Rússia acusa Finlândia de escalar tensões por considerar hospedar armas nucleares

Rússia acusa Finlândia de escalar tensões por considerar hospedar armas nucleares
Protesto russo ocorre após governo finlandês anunciar que propôs ao parlamento a suspenção de uma lei que proíbe o país receber armamentos do tipo. Movimento ocorre em meio a escalada de tensões entre a Rússia e o Ocidente.
A Rússia acusou a Finlândia nesta sexta-feira (6) de escalar tensões por conta de planos do país nórdico para suspender uma proibição de hospedar armas nucleares. Em tom de ameaça, o Kremlin disse que "tomará medidas apropriadas" caso isso se torne realidade.

A ameaça ocorreu após o governo finlandês ter anunciado na quinta-feira queplaneja suspender uma proibição de longa data à presença de armas nucleares em seu território, em um movimento que pode abrir caminho para o país voltar a sediar os armamentos em tempos de guerra.(Leia mais abaixo)

“Esta é uma declaração que leva a uma escalada de tensões no continente europeu. (...) A fala aumenta a vulnerabilidade da Finlândia, uma vulnerabilidade provocada pelas ações das autoridades finlandesas. O fato é que, ao implantar armas nucleares em seu território, a Finlândia começa a nos ameaçar. E se a Finlândia nos ameaça, tomamos medidas apropriadas", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov em coletiva de imprensa.

Peskov não deu mais detalhes, no entanto, de quais medidas o governo russo adotaria caso a Finlândia prossiga com seus planos.

A Finlândia divide uma longa fronteira com a Rússia, de cerca de 1.340 km, e manteve uma posição neutra durante a Guerra Fria, no entanto, entrou para a Otan em 2023 em resposta à invasão russa na Ucrânia.O país assinou em 2024 um pacto de defesa com os Estados Unidos, permitindo que os norte-americanos utilizem 15 instalações e zonas militares finlandesas.

Os vizinhos Suécia, Dinamarca e Noruega têm políticas de longa data contra armas nucleares em seus territórios em tempos de paz, mas não possuem entraves legais que proíbam a posse dos armamentos durante tempos de guerra.

As ações da Rússia na Ucrânia e as ações imprevisíveis do presidente dos EUA, Donald Trump —especialmente sua declarada intenção de anexar a Groenlândia— levaram governos europeus a repensar sua segurança, incluindo o papel das armas nucleares. Outro fator que acrescenta incerteza ao panorama da segurança internacional é ovencimento do último tratado de controle de armas nucleares entre EUA e Rússia, o New START, no início de fevereiro.

No embalo dessa tendência,a França anunciou nesta semana uma expansão de seu arsenal nucleare a produção de mísseis de longo alcance em parceria com Alemanha e Reino Unido. “Para sermos livres, temos que ser temidos”, disse o presidente francês Emmanuel Macron.

Finlândia considera hospedar armas nucleares

A Finlândia planeja suspender uma proibição de longa data sobre a presença de armas nucleares em seu território, disse o governo na quinta-feira, alinhando-se aos vizinhos nórdicos em um movimento que pode abrir caminho para a implantação de bombas atômicas em solo finlandês em tempos de guerra.

“A emenda é necessária para permitir a defesa militar da Finlândia como parte da aliança e para aproveitar plenamente a dissuasão e a defesa coletiva da Otan”, disse o ministro da Defesa finlandês, Antti Hakkanen, em entrevista coletiva.

A Lei de Energia Nuclear da Finlândia, aprovada em 1987, proíbe a importação, fabricação, posse e detonação de explosivos nucleares em seu território, algo visto por alguns finlandeses como uma cláusula que beneficiaria apenas a Rússia caso houvesse uma guerra.

A mudança proposta seguirá agora para o parlamento, onde o governo de coalizão de direita possui maioria.