Bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos Ypê em inspeção de abril, diz Anvisa

Bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos Ypê em inspeção de abril, diz Anvisa
Agência também detectou 76 irregularidades em inspeção conjunta realizada na fábrica de Amparo (SP). Diretoria Colegiada vai retomar a análise do recurso da Química Amparo, fabricante da marca, nesta sexta-feira (15), às 9h30.
A bactériaPseudomonas aeruginosafoi identificada em mais de100 lotes de produtos acabadosda marca Ypê, informou aAgência Nacional de Vigilância Sanitária(Anvisa) aog1nesta quarta-feira (13).

É a primeira vez que a Anvisa confirma aidentificação da bactériaem lotes de produtos da marca.

Até então, a presença da Pseudomonas aeruginosa havia sido informada pela própria fabricante, que detectou o microrganismo em lotes de lava-roupas em novembro de 2025.

Anteriormente, a Anvisa tinha apenas confirmado que a inspeção que levou a agência suspender a fabricação e determinar temporariamente o recolhimento dos produtos tinha conexão com um "histórico de contaminação microbiológica" registrado na empresa desde o ano passado..

Agora, a agência informou que essa constatação faz parte das conclusões de umainspeção conjuntarealizada na última semana de abril de 2026 pela Anvisa, peloCentro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP)e pelaVigilância Sanitária Municipal de Amparo, no interior paulista, onde fica a unidade da Química Amparo, fabricante dos produtos.

Durante a inspeção, foram detectadas76 irregularidades. Os problemas abrangem desde falhas graves relacionadas àqualidade microbiológica, com a identificação da bactéria em mais de100 lotes, até deficiências no controle de materiais de embalagem.

Og1questionou a Ypê e a Anvisa sobre detalhes desses lotes(veja as notas na ÍNTEGRA ao final do texto).

Em nota, a empresa disse que os lotes em não confirmidade para a equipe de fiscalização da Anvisa foram apresentados "exatamente para demonstrar que o processo de testes, identificação e bloqueio de produtos da empresa é eficaz".

"Esses lotes ficam em quarentena e, em caso de confirmação de não conformidade, são devidamente destruídos", acrescentou a empresa.

Já a Anvisa disse que as informações do processo sãoreservadas.

APseudomonas aeruginosaé um microrganismo comum no ambiente, encontrado em água, solo e superfícies úmidas.

Para a maioria das pessoas, o risco é considerado baixo, mas aumenta em imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, pessoas com feridas, queimaduras ou dermatites, além de bebês e idosos fragilizados(entenda mais ABAIXO).

A inspeção da Anvisa embasou a Resolução 1.834/2026, publicada em 5 de maio, que determinou a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca Ypê comnumeração final 1.

Recurso será analisado na sexta

A Diretoria Colegiada da Anvisa retirou da pauta desta quarta-feira (13) o julgamento do recurso apresentado pela Química Amparo contra a resolução que determinou a suspensão da fabricação e o recolhimento dos produtos.

O caso voltará à análise da diretoria nesta sexta-feira (15), às 9h30.

Segundo a Anvisa, a agência e a empresa estão realizando reuniões técnicas para mitigação do risco sanitário identificado.

A Química Amparo apresentou os investimentos já realizados,intensificou os esforçospara adequação das irregularidades e se comprometeu a apresentar um novo plano de ação nesta quinta-feira (14).

"A Anvisa e a empresa estão realizando reuniões técnicas para mitigação do risco sanitário identificado. A empresa apresentou os investimentos já realizados, intensificou os esforços para adequação das irregularidades e se comprometeu a apresentar medidas para a correção dessas ações amanhã, dia 14 de maio de 2026, com vistas ao cumprimento das determinações sanitárias destinadas à correção das não conformidades identificadas", disse o diretor-presidente da Anvisa.

Safatle reiterou a recomendação para que os consumidoresNÃOutilizem os produtos dos lotes informados e procurem o serviço de atendimento ao consumidor da empresa para orientações.

Aog1, a Anvisa também informou que nos dias 7 e 8 de maio (depois que a Resolução foi publicada), a agência recebeu 1.474 "interações de usuários" sobre os produtos Ypê com determinação de recolhimento.

Os contatos incluem pedidos de informação, dúvidas sobre como proceder com os produtos e reclamações.

Já as denúncias recebidas pela agência entre os dias 7 e 12 de maio somam 75, com temas que vão de registros sobre o não funcionamento doServiço de Atendimento ao Consumidor (SAC)da empresa até estabelecimentos comercializando os produtos mesmo no período em que a resolução estava vigente.

Durante a última inspeção, segundo a Anvisa, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos das chamadasBoas Práticas de Fabricaçãode saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade decontaminação microbiológica— a presença indesejada de microrganismos que podem causar doenças.

📝ENTENDA:As Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa são umconjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatórios que garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.

➡️ Após a publicação da resolução, a empresa apresentou umrecurso administrativocom pedido de efeito suspensivo, o que paralisa as obrigações impostas pela Anvisa até que a Diretoria Colegiada delibere sobre o caso.

Em nota divulgada no dia 8 de maio, a agência informou quemantém a avaliação técnica de riscoe orientou os consumidores aNÃOutilizarem os produtos atingidos pela medida,mesmo durante o período em que o recolhimento está suspenso.

O que é a bactéria encontrada

APseudomonas aeruginosaé um microrganismo comum no ambiente. Está presente no ar, na água, no solo e pode ser encontrada inclusive na pele de pessoas saudáveis.

🦠 Ela é classificada na literatura médica como umabactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar ou agravar quadros infecciosos em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

É justamente esse perfil que explica o teor do comunicado da empresa, direcionado especialmente aimunossuprimidos, cuidadores e profissionais de saúde.

De acordo com o Manual MSD, referência em informações médicas, "essas bactérias são favorecidas por áreas úmidas, como lavatórios, sanitários, banheiras de hidromassagem e piscinas com cloro inadequado, e soluções antissépticas vencidas ou inativadas. Às vezes, essas bactérias estão presentes nas axilas e na área genital de pessoas saudáveis".

As infecções por Pseudomonas aeruginosa variam de infecções externas pequenas a distúrbios sérios com risco de morte, segundo a MSD.

Quem são os imunossuprimidos

São pessoas cujo sistema de defesa do organismo está enfraquecido, seja por doenças ou por tratamentos. Entram nesse grupo, por exemplo:

Nesses casos, microrganismos que normalmente não causariam problema podem representar um risco maior.

De acordo com a MSD, as infecções ocorrem com mais frequência e tendem a ser mais severas em pessoas que:

Veja as notas na ÍNTEGRA

"A Ypê apresentou os lotes em não confirmidade para a equipe de fiscalização da Anvisa, exatamente para demonstrar que o processo de testes, identificação e bloqueio de produtos da empresa é eficaz. Esses lotes ficam em quarentena e, em caso de confirmação de não conformidade, são devidamente destruídos."

"A Anvisa e a empresa estão realizando reuniões técnicas para mitigação do risco sanitário identificado. A empresa apresentou os investimentos já realizados, intensificou os esforços para adequação das irregularidades e se comprometeu a apresentar novo plano de ação amanhã, dia 14 de maio de 2026, com vistas ao cumprimento das determinações sanitárias destinadas à correção das não conformidades identificadas.

Assim, reiteramos a recomendação de não utilização dos produtos listados na RE nº 1.834/2026 e de buscar o Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa.

Durante inspeção conjunta realizada na última semana de abril de 2026 pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP) e pela Vigilância Sanitária Municipal de Amparo (GVS-Campinas), foram detectadas 76 irregularidades, abrangendo desde falhas graves relacionadas à qualidade microbiológica — com a identificação de Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados — até deficiências no controle de materiais de embalagem."