Síndico se torna réu por homicídio qualificado de corretora de Caldas Novas

Síndico se torna réu por homicídio qualificado de corretora de Caldas Novas
A juíza Vaneska Baruki converteu a prisão de Cleber de temporária a preventiva. Ele responderá a três qualificadoras: crime praticado por motivo torpe, de forma cruel e mediante emboscada.
O síndico Cleber Rosa se tornou réu por homicídio qualificado decorretora de imóveis Daiane Alves. A decisão partiu da 1ª Vara Criminal deCaldas Novas, no sul de Goiás. A juíza Vaneska Baruki converteu a prisão de Cleber de temporária a preventiva. Ele responderá a três qualificadoras que podem aumentar a pena: crime praticado pormotivo torpe, de forma cruel e mediante emboscada.

Para a juíza, as provas são claras e coerentes, e demonstram que o comportamento de Cleber foi“revelador de brutalidade contrastante com o mais elementar sentimento de piedade”. A investigação da Polícia Civil apontou que o síndico matou acorretora porque ela conseguiu o direito de usar as áreas comuns do prédioe a trabalhar no condomínio.

Og1tentou contato com a defesa do síndico pedindo um posicionamento, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

Daiane Alves Souza de Oliveira foimorta no dia 17 de dezembro de 2025, quando desceu ao subsolo do prédio onde morava para verificar uma queda de energia. Cerca de 40 dias depois, a polícia prendeu o síndico, que confessou o crime. Segundo a polícia, o crime foi premeditado e incluiu uma emboscada armada pelo síndico do condomínio.

De acordo com a Polícia Científica, uma dasbalas ficou alojada na cabeça e outra saiu pelo olho esquerdo. A arma usada no crime é uma pistola .380 semiautomática. Os disparos foram dados na região da mandíbula. Um vídeo gravado pela corretora mostra o momento em que ela desce ao subsolo e é surpreendida com uma pancada na cabeça.

A corretora de imóveis é natural de Uberlândia (MG), mas morava em Caldas Novas há dois anos para administrar as locações de apartamentos da família. Naquela noite, um dos imóveis ficou sem energia e Daiane desceu até o subsolo, onde ficam os quadros de luz, para entender o que havia acontecido.

Antes de desaparecer, a corretora enviou para uma amiga umvídeo descendo no elevador. O vídeo recuperado pela polícia contém as imagens que ela estava gravando no momento em que saiu do elevador, no subsolo do prédio(veja abaixo).

Boletins de ocorrência

Segundo a investigação, o síndico e a corretora tinham umhistórico de conflitos que envolviam ameaças e perseguições. A primeira comunicação formal feita por Daiane à Polícia Civil ocorreu em 29 de dezembro de 2024. Na ocasião, ela relatou que vinha sofrendo ameaças por parte de Cleber.

A partir desse registro, outros boletins de ocorrência foram apresentados, envolvendo denúncias de ameaça, perseguição, lesão corporal, violação de domicílio, constrangimento ilegal, difamação e injúria, entre outros crimes. O último comunicado foi feito em 16 de dezembro de 2025, um dia antes do crime, quando a vítimainformou que três dos sete apartamentosde sua propriedade estavam com a energia elétrica cortada ou desligada no padrão.

Antes disso, diante de episódios de perseguição e constrangimento, Daiane acionou a Justiça contra o condomínio do Golden Thermas Residence – Bloco Amethyst Tower. Ela pediu o reconhecimento de abuso por parte da administração condominial e a reversão da proibição que a impedia de atuar como corretora nas dependências do prédio.

A Justiça decidiu favoravelmente a Daiane, reconhecendo o direito dela de circular pelo condomínio, exercer suas atividades profissionais e utilizar as áreas comuns do edifício. O processo foi definitivamente encerrado em 10 de dezembro de 2025,apenas sete dias antes do desaparecimento da vítima.

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