Advogado é preso suspeito de dar golpes nos próprios clientes

Advogado é preso suspeito de dar golpes nos próprios clientes
Michel de Lacerda Bento é investigado por estelionato. Segundo apuração da TV Anhanguera, a polícia acredita que ele tenha feito cerca de 40 vítimas, cujos prejuízos, somados, podem chegar a R$ 700 mil.
Um advogado suspeito de dar golpes nos próprios clientes, emCatalão, no sudeste de Goiás, foi preso. Michel de Lacerda Bento é investigado por estelionato. De acordo com apuração da TV Anhanguera, a suspeita é que ele captava clientes prometendo reduzir valores de parcelas de financiamentos imobiliários. Os recursos, porém, eram retidos por ele.

A defesa de Michel não foi localizada até a última atualização desta reportagem. De acordo com o Cadastro Nacional de Advogados, da OAB, o registro profissional dele está suspenso. No dia 12 de maio, a OAB-GO disse que a suspensão foi adotada "diante da gravidade dos fatos apurados em procedimentos ético-disciplinares e da ampla repercussão social".

Em entrevista à TV Anhanguera, uma das pessoas que afirmam terem sido vítimas do advogado detalhou as orientações que ele passava e o que acontecia em seguida. Adeildo Leite de Araújo disse que Michel lhe pedia que parasse de pagar as prestações, para forçar o loteamento a uma negociação. Ao mesmo tempo, pedia dinheiro para quitar algumas parcelas atrasadas.

"Ele ligava fora do horário, pedindo pix para pagar duas, três prestações que estavam mais atrasadas. A gente enviava o pix para ele. E nada foi pago", disse Adeildo.

Segundo a TV Anhanguera, a Polícia Civil acredita que ele tenha feito cerca de 40 vítimas, cujos prejuízos, somados, podem chegar a R$ 700 mil.

Em uma decisão de março deste ano, relacionada a um pedido de habeas corpus preventivo, a juíza Priscila Lopes da Silveira, da comarca de Anápolis, ao prestar esclarecimentos a um desembargador, afirmou que foi instaurada investigação criminal pela 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Catalão, para apurar a suposta prática dos crimes de estelionato e apropriação indébita.

"Segundo a portaria de instauração, o investigado, valendo-se de sua atuação profissional como advogado, teria induzido múltiplas vítimas a erro mediante promessa de redução de parcelas de loteamentos e obtenção de indenizações", disse a juíza.

A magistrada afirmou, ainda, que há indícios de que Michel orientava as vítimas a interromperem o pagamento das parcelas dos imóveis, "o que teria contribuído para o agravamento das dívidas e gerado risco de perda dos bens".

"Os elementos informativos indicam que ele solicitava pagamentos iniciais, geralmente entre R$ 2.050 e R$ 3.500, para a propositura de ações judiciais, bem como valores adicionais a título de custas processuais e supostos atos judiciais, sem a devida prestação de contas ou acompanhamento adequado das demandas".

Og1solicitou mais informações sobre o caso à Polícia Civil, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Dezenas de reclamações

Na mesma nota divulgada em maio, a OAB-GO disse que recebeu, nos últimos anos, "dezenas de reclamações" relacionadas à atuação do advogado.

"Os relatos apontam, em tese, situações como ausência de prestação de contas, retenção de valores, abandono de processos e ajuizamento de ações sem acompanhamento adequado", disse a entidade, na ocasião.

Na decisão, a OAB destacou que a suspensão não representa condenação definitiva, "mas uma medida preventiva e excepcional voltada à preservação da dignidade da advocacia e da confiança da sociedade na atuação profissional da classe"

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