Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves Ferreira, tinha 14 anos quando houve o acidente com o Césio-137, em 1987, emGoiânia. A informação foi compartilhada pela mãe dele, Lourdes das Neves Ferreira. De acordo com a Associação das Vítimas do Césio-137, Lucimar foi encontrado morto na casa em que morava, emAparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. A causa da morte não divulgada.
Dona Lourdes postou uma foto do filho em abril deste ano e, na legenda, contou brevemente sobre o acidente.Lucimar morreu neste sábado (25), aos 52 anos.
"Esse é meu filho Lucimar. Na época do acidente do Césio-137, estava com 14 anos. Amo você, meu filho", diz o texto da publicação.
O presidente da associação, Marcelo Santos Neves, contou à reportagem que Lucimar estava com problemas de saúde e fazia tratamento médico."Ele foi encontrado morto, dormiu e não levantou, na casa dele", resumiu. Marcelo disse ainda que Lucimar teve episódios de desmaio na rua e, em uma das ocasiões, a mãe foi buscá-lo no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).
"Ele estava fazendo tratamento agora, não sei bem de quê, porque ele não correspondia aos tratamentos. Eu sei que teve umas duas vezes aí que ele deu um desmaio na rua. Inclusive Dona Lourdes me chamou, eu acho que tem uns três meses, eu fui buscar ele lá no Hugo, porque ele desmaiou e levaram ele para lá", contou.
Acidente radiológico
Lucimar era irmão de Leide das Neves Ferreira, menina de 6 anos que se tornou o principal símbolo do acidente com o Césio-137 em Goiânia. A tragédia começou em 13 de setembro de 1987, quando uma cápsula contendo Césio-137 foi retirada de um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radiologia, na Avenida Paranaíba, no Centro de Goiânia.
A peça foi levada por catadores e, posteriormente, vendida ao ferro-velho de Devair Alves Ferreira. Em 24 de setembro daquele ano, Ivo Alves Ferreira, pai de Leide, levou fragmentos da substância radioativa para a casa da família. A menina teve contato direto com o material e ingeriu partículas radioativas.
Leide morreu em 23 de outubro de 1987, aos 6 anos, em decorrência da síndrome aguda da radiação. O acidente é considerado o maior acidente radiológico do Brasil.
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Lucimar das Neves Ferreira foi encontrado morto em casa neste sábado (25). Segundo o presidente da Associação das Vítimas, ele sofria de depressão profunda e traumas relacionados ao acidente de 1987.