Sob nova direção, Apple manterá prestígio na era da inteligência artificial?

Sob nova direção, Apple manterá prestígio na era da inteligência artificial?
Novo CEO da Apple, John Ternus tem como principal missão corrigir a estratégia de inteligência artificial da empresa e preservar sua posição de liderança no setor de tecnologia.
Em 1º de setembro, começa uma nova era naApple,com John Ternus se tornando o terceiro homem a ocupar o cargo de CEOda gigante da tecnologia desde 1997.

Ternus foi anunciado como sucessor deTim Cook em abril, encerrando os 15 anos de Cook à frente de uma das maiores empresas do mundo.

Desde então, Ternus, um dos principais engenheiros de hardware da empresa, tem trabalhado em estreita colaboração com Cook na preparação para o grande cargo.

Assim como Cook quando assumiu o lugar do icônico Steve Jobs, Ternus tem uma grande responsabilidade.O preço das ações daAppleaumentou mais de2 mil%desde que Cook assumiu o cargo em 2011, e a empresa vendeu mais de3,1 bilhões de iPhonesnesse período.

Ternus enfrenta uma série de desafios na empresa, mas sua capacidade de mantê-la no topo dependerá de como ele reformulará sua estratégia de inteligência artificial (IA).

AAppletem lutado para adotar com sucesso a tecnologia até agora, com críticos dizendo que ela ficou muito atrás de seus rivais.

Ternus faz sua estreia pública

O novo CEO fará sua estreia pública no evento de lançamento de produtos de outono daAppleem 9 de setembro, intitulado "Surpresa e brilho".

Ternus deverá anunciar o primeiro iPhone dobrável da empresa, bem como uma nova versão da Siri, a assistente virtual daApple, com inteligência artificial.

Francisco Jeronimo, vice-presidente de Dados e Análises do grupo de pesquisa de tecnologia IDC, afirmou que os próximos anúncios daAppleforam planejados durante o período de Cook no comando e que o direcionamento que Ternus deseja dar à empresa se tornará aparente somente em 2027.

"É claro que o 9 de setembro será um marco muito importante para a empresa em relação a dispositivos dobráveis e inovação", afirma. "Mas não acho que tenhamos visto nada que indique que aAppleesteja se comportando de maneira diferente ou adotando uma estratégia diferente pelo fato de Tim Cook não estar mais no cargo – ainda."

O enorme desafio da IA para aApple

Observadores estarão atentos no discurso de Ternus em 9 de setembro à extensão em que ele focará seus comentários em IA.

Embora já fosse inegável quando ele anunciou em abril que o boom da inteligência artificial seria crucial durante seu tempo à frente daApple, ficou ainda mais evidente nos cinco meses seguintes que a revolução da IA veio para ficar.

"Está ficando claro que a IA não é uma moda passageira, não é algo que desaparecerá nos próximos dois ou três anos", diz Jeronimo. "É algo que ditará o futuro da maioria das empresas de tecnologia e, de fato, de todas as empresas."

Ele acredita que a IA pode ser "a tecnologia mais importante" para aApple, porque pode tanto ajudá-la a manter sua posição de destaque quanto criar uma série de desafios assustadores.

Para o especialista, o maior desafio é que aApplenão controla a infraestrutura de IA da mesma forma que antes, em termos de projetar e controlar tanto o hardware quanto o software de seus principais produtos.

"Talvez seja isso que John Ternus fará de diferente de Tim Cook, porque, no momento, mesmo que aAppledesenvolva sua própria tecnologia de IA, a realidade é que ela ainda depende de terceiros", pontua.

Risco de perder relevância

A dependência daAppleem relação a outras empresas no campo da IA a levou a um território desconhecido. Ela fechou um acordo com a OpenAI em 2024 para integrar o ChatGPT ao iPhone, mas isso gerou uma disputa acirrada entre as empresas.

AAppleprocessou a OpenAI no início deste ano, acusando-a de roubar seus segredos comerciais.

No início deste ano, aAppleanunciou um acordo com o Google, pelo qual os modelos de IA da Gemini seriam usados para os próprios modelos daApplee para sua nova versão da Siri com inteligência artificial.

"O risco para aAppleé se tornar menos relevante em um mundo onde empresas como a OpenAI e a Anthropic lideram em termos de tecnologia, reconhecimento, serviços e, potencialmente, hardware", afirma Jeronimo.

Por décadas, o sucesso daApplefoi construído sobre seus produtos físicos, do iPad ao iPhone. "Se aparelhos da OpenAI se tornarem disponíveis, isso poderá ser muito, muito arriscado para aApple.

Eles poderiam revolucionar completamente a experiência e a forma como interagimos com a tecnologia. E se aApplenão estiver na vanguarda dessa inovação, isso representa um grande risco", avalia.

Uma combinação de Jobs e Cook?

A experiência de Ternus como engenheiro, tendo trabalhado nos principais produtos daApple, bem como em inovações como oAppleWatch e os AirPods, significa que se espera que ele lidere o desenvolvimento de novos produtos com inteligência artificial para a empresa.

Ele também desempenhou um papel fundamental na defesa da mudança daApplepara o design de seus próprios chips, em vez de depender de fornecedores externos como a Intel – exatamente o tipo de independência que aApplegostaria de alcançar em relação à IA.

Jeronimo acredita que aAppleainda tem grandes vantagens, dado o seu enorme volume de usuários, bem como a cultura da empresa de ter dominado a inovação em tecnologia por décadas.

Ele acha que, se aAppleconseguir dominar a IA sob a liderança de Ternus, isso poderá levar a um enorme sucesso. "O que veremos nos próximos anos ditará se aAppleestá no caminho certo ou se está realmente enfrentando dificuldades."

Para Ternus, a primeira tarefa será simplesmente se encaixar de forma suave e convincente em um papel que tanto Jobs quanto Cook inegavelmente tomaram como seu.

"Steve Jobs era o guru da inovação e da disrupção, e Tim Cook era o guru da execução", diz Jeronimo. "Acho que John Ternus pode ser uma combinação dos dois."