'Protesto das baratas': após renúncia de ministro, jovens indianos exigem libertação de manifestantes presos

Revolta popular começou após escândalo em vestibular de medicina na Índia. Ministro da Educação renunciou no fim de semana, em um revés do governo de Narendra Modi diante dos protestos estudantis. Ao menos 70 foram presos.
O Partido Popular das Baratas (CJP), o movimento de jovens indianos cujos protestos levaram à renúncia do ministro da Educação, exigiu nesta segunda-feira (27) que as autoridades libertem todos os manifestantes detidos durante semanas de mobilizações em todo o país.

"Exigimos que todas as pessoas detidas sejam libertadas imediatamente, em qualquer caso até amanhã, e que todas as acusações sejam retiradas", declarou na rede social X um porta-voz do partido, Saurav Das.

"Nossa decisão de suspender os protestos foi tomada unicamente com base nas promessas do governo", acrescentou Das.

A indignação dos estudantes explodiu após as irregularidades que mancharam, em maio, o exame nacional de acesso ao curso de Medicina, que tinha mais dedois milhões de candidatos.A anulação da prova teria provocado o suicídio de quase 20 estudantes, segundo a imprensa indiana.

Além das reivindicações por uma reforma do sistema de ensino, os jovens expressaram preocupações com o desemprego e criticam o que consideram uma guinada autoritária do primeiro-ministroNarendra Modi, que está no poder desde 2014.

Após semanas de mobilizações e de um protesto duramente reprimido pela polícia emNova Déli, os manifestantes conseguiram no sábado arenúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, sua principal exigência. Com isso,os jovens decidiram suspender o movimento.

Segundo o CJP, a polícia efetuou ao menos 70 prisões na capital e em outras regiões do país. O fundador do partido, Abhijeet Dipke, também foi detido, segundo o partido.

O desfecho da crise foi amplamente interpretado como um revés político para Modi, que construiu uma reputação de governante inflexível.

Sob pressão, o primeiro-ministro anunciou no domingo (26) uma profunda reforma do sistema de exames, com o objetivo de torná-lo mais "confiável e transparente". Além disso, o Conselho de Ministros aprovou um projeto de lei para endurecer as sanções contra quem comete fraude nos exames.