Ebola: o que é doença que causa novo surto? Tire dúvidas em 7 pontos

Nova variante do Ebola tem feito o vírus se espalhar rapidamente pela República Democrática do Congo e acende um alerta para uma nova epidemia regional da doença.
Uma nova variante do Ebola tem feito o vírus se espalhar rapidamente pela República Democrática do Congo e acende um alerta para uma nova epidemia regional da doença.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), osurto no país provavelmente começou há alguns mesese que a resposta dos órgãos de saúde internacionais foi "um pouco tardia".

➡️Até o momento há, oficialmente,51 casos confirmados da doença na República Democrática do Congo, mas 600 casos são investigadas e foram registradas 139 mortes suspeitas por Ebola.

Abaixo, nesta reportagem, você confere 7 perguntas e respostas para entender mais sobre a doença e sobre o surto:

O que é o Ebola?Como o vírus é transmitido?Quais os principais sintomas da doença?Por que o vírus tem se espalhado tão rápido na República Democrática do Congo?Existe vacina contra o Ebola?Qual o tratamento para a doença?A declaração da OMS de emergência de saúde internacional indica que existe risco de uma epidemia global?

Segundo a OMS, o Ebola é umadoença rara, mas grave em humanos, que frequentemente leva à morte – ataxa média de letalidade da doença é de 50%. Ela é causa por vírus que pertencem ao gêneroOrthoebolavirus.

Seis espécies desse vírus já foram identificadas até o momento, sendo que três causaram grandes surtos:

A doença surgiu pela primeira vez em 1976, no Sudão e no Congo, sendo o surto de 2014-2016, na África Ocidental, o mais grave já registrado.

2. Como o vírus é transmitido?

O vírus étransmitido aos humanos por animais selvagens, como morcegos, porcos espinhos e primatas.

Ele sedissemina entre os humanos pelo contato diretocom sangue, secreções ou outros fluidos corporais depessoas infectadase com superfícies e materiais contaminados.

3. Quais os principais sintomas da doença?

Os principais sintomas do Ebola incluem:

Em casos graves, há também sinais de comprometimento das funções renais e hepáticas. Ointervalo entre a infecção e o início dos sintomas varia de dois a 21 dias.

4. Por que o vírus tem se espalhado tão rápido na República Democrática do Congo?

Alguns fatores contribuem para a disseminação rápidado vírus no país.

O principal deles é que osurto atual é causado pela variante Bundibugyo, mais rara e menos conhecida, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados. Isso dificulta a resposta das autoridades da saúde e faz com que haja um aumento rápido no número de casos e mortes.

Além disso, a guerra civil, com o deslocamento de quase 250 mil pessoas entre cidades e até países vizinhos, também são um desafio para o controle da doença na região.

5. Existe vacina contra o ebola?

Sim, mas não para a variante que causa o surto na República Democrática do Congo.

Atualmente, háduas vacinas aprovadaspara a doença: Ervebo e Zabdeno e Mvabea. A vacina Ervebo é recomendada como parte da resposta a surtos. Mas os imunizantes não combatem a variante Bundibugyo.

O Congo aguarda o envio, pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, de doses de uma vacina experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford para diferentes tipos do vírus.

6. Qual o tratamento para a doença?

Para tratar a doença, a OMS recomenda o uso dos anticorpos monoclonaismAb114(ansuvimab) ouREGN-EB3(Inmazeb).

➡️Osanticorpos monoclonaissão proteínas produzidas em laboratório desenvolvidas paraagir como o sistema imunológico natural.

Não existem terapias aprovadas para outras doenças causadas pelo Ebola, mas produtos com potencial para tratamento estão em desenvolvimento.

7. A declaração da OMS de emergência de saúde internacional indica que existe risco de uma epidemia global?

Não necessariamente. Segundo a OMS, o risco de propagação de surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda éalto nos níveis nacional e regional, mas baixo em escala global.

Adeclaração da organizaçãoressalta que o surto ainda "não cumpre critérios de emergência pandêmica".

Apesar do risco baixo de epidemia global, há um preocupação com a possibilidade de propagação internacional devido à intensa mobilidade populacional.

Na declaração, a entidade sanitária afirma que se "requer coordenação e cooperação em nível internacional para compreender o alcance do surto, coordenar as medidas de vigilância, prevenção e resposta, ampliar e reforçar as operações e garantir a capacidade para aplicar medidas de controle".