É #FAKE que Pfizer listou infecção por hantavírus como efeito colateral de vacina contra Covid-19

É #FAKE que Pfizer listou infecção por hantavírus como efeito colateral de vacina contra Covid-19
Publicação mente ao dizer que imunizante causa hantavirose. Ao Fato ou Fake, farmacêutica afirma que infecção não aparece como efeito colateral na bula; microbiologista também desmente conteúdo.
Circulam nas redes sociais publicações dizendo que aPfizeridentificou a contaminação por hantavírus como efeito colateral da vacina contra a Covid-19.É#FAKE.

🛑 Como são os posts?

Contatada peloFato ou Fake, a assessoria de imprensa da Pfizer informou:"A infecção por Hantavírus não está listada como uma reação adversa na bula aprovada da vacina Pfizer-BioNTech contra a Covid-19, que pode ser encontrada em nosso site, bem como no portal daAnvisa[Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. Autoridades regulatórias em todo o mundo autorizaram a vacina contra a Covid-19 da Pfizer-BioNTech, e comitês médicos especializados revisaram e continuam revisando os dados, recomendando seu uso. Com bilhões de doses administradas globalmente, o perfil de segurança da vacina para todos os grupos autorizados permanece favorável".

Disponível nos sites de agências regulatórias do Brasil e do mundo, a bula não faz nenhuma menção ao hantavírus. O comunicado da farmacêutica ainda cita:"A infecção pulmonar por hantavírus aparece no documento como um evento relatado, e não como uma reação adversa atribuída à Comirnaty [nome da vacina da Pfizer]. O documento compartilhado com a FDA deixa claro que 'um acúmulo de relatos de eventos adversos não indica que um determinado evento adverso (EA) tenha sido causado pela vacina; o evento pode ser decorrente de uma doença subjacente ou de outros fatores, como histórico médico prévio ou medicação concomitante'".

Veja, abaixo, os efeitos adversos que podem ser causados pela vacina da Pfizer (todos estão na bula, que não meciona "hantavírus"):

AoFato ou Fake, Luís Carlos de Souza Ferreira, professor do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (USP), explica que a listagem de eventos adversos de saúde é obrigatória na fase 4 do estudo clínico de qualquer vacina ou medicamento.

"Esse relatório da Pfizer apresenta uma lista de centenas de possíveis efeitos adversos e desdobramentos patológicos para os quais as equipes de saúde devem atentar, verificando se ocorre alguma alteração na população. No caso do hantavírus, ele está listado apenas como um dos pontos a serem avaliados pelas equipes, mas não houve nenhum relato de aumento de infecção ou indício de que a vacina estivesse induzindo esse efeito.O fato de o hantavírus aparecer nessa lista não significa que a vacina cause a doença; dizer isso não tem sentido e é categoricamente falso".

O especialista afirma que, em uma situação hipotética, se a fabricante tivesse comprovado uma relação de causa e efeito entre a vacina contra a Covid-19 e a hantavirose, a aplicação do imunizante teria sido suspensa. Foi o que ocorreu, por exemplo,quando se identificou um risco de trombose, ainda que remoto, associado à vacina da AstraZeneca:

"Esse sistema de monitoramento é tão sério, tão poderoso, que uma outra vacina contra a Covid-19 foi tirada de circulação justamente porque esse tipo de estudo de monitoramento mostrou um risco real, embora muito pequeno, de trombose e derrames. Esse sistema é capaz de detectar eventos que ocorrem em 1 a cada 200 mil ou 300 mil indivíduos, algo impossível de notar em testes iniciais. No caso deste relatório da Pfizer, a análise cuidadosa verificou que a hantavirose sequer foi detectada. Se houvesse qualquer indício real, o sistema teria agido, por isso essa 'notícia' é completamente fake".

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