Raúl Castro, irmão de Fidel Castro e ex-presidente deCuba, foi acusado de uma série de crimes pelosEstados Unidosnesta quarta-feira (20). O movimento é mais um entre os esforços do governo deDonald Trumppara aumentar a pressão contra a ilha.
▶️ Contexto:O governo dos EUA acusou Castro de terplanejado e executado uma operação militar para derrubar duas aeronavesda organização de exilados Irmãos ao Resgate, em 1996. À época, ele era ministro da Defesa de Cuba.
Cuba sempre esteve no radar de Donald Trump. No entanto, a pressão sobre a ilha aumentou após a captura de Maduro, em 3 de janeiro.
Depois de os EUA lançarem a operação contra a Venezuela, a Casa Branca passou a interferir diretamente no governo de Caracas. Uma das medidas foi bloquear o envio de petróleo para Cuba, o que causou uma grave crise energética na ilha.
Desde fevereiro,Cuba vem enfrentando apagões constantes, já que depende principalmente de usinas termoelétricas movidas a combustíveis fósseis. Estratégias de racionamento chegaram a ser adotadas,mas as reservas se esgotaram neste mês, segundo o governo cubano.
Enquanto a crise em Cuba se agravava, a pressão dos Estados Unidos aumentava. O próprio presidente norte-americano fez uma série de declarações indicando que estaria disposto a tomar a ilha.
Além das declarações, os EUA também adotaram medidas militares na prática. Nos últimos meses, agências norte-americanas intensificaram voos de vigilância em áreas próximas a Cuba. A movimentação inclui aeronaves e drones.
No dia 14 de maio,o diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com autoridades cubanas em Havana. A CIA disse ter transmitido uma mensagem de Trump de que os Estados Unidos estariam dispostos a discutir temas econômicos e de segurança caso Cuba faça “mudanças fundamentais”.
Já nesta segunda-feira, no mesmo dia em que Raúl Castro foi indiciado por autoridades americanas, os Estados Unidos fizeram uma série de anúncios sobre a ilha.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou o indiciamento de Raúl Castro como uma ação política sem base jurídica. Dias antes, ele afirmou que a ilha tinha o direito de se defender de uma ofensiva bélica e que uma intervenção militar na regiãoprovocaria um “banho de sangue”.
Com a crise se agravando, Havana se viuforçada a iniciar negociações com os Estados Unidos. O presidente Miguel Díaz-Canel anunciou o início das conversas em um pronunciamento na TV, no dia 13 de março.
As conversas continuaram nas últimas semanas e estariam sendo conduzidas sob coordenação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Filho de imigrantes cubanos, Rubio cresceu politicamente com apoio de exilados cubanos nos EUA edefende a queda do regime comunistana ilha. Segundo a imprensa americana, assessores dele estão em contato com autoridades cubanas para discutir possíveis termos de negociação.
Em fevereiro, o site norte-americano Axios afirmou que o próprio secretário mantinha conversas secretas comRaúl Guillermo Rodríguez Castroà margem do governo cubano.
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