Roteirista iraniano indicado ao Oscar por 'Foi Apenas um Acidente' é preso em Teerã

Roteirista iraniano indicado ao Oscar por 'Foi Apenas um Acidente' é preso em Teerã
Mehdi Mahmoudian foi detido no sábado (31). Ele e outras 16 pessoas assinarem uma declaração condenando o aiatolá Ali Khamenei e a repressão violenta do regime contra manifestantes no país.
Um dos roteiristas indicados aoOscarpelo drama iraniano"Foi Apenas um Acidente"foi preso emTeerãneste sábado (31), a poucas semanas da cerimônia de premiação mais famosa do cinema mundial.

Representantes do filme confirmaram neste domingo (1º) a prisão deMehdi Mahmoudian. Ainda não há detalhes sobre as acusações contra ele.

A detenção ocorreu poucos dias depois de Mahmoudian e outras 16 pessoas assinarem uma declaração condenando o aiatoláAli Khameneie a repressão violenta do regime contra manifestantes.

🔎O país vive uma onda de grandes manifestações contra o regime do aiatolá e a crise econômica. Os atos foram reprimidos por forças de segurança locais;segundo cálculos de ONG, mais de 6 mil pessoas foram mortas.

Jafar Panahi, diretor premiado do longa, divulgou um comunicado condenando a prisão de seu coautor: “Mehdi Mahmoudian não é apenas um ativista de direitos humanos e um prisioneiro de consciência; ele é uma testemunha, um ouvinte e uma rara presença moral — uma presença cuja ausência é sentida imediatamente, tanto dentro dos muros da prisão quanto fora deles”.

Panahi também foi um dos signatários da declaração. O texto diz: “O assassinato em massa e sistemático de cidadãos que corajosamente foram às ruas para pôr fim a um regime ilegítimo constitui um crime de Estado organizado contra a humanidade”.

"Foi Apenas um Acidente" concorre aos prêmios de melhor roteiro e melhor filme internacional no Oscar, marcado para 15 de março. O roteiro também é assinado por Nader Saeiver e Shadhmer Rastin.

O longa foi inspirado no período mais recente de Panahi na prisão. Foi lá que ele conheceu Mahmoudian. Panahi o chamou de “um pilar” para os outros detentos.

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, em maio do ano passado, o longa conta a história de um grupo de antigos prisioneiros do regime iraniano quese junta para descobrir se um desconhecido é, afinal, o agente que os torturou no passado.

Panahi dirigiu filmes sob diferentes condições de prisão, incluindo sob prisão domiciliar e proibição de viajar.

No ano passado, Panahi voltou a ser condenado a um ano de prisão e recebeu uma proibição de dois anos para deixar o Irã, após ser condenado por "atividades de propaganda contra o sistema". O diretor tem viajado internacionalmente para divulgar o filme, e afirmou que retornará ao Irã apesar da sentença.