Em 2026, o dinheiro estrangeiro voltou com força à bolsa brasileira. Apenas nos dois primeiros meses do ano,o saldo de recursos vindos do exterior na B3 chegou a R$ 42,56 bilhões, o terceiro maior volume para o período na última década, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
Esse fluxo ajudou a impulsionar oIbovespa, principal índice da bolsa,que atingiu recorde histórico e superou pela primeira vez os 190 mil pontos.
A escalada da guerra no Oriente Médio,após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado, voltou a trazer incerteza aos investidores. Desde o início do conflito, a bolsa acumula queda de 5% e voltou a ficar abaixo dos 180 mil pontos.
Se antes os investidores estavam mais dispostos a correr riscos, em momentos de tensão internacional ocorre o movimento inverso, conhecido como “flight to quality”: investidores deixam as bolsas de valores e passam a preferir aplicações consideradas mais seguras, como dólar e ouro.
Diante desse cenário, é possível dizer que a fase de forte valorização da bolsa brasileira chegou ao fim?Para especialistas ouvidos pelog1, a entrada de capital estrangeiro ainda pode continuar ao longo de 2026, mas o ritmo deve depender do cenário internacional.
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Por que o estrangeiro voltou à bolsa brasileira?
Alguns fatores ajudam a explicar o retorno do capital estrangeiro ao mercado brasileiro.
Recorde na bolsa brasileira
A forte entrada de capital estrangeiro no mercado de ações brasileiro teve impacto direto na bolsa. Em janeiro, o Ibovespa registrou entrada deR$ 26,4 bilhões, o maior valor desde fevereiro de 2022.
Com os R$ 16,9 bilhões registrados em fevereiro, o total de recursos externos em 2026 chegou aR$ 42,56 bilhões, bem acima dos R$ 26,87 bilhões do mesmo período do ano passado.
Apesar da desaceleração no mês passado, é o terceiro maior volume para os dois primeiros meses do ano na última década.
O recorde ainda pertence a 2022, quando o investimento estrangeiro na bolsa brasileira somouR$ 119,7 bilhões.
Esse movimento é o principal responsável por impulsionar os preços das ações brasileiras. Com isso, o Ibovespa bateu recordeoito vezes em janeiroeoutras cinco em fevereiro, totalizando 13 máximas em 2026, contra 32 ao longo de todo o ano passado.
Acabou o rali do Ibovespa?
Apesar da ampliação do conflito no Oriente Médio, especialistas avaliam que o investimento estrangeiro na bolsa brasileira ainda deve continuar ao longo de 2026, embora o volume dos aportes possa variar de acordo com o cenário internacional.
Segundo Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, fatores estruturais ainda favorecem o Brasil. Entre eles estão a perspectiva dequeda dos jurosno país,ações baratas em dólare orisco crescente nas bolsas dos EUA, que já operam em níveis elevados de preços com a valorização das ações de tecnologia.
“Se a guerra se intensificar durante o mês de março, é provável que o fluxo diminua um pouco. Mas não deve zerar, muito menos se transformar em saída de capital da bolsa brasileira. Esse movimento pode voltar a acelerar assim que o conflito terminar”, diz.
Para o investidor, eventuais quedas da bolsa podem abrir oportunidades de compra, avalia o gestor. Na visão dele, o Ibovespa ainda tem potencial para voltar a subir e testar a marca de200 mil pontosno médio prazo.
Já Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, alerta que o cenário internacional pode reduzir o fôlego do mercado no curto prazo, principalmente se ganhar força o movimento global de busca por ativos considerados mais seguros.
“Existe o risco de perda de força do índice se prevalecer um movimento global de ‘flight to quality’, com migração para ativos de refúgio, como dólar e ouro, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio”, afirma.
Segundo ele, o aumento das tensões deixa os investidores mais cautelosos. Em momentos de conflito, é comum que as bolsas ao redor do mundo sofram pressão, enquanto o preço do petróleo sobe e ativos considerados mais seguros ganham valor.
Nesse cenário, Belitardo avalia que o Ibovespa pode perder força no curto prazo. Se a busca por segurança aumentar, investidores tendem a retirar recursos de mercados mais arriscados — como ações e países emergentes — e direcioná-los para aplicações consideradas mais seguras, como dólar e ouro.
Rali da bolsa chegou ao fim? Ibovespa sobe com dinheiro estrangeiro, mas guerra ameaça o bom momento
O investimento estrangeiro na B3 já soma R$ 42,56 bilhões e impulsionou a bolsa uma sequência de recordes em 2026. Mas o cenário de tensão leva investidores a reduzir riscos e pode interromper a sequência de altas.