Sobe para mais de 3.400 número de mortos em protestos no Irã, diz ONG

Sobe para mais de 3.400 número de mortos em protestos no Irã, diz ONG
ONG norueguesa Direitos Humanos no Irã monitora a situação dos protestos contra o regime Khamenei, que já duram mais de duas semanas e têm denúncias de massacre. Presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu intervir no Irã em caso de morte de manifestantes.
O número de mortos nos protestos contra o regime Khamenei noIrãsubiu paramais de 3.400 pessoas, segundo atualização desta quarta-feira (14) de uma ONG de direitos humanos que acompanha a situação no país.

O novo balanço dos protestos noIrã, que escalaram em dimensão e violência nos últimos dias e já ocorrem por todo o país, foi divulgado pela ONG Direitos Humanos noIrã(IHR, na sigla em inglês), baseada na Noruega, mas que monitora os protestos por meio de fontes dentro do território iraniano.

Segundo a ONG, o total de mortos apurado até o momento é de pelo menos 3.428 pessoas, sendo 3.379 manifestantes. O balanço foi obtido pela organização por meio de fontes no Ministério da Saúde iraniano e se refere ao dias 8 a 12 de janeiro, apenas.

O número real de mortes, no entanto, deve ser ainda maior, segundo ONGs, porém a apuração está sendo dificultada por conta de um bloqueio à internet noIrãimposto pelo regime Khamenei.

Diversos relatos de testemunhas veiculados por ONGs, agências de notícias e pela imprensa internacional descreveram aviolência adotada pelas forças de segurança iranianas e falam que ummassacre e execuções extrajudiciaisestariam ocorrendo no país.Além dos mortos, mais de 18 mil manifestantes foram presos pelo regime Khamenei, segundo a ONG norte-americana HRANA, que também monitora a situação.

Trump ameaça intervir militarmente no Irãpor conta das mortes de manifestantes pelas forças de segurança de Khamenei, e disse na terça-feira que "a ajuda está a caminho". Atualmente, ele avalia opções militares contra o país e a mídia dos EUA acredita que um ataque aoIrãé iminente.Em resposta, Teerã denunciou os EUA à ONUe acusou Washington de forjar um pretexto para buscar uma mudança de regime no país.

O Irã afirmou nesta quarta que atacará bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja bombardeadoe já avisou os países vizinhos sobre a decisão, afirmou um oficial iraniano de alto escalão à agência de notícias Reuters. Já osEUA começaram a evacuar soldados de algumas de suas principais bases militares no Oriente Médio, segundo a Reuters.

Um manifestante deve ser executado no Irã nesta quarta-feira, segundo a IHR.Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso durante um protesto no início da semana, e especialistas acreditam que sua rápida execução será utilizada como uma mensagem do regime contra os manifestantes. Trump disse que oIrã"pagará um preço muito alto" caso execute manifestantes.

Mesmo assim, o governo iraniano indicou que estaria disposto a realizar mais execuções, porque o Judiciário afirmou nesta quarta que priorizará "rápidos julgamentos" dos presos nos protestos —que ONGs afirmam ultrapassar os 18 mil.

Trump avalia ataque aoIrã

O presidente dos EUA,Donald Trump, dirigiu-se diretamente aos manifestantes antirregime doIrãna terça-feira (13), pedindo para que eles guardassem os nomes "dos assassinos e dos que estão maltratando vocês".

"E, aliás, a todos os patriotas iranianos, continuem protestando, tomem as instituições se vocês puderem, e guardem os nomes dos assassinos e dos que estão maltratando vocês", disse Trump, durante um discurso em Detroit. "Eles vão pagar um preço muito alto", concluiu o presidente, que disse que "uma morte [de manifestante] já é demais".

Foi a segunda vez no dia em que ele mandou umamensagem aos iranianos que estão nas ruas contra a ditadura liderada pelo aiatolá Ali Khamenei. Mais cedo, ele pediu que eles seguissem protestando e afirmou que a "ajuda" dos EUA "está a caminho".

"Patriotas iranianos, continuem protestando. Derrubem suas instituições. (...) A ajuda está a caminho", declarou.

Foi aprimeira mensagem direta aos manifestantes feita pelo presidente norte-americano, que vem ameaçando intervir no país do Oriente Médio caso as repressões aos protestos sigam sendo feitas de forma violenta.

Pouco depois, ao ser indagado por uma repórter sobreo o que ele quis dizer com "ajuda", Trump respondeu: "Você vai ter que adivinhar depois, me desculpe".

Trump também voltou a utilizar o slogan MIGA, em referência a seu lema "Make America Great Again" (MAGA), só que trocando os EUA peloIrã.

Trump vem dizendo que pode voltar a fazer ataques diretos ao território iraniano como represália, retomando uma escalada de tensões entre os dois países.O presidente norte-americanoreceberá nesta terça-feira de sua equipe um relatório de possíveis ações militaresque ele pode tomar contra oIrã.

Questionado nesta terça sobre se fará ataques aoIrã, o presidente norte-americano respondeu: "Vocês terão que descobrir".

Nesta terça, uma fonte do governo iraniano disse à agência de notícias Reuters quecerca de 2.000 pessoas já morreramnos protestos. O país está isolado do mundo após o regime Khamenei ter cortado a internet.Moradores do país relataram que forças de segurança estão atirandodiretamente contra os manifestantes.

➡️ As manifestações noIrãevoluíram queixas sobre a crise econômica do país para pedidos de queda da chamada República Islâmica, ou o regime dos aiatolás, que governam oIrãdesde 1979.

Regime 'nos últimos dias'

Também nesta terça, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, disse achar queo regime dos aiatolás, que governam o Irã, está em seus "últimos dias e semanas".

"Presumo que agora estejamos testemunhando os últimos dias e semanas desse regime".

Em visita à Índia, Merz disse ainda que a repressão violenta por parte das forças de segurança a manifestantes no país mostram a perda de confiança do regime dos aiatolás."Quando um regime só consegue manter o poder por meio da violência, então ele está efetivamente no fim. A população agora está se levantando contra esse regime".

Merz afirmou também que a Alemanha está em contato próximo com osEstados Unidose governos europeus sobre a situação noIrã, e pediu a Teerã que acabe com a repressão mortal aos manifestantes.

Ele não comentou, no entanto, sobre os laços comerciais da Alemanha com oIrã—o governo alemão é o parceiro comercial mais importante doIrãdentro da União Europeia.

Essa relação, no entanto, vem diminuindo. As exportações alemãs para oIrãcaíram 25% nos primeiros 11 meses, representando menos de 0,1% do total das exportações alemãs, de acordo com dados do escritório federal de estatísticas vistos pela Reuters nesta terça.

O presidente dos EUA,Donald Trump, disse na segunda-feira (12) quequalquer país que fizer negócios com o Irã enfrentará uma tarifa de 25% sobre o comércio com os EUA.