Vantagem ou desvantagem? Nas últimas 20 eleições na América do Sul, candidatos governistas só venceram três vezes; veja

Vantagem ou desvantagem? Nas últimas 20 eleições na América do Sul, candidatos governistas só venceram três vezes; veja
O g1 fez um levantamento dos últimos pleitos, considerando apenas democracias latino-americanas independentes. Desde 2018, só Paraguai e Equador viram vitórias do governismo.
Mesmo em democracias saudáveis, com instituições robustas, é natural pensar que os governistas largam na frente em qualquer eleição presidencial. O governo, afinal, ocupa naturalmente o noticiário, tem mais visibilidade e capacidade de pautar o debate, além de apresentar resultados concretos.

A América do Sul, no entanto, desafia essa máxima da política: segundo um levantamento feito pelog1, nos países latino-americanos do continente que realizaram eleições reconhecidas, os governistas só venceram três dos últimos 20 pleitos.

Desde 2018, só Paraguai e Equador viram vitórias do governismo. O primeiro vive um período de hegemonia do Partido Colorado, e é o único a registrar duas vitórias seguidas da sigla que está no poder no período.

As duas eleições mais recentes ocorreram na Colômbia e no Peru, e terminaram com a vitória de quem não estava no governo.

No primeiro caso,Abelardo de la Espriella, representante da direita, derrotou por uma pequena margem de votos Iván Cepeda, candidato de esquerda e do atual presidente, Gustavo Petro.

No Peru, a situação é mais complicada.Keiko Fujimori, também de direita, receberá a faixa de José María Balcázar, escolhido pelo Congresso para cumprir um mandato-tampão, após a destituição de Dina Boluate. Na prática, não havia candidato governista na disputa.

Em muitos casos, desde 2018 – início do levantamento –, os governistas encerram o ciclo eleitoral com a popularidade em baixa, ou envolvidos em escândalos, e não apresentam candidatos.

A derrota governista nem sempre significa, necessariamente, uma alternância entre esquerda e direita.

O levantamento compilou apenas os países latino-americanos independentes da América do Sul. A Venezuela não entrou na contagem por não ter eleições consideradas justas pela comunidade internacional.

Veja o desempenho do governismo do continente nas últimas eleições:

Horacio Cartes entregou o poder a Mario Abdo Benítez, ambos do Partido Colorado, de direita.

Juan Manuel Santos (considerado centrista) entregou o poder para Iván Duque, do Centro Democrático (direita). Duque se opôs ao acordo de paz que Santos costurou com os guerrilheiros das Farc e se aliou a Álvaro Uribe, com quem Santos havia rompido anos antes.

Michel Temer (MDB) passou a faixa para Bolsonaro (então no PSL). O candidato do MDB, Henrique Meirelles, teve apenas 1,20% dos votos válidos no primeiro turno, e o partido liberou seus filiados para apoiar quem quisessem no segundo turno.

Mauricio Macri, liberal não peronista, perdeu a reeleição para Alberto Fernández, peronista de esquerda, apoiado por Cristina Kirchner.

Tabaré Vázquez, de esquerda, perdeu para Luis Lacalle Pou, da direita liberal.

Jeanine Áñez, de direita, era presidente interina e cumpria mandato-tampão após queda de Evo Morales. Ela passou a faixa para Luis Arce, então aliado de Morales.

O então presidente Lenín Moreno havia se distanciado da esquerda "correísta" de seu antigo aliado, Rafael Correa e se tornado um político de centro-direita durante seu mandato. Impopular, Moreno não teve representante governista nas eleições. Guillermo Lasso venceu o correísmo "raiz" de seu rival, Andrés Arauz.

Francisco Sagasti, escolhido presidente pelo Congresso porque o cargo estava vago após anos de instabilidade política, era do Partido Morado, de centro. Foi sucedido por Pedro Castillo, representante da esquerda conservadora.

Gabriel Boric, de esquerda, foi eleito sucessor de Sebastián Piñera, direitista.

Iván Duque, de direita, foi sucedido pelo esquerdista Gustavo Petro, que já havia sido seu rival na eleição anterior.

Jair Bolsonaro (PL) tentou a reeleição, mas perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em votação apertada.

Mario Abdo Benítez passou a faixa para Santiago Peña, ambos do Partido Colorado, de direita.

Guillermo Lasso convocou eleições antecipadas após perda de apoio por escândalos de sua administração. Ele não apoiou nenhum candidato e seu partido tampouco apresentou uma candidatura. O vencedor do pleito, Daniel Noboa, é do mesmo espectro político.

O kirchnerismo (peronismo de esquerda), no poder com Alberto Fernández, lança Sergio Massa como candidato, mas ele perde para Javier Milei, de direita.

Yamandú Orsi, da esquerda, vence o candidato da direita e apoiado por Lacalle Pou, Álvaro Delgado.

Luis Arce perde as eleições para Rodrigo Paz, de direita, e encerra um ciclo de 20 anos de vitórias eleitorais da esquerda no país.

Daniel Noboa obtém a reeleição, desta vez para um mandato completo.

Gabriel Boric não consegue eleger sua correligionária Jeannette Jara, e José Antonio Kast, que havia perdido a disputa anterior, leva a direita novamente ao Palacio de la Moneda.

Em mais um período de extrema instabilidade política,Keiko Fujimori é eleitapara suceder a José Maria Balcázar, congressista escolhido para preencher um mandato-tampão.

Gustavo Petro apoia Iván Cepeda nas eleições, mas ele perde o segundo turno paraAbelardo de la Espriella, candidato à direita do espectro político.