Vírus sincicial respiratório (VSR) impulsiona aumento de casos graves de síndrome respiratória no Brasil; proteção de vacina dura até três anos

Vírus sincicial respiratório (VSR) impulsiona aumento de casos graves de síndrome respiratória no Brasil; proteção de vacina dura até três anos
Boletim InfoGripe, da Fiocruz, aponta avanço da SRAG associada ao VSR em diversas regiões do país. Vírus preocupa bebês, idosos e pessoas com doenças crônicas.
O Brasil continua registrando aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionado pela maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), segundo o novo boletim InfoGripe, da Fiocruz. O VSR lidera casos de infecções respiratórias e a gripe responde pela maior parte das mortes.

O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por aproximadamente 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos.

Além de bebês, adultos e idosos também são mais vulneráveis ao VSR, especialmente aqueles com doenças crônicas, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doenças cardiovasculares e diabetes.

Para adultos de maior risco, uma das vacinas disponíveis na rede privada oferece proteção por pelo menos três anos, explica o infectologista Clóvis Arns ao Bem-Estar.

Em Porto Alegre, o impacto já é sentido na rede de saúde. Em apenas um mês, os atendimentos médicos nas unidades de saúde aumentaram quase 20%, com mais de 33 mil consultas acima do esperado.

VSR avança em várias regiões do país

De acordo com o boletim InfoGripe, os casos de SRAG associados ao VSR continuam aumentando em toda a região Sul — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul —, em boa parte do Sudeste — Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo — e em alguns estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Também há aumento no Amapá, Pará, Roraima, Alagoas, Ceará, Maranhão e Mato Grosso do Sul.

O cenário reforça a preocupação com a circulação de vírus respiratórios durante o outono e o inverno.

Gestantes podem se vacinar pelo SUS a partir da 28ª semana de gravidez

O SUS oferece a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A estratégia busca proteger os bebês desde o nascimento, por meio da transferência de anticorpos da mãe para a criança durante a gestação.

Segundo Clóvis Arns, essa proteção é especialmente importante nos primeiros meses de vida, período em que o vírus pode causar bronquiolite, pneumonia e necessidade de internação.

Bebês prematuros e com comorbidades também podem receber o nirsevimabe, imunizante que amplia a proteção contra o VSR.

Proteção de vacina pode durar pelo menos três anos

Para adultos, existem duas vacinas contra o VSR disponíveis na rede privada. Elas são indicadas para idosos e para pessoas a partir dos 18 anos com comorbidades, especialmente doenças pulmonares e cardíacas.

Segundo Clóvis Arns, uma dessas vacinas tem adjuvante, substância que potencializa a resposta do organismo, e apresenta proteção por pelo menos três anos.

O infectologista compara o adjuvante a um “alto-falante” da vacina, por ampliar a resposta imunológica. Ele afirma que essa duração é uma novidade entre vacinas contra vírus respiratórios, já que a proteção de imunizantes como os da gripe e da covid costuma durar de quatro a seis meses.

No SUS, a vacina contra o VSR está disponível para gestantes. Para adultos, por enquanto, a vacinação ocorre na rede privada.

Quem já teve VSR também pode se beneficiar da vacina. A infecção natural não confere proteção permanente, e reinfecções são frequentes ao longo da vida. Por isso, pessoas que fazem parte dos grupos com recomendação de vacinação continuam sendo orientadas a se vacinar, mesmo após um episódio anterior da doença.

VSR também pode causar quadros graves em idosos

Embora seja mais conhecido pelo risco em bebês, o VSR também pode levar a quadros graves em adultos vulneráveis.

Segundo o infectologista, três grupos merecem atenção especial:

Nessas populações, a infecção pode evoluir para pneumonia grave, necessidade de oxigênio, internação hospitalar, UTI, ventilação mecânica e até morte.

O risco aumenta com a idade por causa da imunossenescência, processo natural de envelhecimento do sistema imunológico.

Sintomas podem ser confundidos com gripe

Os sintomas do VSR são semelhantes aos de outros vírus respiratórios, como a gripe:

Por isso, a diferenciação só pode ser feita por exames laboratoriais, como testes rápidos com swab nasal ou PCR.

A identificação do vírus pode ser importante especialmente em idosos, porque há tratamento antiviral específico para influenza com o oseltamivir (conhecido como Tamiflu). Mas ainda não há antiviral eficaz e disponível contra o VSR.

VSR lidera casos de infecções respiratórias e gripe responde pela maior parte das mortes

De acordo com o boletim Infogripe, da Fiocruz, nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos de infecções respiratórias foi de:

Entre os óbitos, a presença desses mesmos vírus, considerando apenas os casos positivos e o mesmo período, foi de:

Medidas simples ajudam a reduzir a transmissão

Especialistas reforçam que medidas de prevenção continuam sendo importantes para diminuir a circulação dos vírus respiratórios.

Pessoas com sintomas como dor de garganta, coriza, obstrução nasal, rouquidão ou tosse devem, se possível, ficar em casa. Quando isso não for possível, o uso de máscara ajuda a evitar a disseminação do vírus.

Também são recomendadas medidas como higienizar as mãos, cobrir a boca ao tossir e evitar visitas a idosos ou pessoas com doenças pulmonares e cardíacas durante quadros de virose respiratória.

Segundo Clóvis Arns, um quadro leve em uma pessoa jovem pode se tornar grave em idosos, cardiopatas ou pessoas com doenças pulmonares.