A chegada de milhares de imigrantes a Ceuta, cidade autônoma daEspanha, reacendeu o debate sobre imigração na Europa. O episódio ocorreu em um momento em que as principais rotas migratórias monitoradas pela União Europeia registram queda nas entradas irregulares. Por outro lado, as vias continuam sendo palco de tragédias: cerca de1.300 pessoas morreramno Mar Mediterrâneo apenas neste ano.
▶️ Contexto:Em 30 de julho, 72 mil imigrantes entraram em Ceuta pela fronteira da cidade com o Marrocos. Segundo o governo espanhol, 70 mil já deixaram o local. Pelo menos 100 pessoas morreram ao tentar fazer a travessia.
Apesar de a Espanha ter reforçado a presença militar na região, a crise acendeu um alerta sobre a entrada massiva de imigrantes na Europa.
A Espanha, no entanto, não é o único país europeu afetado por ondas de imigração irregular. Nos últimos anos, milhares de pessoas de dezenas de nacionalidades têm se arriscado em travessias por terra e pelo mar para chegar à Europa.
Ao todo, a União Europeia monitora seis rotas por onde essas travessias são feitas. A principal é a do Mediterrâneo Central, em que imigrantes partem da costa do norte da África rumo a países como a Itália.
Neste ano, porém, duas rotas têm chamado a atenção das autoridades: a doMediterrâneo Oriental, que passou a registrar o maior número de travessias irregulares, e a doMediterrâneo Ocidental, que inclui as tentativas de entrada em Ceuta.
👉 Conheça, a seguir as principais rotas.
Jornada até a Europa
Somente em 2025, 66.328 pessoas fizeram a travessia irregular para chegar à Europa pela rota doMediterrâneo Central. O número está em queda desde 2023, quando 162.714 imigrantes fizeram a travessia.
Outra rota muito movimentada é a doMediterrâneo Oriental. Ela também costuma ser feita pelo mar. Nela, imigrantes saem principalmente do Oriente Médio com destino ao Chipre e à Grécia.
A terceira principal rota é a doMediterrâneo Ocidental. Ela liga o Marrocos e a Argélia à Espanha por meio do Mar Mediterrâneo.
🗺️ O caminho para a Europa ainda conta comoutras três rotas, que são menos utilizadas pelos imigrantes:
📉 Somadas, todas essas rotas registraram177.784travessias irregulares ao longo de 2025. O número representa uma queda de 26% na comparação com o ano anterior. Já entre janeiro e junho deste ano, foram 50 mil, uma redução de 37% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Frontex esclarece que o número não representa o total de imigrantes irregulares que permaneceram na União Europeia após a travessia.
Apesar da queda, o bloco afirmou que cerca de 1.300 pessoas morreram apenas no Mar Mediterrâneo tentando chegar à Europa.
"As redes de tráfico humano continuam a enviá-las para o mar em embarcações sobrelotadas e em condições precárias, independentemente das circunstâncias", afirma o relatório europeu.
Combate à imigração irregular
Nos últimos anos, a União Europeia tem firmado acordos com países do norte da África para reduzir a imigração irregular. Em troca de apoio financeiro e outras contrapartidas, esses países reforçam a fiscalização das fronteiras e colaboram na devolução de migrantes.
No entanto, após a crise em Ceuta parlamentares e especialistas passaram a questionar se essa estratégia deixa o bloco vulnerável a pressões políticas de países de trânsito.
O comissário europeu para Migração, Magnus Brunner, afirmou que a União Europeia precisa usar "todas as ferramentas disponíveis", incluindo políticas de vistos e acordos comerciais, para garantir a cooperação de países vizinhos no controle das fronteiras.
"Um lembrete muito importante de Ceuta é que, para termos controle, precisamos cooperar com nossos vizinhos. Mas, enquanto esse controle depender da boa vontade de um Estado vizinho, continuaremos vulneráveis", afirmou Brunner ao Parlamento Europeu.
As declarações ocorrem em meio às suspeitas de que autoridades marroquinas tenham sido coniventes com a entrada em massa de imigrantes em Ceuta.
Segundo o governo marroquino, a Espanha deveria ter previsto as consequências de uma decisão da Justiça que impedia a deportação imediata de imigrantes que chegassem a Ceuta a nado sem cruzar uma barreira física na fronteira.
Travessia mortal: MAPA mostra rotas por mar e terra em que imigrantes se arriscam para chegar à Europa
Entrada de milhares de imigrantes em Ceuta gerou novo debate sobre crise migratória no continente. Neste ano, 1,3 mil pessoas morreram no Mar Mediterrâneo tentando chegar à Europa.