Apesar darecusa em disputar o Miss Brasil, Selva Rios Sócrates Vasconcellos, considerada uma das mulheres mais bonitas deGoiâniana década de 1960, conquistou diversos títulos na capital, todos concedidos por aclamação, segundo a família.
Nascida na capital goiana em 28 de dezembro de 1944, a jovem era pauta frequente das colunas sociais dos jornais goianos, principalmente pela sua beleza, que chamava a atenção, e elegância.
O jornalista João Guimarães afirmou que Selva tinha "incomparável formosura e êxito sem par nos círculos sociais e intelectuais de Goiânia". A publicação aconteceu pouco depois de ela ter recebido o título de "Miss Imprensa".
Em entrevista aog1, Sílvia Sócrates Vasconcellos, conhecida como Silvinha, caçula e única filha mulher de Selva, atribui a admiração à beleza da mãe ao fato de ela ter sido "natural e genuína".
"Ela nunca precisou de excessos, de maquiagem ou de estar produzida para chamar a atenção. Na verdade, com seu jeito tímido e discreto, ela jamais seria capaz de fazer algo para estar em evidência propositalmente", avalia.
A recusa em ser Miss
Tanto em 1961 quanto em 1964, Selva foi indicada pelo Jóquei Clube de Goiás ao “Miss Universo-Miss Brasil”. Nas duas vezes, ela se recusou a participar das disputas.
Segundo Silvinha, em um desses anos, o “Minas Brasília Tênis Clube” aderiu à indicação do Jóquei e garantiu a ela pelo menos o terceiro lugar no “Miss Brasil” se aceitasse se candidatar como “Miss Distrito Federal”. Também não quis.
Para a caçula, que é a única filha mulher, talvez esse tenha sido o diferencial de Selva, de nunca ter que fazer da própria beleza um espetáculo.
"Ela simplesmente era e é linda. Daquelas pessoas cuja presença ilumina o ambiente de forma discreta, natural e inesquecível", afirmou.
Silvinha também afirma que que a mãe sempre foi muito tímida e nunca se imaginou desfilando, expondo-se ou ocupando um lugar em que sua aparência estivesse sendo julgada e comparada à de outras mulheres.
"Mas acredito que havia algo ainda mais profundo: ela nunca se enxergou como alguém que tivesse 'algo a mais' do que as outras pessoas simplesmente por ser bonita. Ao contrário, ela sempre teve uma capacidade muito bonita de reconhecer e admirar a beleza nos outros", disse.
Primo de terceiro grau de Selva, o pesquisador independente e escritor Yuri Baiocchi conta que sempre houve mulheres muito bonitas na família, mas Selva foi a que mais se sobressaiu.
"O jornalista João Guimarães, que durante décadas registrou a vida social goiana, chegou a defini-la como 'uma beleza urbana', expressão que ajuda a compreender o fascínio que despertava numa Goiânia ainda muito jovem e em formação", afirmou.
Para escrever sobre a prima, Yuri se debruçou sobre um vasto material, incluindo jornais, fotografias, cartas e recortes. Segundo Yuri, Selva jamais se entusiasmou com as propostas para ser miss. O pesquisador conta que ela dizia, inclusive, que não tinha altura suficiente.
"Também é preciso considerar o contexto da época: nas décadas de 1950 e 1960, muitas famílias tradicionais ainda viam os concursos de beleza com alguma reserva", pondera.
Silvinha conta que a mãe queria estudar arquitetura e trabalhou desde nova, tendo sido aprovada em um concurso do antigo Banco do Estado de Goiás, em 1964, quando ela tinha apenas 20 anos. Ficou lá até 1967, quando deixou o trabalho de bancária a pedido do futuro marido.
Em maio de 1968, um ano depois de ter deixado o trabalho no banco, Selva se casou com Luiz Mauro de Sousa Vasconcellos, médico obstetra. A beleza de Selva também foi registrada em fotos pelo próprio marido, que amava fotografia.
Selva e Luiz Mauro tiveram cinco filhos: quatro homens e uma mulher. Segundo a filha, Selva era uma pessoa de hábitos simples, muito família, cheia de iniciativa e amiga de todos, sendo carinhosa e atenciosa com todos ao redor.
"Ela dedicou sua vida a cuidar… se doou, e o faz até hoje, a quem quer que precisasse e a nossa casa sempre foi o lugar mais receptivo do mundo exatamente porque ela acolhe a todos com muito amor e alegria", disse.
Em dezembro de 2015, Selva ficou viúva. A morte de Luiz Mauro foi divulgada pela Unimed Goiânia, da qual ele era cooperado. A nota informou que o médico morreu no dia 8 de dezembro, aos 77 anos, e destacou a sua formação.
Hoje, aos 81 anos, Selva continua dedicada à família. Segundo Silvinha, quando todos se reúnem em casa, para "lanches e almoços deliciosos", as várias histórias vividas junto com a mãe são relembradas com carinho. "Ela é um exemplo de filha, nora, irmã, mãe, amiga, esposa… sem dúvida alguma, eu me sinto muito lisonjeada por ser sua filha e ter tido todos os melhores exemplos que eu poderia ter", afirmou.
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Selva Rios Sócrates Vasconcellos foi considerada uma das mulheres mais bonitas de Goiânia. Filha conta que ela era tímida e discreta e nunca se imaginou desfilando.