Superpotência militar: MAPAS mostram as bases dos EUA no Oriente Médio e pelo mundo

Superpotência militar: MAPAS mostram as bases dos EUA no Oriente Médio e pelo mundo
EUA possuem 128 bases militares em 51 países em cinco continentes, que servem para projetar poder, dar apoio a aliados e cercar rivais. Bases militares norte-americanas no Oriente Médio estão em evidência por serem possíveis alvos em uma eventual guerra entre EUA e Irã.
As bases militares norte-americanas noOriente Médioestão no foco da escalada de tensões entreEstados UnidoseIrã. O regime iraniano ameaça atingir essas instalações caso seja atacado, e um conflito entre os países pode estar próximo. Na última sexta (20), Donald Trump confirmou queavalia atacar alvosno Irã.

A maior base dos EUA no Oriente Médio fica no Catar. É a deAl Udeid, que abriga cerca de 10 mil soldados. Outras bases da região, principalmente na Jordânia, têm sido utilizadas para acumular jatos de guerra para um eventual ataque contra o Irã.

Al Udeid, no entanto, é apenas uma peça de uma engrenagem muito mais ampla.Os EUA possuem uma presença militar global e têm aparatos de guerra e tropas em todos os continentes do mundo.

O posicionamento e distribuição dessas instalações militares e tropas têm importância estratégica fundamental para as pretensões geopolíticas dos EUA e servem principalmente para a contenção de seus adversários e projeção de poder militar, segundo Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard .

Nesta reportagem, você vai ver:

Bases dos EUA no Oriente MédioBases dos EUA na Europa e naGroenlândiaBases dos EUA ao redor do mundo

Bases no Oriente Médio

Os EUA possuem 19 bases militares no Oriente Médio, oito delas controladas pelo país e outras 11 com presença de tropas e equipamentos militares, segundo o Congresso norte-americano.

Em janeiro,países da Península Arábica, que tem alguns dos maiores aliados dos EUA no Oriente Médio, proibiram o governo Trump de utilizar seus espaços aéreos e terrestres para lançar um ataque contra o Irã.Foi o caso da Arábia Saudita, da Jordânia, e dos Emirados Árabes Unidos.

Esses países temem que uma agressão militar norte-americana leve à uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio. Afinal, o Irã prometeu que retaliar qualquer ataque e bombardear bases aéreas dos EUA na região.

A tensão crescente colocou asbases americanas no Oriente Médio de prontidãopara um possível ataque iraniano.

Contexto: AAl Udeidfoiatacada em 2025 pelo Irãem retaliação a bombardeios dos EUA contra instalações nucleares. Em janeiro deste ano, a base entrou em alerta máximo e evacuou parte do pessoal. No início de fevereiro, o Exército norte-americanoposicionou baterias móveis de defesa aérea Patriotno local.

Bases na Europa e naGroenlândia

Os EUA possuem 50 bases militares na Europa, 31 delas controladas pelo país e outras 19 com presença de tropas e equipamentos militares, segundo o Congresso norte-americano.

Confira a quantidade por país:

➡️ Entenda: a Groenlândia está geograficamente situada na América do Norte, mas possui laços históricos e políticos profundos com a Europa, por ser um território autônomo da Dinamarca.

Quando Trump intensificou sua investida para anexar a Groenlândia aos EUA, países europeus membros daOtanconsideraram questionar a presença militar norte-americana em bases espalhadas pelo continente.

O debate, no entanto, não avançou por ser considerado uma medida extrema. Isso porque a presença de tropas dos EUA nessas bases é regulamentada por tratados bilaterais, disse aog1o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin.

Além disso, a parceria é estratégica e benéfica tanto para a Europa quanto para os EUA. Afinal,Washington mantém cerca de 100 ogivas nucleares espalhadas pelo continente como dissuasão contra ameaças da Rússia.

Falando na Rússia,os EUA aumentaram sua presença militar na Europa a partir de 2022, por conta do início da guerra da Ucrânia.Posicionaram ou estenderam a permanência de mais de 20 mil tropas e "incrementaram capacidades aéreas, terrestres, marítimas, cibernéticas e espaciais", segundo o Congresso dos EUA.

Já abase militar dos EUA em Nuuk, na Groenlândia, mantém cerca de 130 soldados. Pelo acordo firmado em 1951 com a Dinamarca — que mantém a soberania sobre a ilha — Washington pode mobilizar no local o contingente que considerar necessário.

Bases e tropas pelo mundo

Os EUA são uma superpotência militar mundial e possuem a maior rede de bases militares estrangeiras, segundo institutos especializados em estudos militares.

São 128 bases militares em 51 países(veja no mapa acima). Segundo o Congresso dos EUA, as principais razões estratégicas para manter bases pelo mundo são:

O país gastam mais de US$ 70 bilhões (R$ 364 bilhões) por ano para manter suas instalações militares no exterior, segundo dados de outubro de 2025. São 230 mil militares, entre tropas da ativa e civis funcionários do Departamento de Guerra e membros da Guarda Nacional, posicionados entre essas instalações. Desses, cerca de 170 mil são tropas da ativa.

Veja no gráfico abaixo os 10 países que abrigam o maior número de tropas dos EUA.

Soldados norte-americanos estão presentes em centenas de outras instalações militares, que variam em tamanho e função. Um estudo da University of California Press de 2020 mapeou as cerca de 800 instalações militares dos EUA pelo mundo.

É possível que a atual configuração das forças norte-americanas sofra alteraçõesnos próximos anos por conta de iniciativas próprias da Casa Branca de Trump, como umaumento do foco no Hemisfério Ocidental e na América Latina. Mesmo assim, atualmente, uma grande mudança parece improvável, segundo o professor Vitelio Brustolin.

"Os novos documentos estratégicos dos EUA deixam claro que a segurança das Américas como parte central da segurança nacional direta e prioritária para os EUA, diferentemente de Ásia e Europa, onde o foco é secundário. Mas isso não significa necessariamente os EUA busquem novas bases militares na América Latina", afirmou Brustolin.

Segundo o professor, os Estados Unidos não precisam construir novas bases militares na América Latina porque já é possível projetar poder a partir de seu próprio território, como comprovado durante a campanha de pressão contra o ditador venezuelano deposto Nicolás Maduro.

No hemisfério ocidental, o objetivo dos EUA é expulsar a influência de Rússia e China, segundo Brustolin, e "não necessariamente com a colocação de mais bases, mas buscando fazer com que os países da região se submetam aos Estados Unidos, seja de forma amigável ou não"

O Congresso dos EUA menciona "Natal-Fortaleza" como "instalações fora dos principais palcos de guerra", porém não dá detalhes.