A mineradora Serra Verde, localizada emMinaçu, na região norte de Goiás, afirrmou aog1que não exporta minério bruto de terras raras, mas sim um concentrado mineral de alto valor. Após o acordo com a empresa USA Rare Earth pelavenda da mina por US$ 2,8 bilhões,a mineradora foialvo de críticaspor parte de autoridades, que questionaram a negociação com"recursos do subsolo brasileiro que pertencem à União".
"Ao longo dos últimos 16 anos, a empresa investiu mais de US$ 1 bilhão para construir uma operação integrada de mineração e processamento que transforma o minério em um produto intermediário de maior valor agregado: o Carbonato Misto de Terras Raras de alta pureza", disse a Serra Verde.
Segundo a empresa, o material exportado é rico em elementos estratégicos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio,fundamentais para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e outras tecnologias de energia limpa.
"Ainda não dispomos da tecnologia necessária para separar terras raras em escala industrial. No entanto, a combinação com a USA Rare Earth nos dá acesso a essa tecnologia, e definiremos o local para a separação após a realização de uma análise técnica e econômica completa.A separação no Brasil está sendo avaliada", afirmou a mineradora.
🔎 As "terras raras" são um grupo de 17 elementos químicos conhecidos por suas propriedades magnéticas e condutoras únicas. Apesar do nome, eles não são necessariamente "raros" na crosta terrestre, mas são extremamente difíceis de serem encontrados em concentrações puras e de difícil extração mineral.
A Serra Verde é aúnica mineradora fora da Ásiaa produzir em escala comercial quatro elementos magnéticos essenciais. O depósito de argila iônica em Minaçu, onde os minerais são extraídos, é um dos maiores do mundo, e possui um diferencial devido aos impactos ambientais relativamente baixos.
Em entrevista aog1, Ricardo Grossi, presidente e diretor de operações da Serra Verde, informou que anegociação não irá promover mudanças imediatas na operação no Brasil e que a gestão local segue inalterada.
“A mina e a planta em Minaçu seguem operando normalmente, sob a liderança da equipe atual, com continuidade da estratégia já em curso. A operação permanece focada no ramp-up e na expansão previstos, e a gestão local segue inalterada. Ao mesmo tempo, o acordo fortalece a empresa ao dar acesso à tecnologia ao longo de toda a cadeia produtiva e maior integração global, sem alterar o dia a dia da operação”, explicou.
Após a negociação, o foco da mineradora continua sendo a execução do projeto de otimização e expansão para elevar a produção para 6,4 mil toneladas por ano de óxidos de terras raras até o fim de 2027.
“Depois disso, a empresa combinada estará em uma posição mais forte para crescer e investir, potencialmente criando novas funções e promovendo um desenvolvimento econômico significativo em torno de Minaçu”, destacou Grossi.
Exportações já realizadas
A mineradora iniciou sua produção comercial em janeiro de 2024. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, foram exportadas quase 678 toneladas de terras raras para a China.
No entanto, em 2026, Goiás exportou apenas 2 toneladas para os Estados Unidos, com valor de US$ 67 mil. No ano passado, foram exportados 51 kg para os norte-americanos.
Negociação com a empresa norte-americana
A negociação foi anunciada pela USA Rare Earth no dia 20 de abril e prevê a combinação das operações das duas companhias para liderar toda a cadeia produtiva, desde a extração das terras raras, às etapas de separação, processamento dos elementos, até a fabricação de ímãs permanentes.
Do montante de US$ 2,8 bilhões, US$ 300 milhões serão pagos em dinheiro e o restante em ações. Além da aquisição, o acordo inclui um contrato de fornecimento de 15 anos. Também serão estabelecidos preços mínimos para os minerais, o que garante previsibilidade de receita e reduz riscos para a operação.
Na sexta-feira (24), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o subsolo do território brasileiro pertence à União e que cabe a ela regulamentar a exploração de terras raras e minerais críticos.
Em entrevista à emissora governamental Canal Gov, ele ressaltou que o memorando de entendimento entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para a exploração de terras raras no estado tem um vício de inconstitucionalidade e"não se sustenta".
O acordo também é alvo de umaação no Supremo Tribunal Federal (STF). O partido Rede Sustentabilidade solicitou à Corte que avalie se a operação fere a Constituição Federal e, caso se confirme, a suspenda.
No final da tarde desta sexta-feira (24), o partido, em conjunto com a deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ), ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). O grupo argumenta que a estruturação da nova empresa precisa ser avaliada porque recursos minerais estratégicos são bens estes pertencentes à União.
Além disso, deputados do PSOL chegaram a protocolar, na última quarta-feira (22), uma representação na Procuradoria-Ge'ral da União (PGR)questionando a legalidade da aquisiçãoda mineradora Serra Verde pela empresa americana USA Rare Earth.
VÍDEOS: últimas notícias de Goiás
Terras raras: após críticas, Serra Verde afirma que não exporta minério bruto de mina em Goiás
Após a negociação com a empresa USA Rare Earth pela venda da mina por US$ 2,8 bilhões, a mineradora foi alvo de críticas. Acordo prevê a combinação das operações das duas companhias para liderar a cadeia produtiva de terras raras.