Como o corpo reage ao espaço e à reentrada: o que os astronautas da Artemis II enfrentaram na volta à Terra

Como o corpo reage ao espaço e à reentrada: o que os astronautas da Artemis II enfrentaram na volta à Terra
Após dias em microgravidade, tripulação precisa lidar com perda de força, desorientação e impacto físico da reentrada.
A volta à Terra da missão Artemis II não representa apenas um desafio tecnológico, também exige umaadaptação intensa do corpo humano.

Depois de cerca de dez dias em microgravidade,o organismo dos astronautas precisa voltar a funcionar sob a gravidade da Terra justamente no momento mais exigente da missão: a reentrada na atmosfera.

O que acontece com o corpo no espaço

No espaço,a ausência de gravidade provoca uma série de mudanças fisiológicas.

Sem o peso constante do corpo, músculos e ossos deixam de ser exigidos como na Terra. Com o tempo, isso leva àperda de massa muscular e à redução da densidade óssea, um processo que começa rapidamente, mesmo em missões mais curtas.

Além disso, há umaredistribuição de fluidos no organismo. Na Terra, a gravidade puxa líquidos para as pernas; no espaço, eles se acumulam na parte superior do corpo, o que pode deixar o rosto mais inchado e contribuir para alterações na pressão dentro do crânio.

Outro sistema diretamente afetado é o vestibular, responsável pelo equilíbrio e pela orientação espacial. Sem a referência da gravidade,o cérebro precisa se reorganizar para entender onde é “cima” e “baixo”—o que pode causar sensação de desorientação.

Se no espaço o desafio é a ausência de gravidade, na volta o problema é o oposto. E acontece de forma abrupta.

Durante a reentrada, os astronautas da Artemis II enfrentaramforças de até 3,9 vezes a gravidade da Terra. Isso significa queo corpo passa a “pesar” quase quatro vezes mais, comprimindo órgãos, dificultando a circulação sanguínea e exigindo esforço adicional do coração para manter o fluxo de sangue, especialmente para o cérebro.

Esse momento é particularmente sensível porqueo organismo já está adaptado a um ambiente sem peso. A transição rápida pode provocar tontura, visão turva e sensação de desmaio.

Por que eles podem sair ‘sem firmeza’ da cápsula

Após o pouso, é comum que astronautas tenhamdificuldade para ficar em pé ou caminhar normalmente. Isso acontece porque o sistema vestibular ainda está “reaprendendo” a lidar com a gravidade, enquanto músculos e articulações precisam voltar a sustentar o corpo.

Também pode haver queda de pressão ao levantar, sensação de fraqueza e perda temporária de coordenação motora.

Por isso, a retirada da cápsula é feita com apoio de equipes especializadas, mesmo quando tudo ocorre como previsto.

O corpo pode levar semanas para voltar ao normal

Depois do resgate, os astronautas passam por avaliações médicas ainda no navio e continuam sendo monitorados no Centro Espacial Johnson, nos Estados Unidos.

Em missões mais longas, a recuperação completa pode levar semanas ou até meses. No caso da Artemis II, por se tratar de uma missão de cerca de dez dias, a expectativa é de uma readaptação mais rápida —mas ainda assim gradual.

A volta à Terra, portanto, não termina no splashdown. Para o corpo humano, o retorno é um processo que continua bem depois do pouso —e é parte essencial dos estudos que vão permitir missões mais longas no futuro, como viagens a Marte.