O ranking divulgado nesta quarta-feira (20) pelo institutoImazon, em parceria com outras organizações, mostra que um município paulista com menos de5 mil habitantestem mais qualidade de vida do que qualquer capital brasileira, e que a diferença entre a melhor e a pior cidade do país passa de 30 pontos.
Por trás desses números está oÍndice de Progresso Social (IPS), uma metodologia que se propõe a medir a qualidade de vida de uma forma diferente do PIB e do IDH.
A ideia central do índice é simples:desenvolvimento econômico, sozinho, não significadesenvolvimento social.
Um município pode ter um PIB alto e, ainda assim, oferecer pouca qualidade de vida aos seus moradores — e o contrário também acontece.
A proposta do IPS, segundo a coordenadora Melissa Wilm, é medir o que de fato importa na vida das pessoas, em vez de olhar para o quanto foi gasto em cada área.
🔍 O que o índice mede (e o que ele não mede)
O IPS não conta a quantidade de escolas, hospitais ou postos de saúde de um município. Ele olha para o resultado: se quem entrou na escola saiu com uma boa formação, se quem precisou de atendimento médico foi bem atendido, se as casas têm saneamento, se as ruas são seguras, se há oportunidades de trabalho e estudo.
Para isso, o índice cruza57 indicadores sociais e ambientais, todos retirados de bases públicas como DataSUS, IBGE, Inep, MapBiomas, Anatel, Cadastro Único e Conselho Nacional de Justiça.
Os dados precisam ser recentes (no máximo cinco anos) e estar disponíveis para todos — ou quase todos — os5.570municípios brasileiros.
Os indicadores são agrupados em três grandes dimensões, que respondem a três perguntas diferentes sobre a vida em cada cidade:
📊 Como a nota é calculada
Cada indicador passa por um processo estatístico que padroniza os dados — afinal, é preciso comparar taxas, percentuais, índices e valores absolutos vindos de fontes muito diferentes.
Depois, os indicadores são combinados dentro de cada um dos12 componentes, que por sua vez formam a média de cada uma das três dimensões. A nota final do município é a média das três dimensões.
A pontuação varia de 0 a 100. Em 2026, a média do Brasil ficou em63,40. Gavião Peixoto (SP), líder do ranking, marcou 73,10, enquanto Uiramutã (RR), última colocada, ficou com 42,44.
Para deixar a comparação mais justa, o índice ainda agrupa os municípios em conjuntos de 50 cidades com PIB per capita parecido, espalhadas por todo o país. Isso permite avaliar se um município está indo bem, mal ou na média em relação a outros com o mesmo nível de riqueza.
É essa comparação que mostra, por exemplo, que Duque de Caxias (RJ) e São Bernardo do Campo (SP) têm PIB per capita semelhante, mas notas de qualidade de vida muito diferentes — 57,87 contra 69,92.
🧭 Por que o índice é refeito todo ano
O IPS Brasil é publicado anualmente desde 2024 e usa a mesma metodologia internacional aplicada pela organização Social Progress Imperative, que calcula o índice para170 paísesdesde 2014.
Iniciativas parecidas existem em escala subnacional na União Europeia, no México, na Índia, nos Estados Unidos e no Reino Unido.
A versão brasileira é coordenada peloImazone tem como parceiras a Fundação Avina, a iniciativa Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative.
Os dados de todos os municípios estão disponíveis no site ipsbrasil.org.br, onde é possível comparar cidades, ver o desempenho em cada um dos 12 componentes e analisar a evolução ao longo dos anos.
Mais do que um retrato do país, o índice é apresentado pelos seus coordenadores como uma ferramenta de gestão — uma espécie de bússola para orientar políticas públicas, investimentos sociais e ações da sociedade civil para as áreas que mais precisam de atenção em cada município.
Como é elaborado o indicador que capta o contraste da qualidade de vida nas cidades brasileiras
IPS Brasil reúne 57 indicadores sociais e ambientais para avaliar os 5.570 municípios do país; metodologia foca no que chega à vida das pessoas, e não em quanto se investe em cada lugar