da substância cinzenta, onde ficam os neurônios. Além disso, há uma melhoria na integridade da substância branca, as fibras de conexão, o que torna a comunicação entre diferentes partes do cérebro mais rápida e eficiente", explica o médico do Hospital Sírio-Libanês.
O cérebro de quem é poliglota, portanto, apresentaconexões mais robustas e resistentes.
Os benefícios desse "treino" são percebidos em outras habilidades exigidas no dia a dia:
📢No ritmo da fluência
Cida Caltabiano, doutora em Linguística Aplicada (Unicamp) e professora da PUC-SP, ressalta que o segredo é a exposição constante aos diferentes idiomas.
Dar play em um hit pode, inclusive, potencializar o processo.
"A música é uma das atividades mais prazerosas [para isso]. O indivíduo ouve, canta junto, repete várias vezes... vai aperfeiçoando o ouvido e, consequentemente, a fala", diz a docente.
Segundo Caltabiano, pesquisadores relacionam diretamente o desenvolvimento da percepção dos sons a uma produção vocal de qualidade. "Jovens que têm contato com música ou jogos eletrônicos em inglês, por exemplo, têm muito mais facilidade. A percepção dos sons leva a uma melhor produção", afirma.
⏰Quanto antes, melhor
Por que algumas pessoas parecem "esponjas" para novos idiomas, enquanto outras travam no verbo “to be”?
Para a professora, o fator ambiental e o contato precoce com outra língua são fatores determinantes.
"Se há uma relação com o idioma desde a infância, a criança aprende que um objeto pode ser nomeado de diferentes maneiras e passa a ver isso com naturalidade, não importa se é a segunda ou a terceira língua dela", explica.
Felipe Barros complementa que, embora adultos possam atingir a proficiência total, exigirão mais do lobo frontal para gerenciar o novo vocabulário. Quem aprende cedo consegue usar as mesmas redes neurais de forma mais instintiva.
E faz diferença, do ponto da neurologia, saber dois, três ou quatro idiomas?
"O maior salto na reestruturação cerebral ocorre na transição do monolinguismo para o bilinguismo. A partir do terceiro ou quarto idioma, o cérebro se torna um especialista em aprender", diz o neurologista.
⏳Escudo contra o tempo
“Oh, baby, when you talk like that…[oh, querido, quando você fala desse jeito]”, em mais de um idioma, os benefícios serão sentidos também a longo prazo.
O exercício constante de gerenciar diferentes línguas funciona como um potente fator de reserva cognitiva:esse hábito pode retardar de quatro a cinco anos o aparecimento de sintomas de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Não é que o cérebro multilíngue impeça a biologia do envelhecimento, mas é capaz de construir "vias alternativas" que permitem ao órgão funcionar melhor por mais tempo.
Mas não esqueça: para obter todo esse sucesso, é preciso manter contato frequente com as diferentes línguas.
Pode começar aí a ensaiar a estrofe mais difícil da música latina:
“Ahogándome entre fotos y cuadernos
Entre cosas y recuerdos
Que no puedo comprender”.
'Estoy aquí, I’m here, Soc aquí': o que o cérebro de Shakira revela sobre quem fala mais de um idioma (ela domina 6!)
Especialistas explicam o 'malabarismo mental' necessário para alternar entre diferentes línguas. Entenda como essa ginástica neural ajuda a fortalecer o raciocínio e a memória.