Dezenas de profissionais de saúde que trabalham no epicentro do surto de Ebola noCongorealizaram protestos nesta quinta-feira (6) para exigir o pagamento de seus salários.
Segundo os manifestantes, que foram para a frente do gabinete do governador de Bunia, capital da província de Ituri, que concentra quase 90% dos casos de Ebola no país,eles não recebem salários nem bônus pelo trabalho de combate à doença desde que o surto foi declarado em meados de maio.
“Com essa forma de gerir as coisas, o Ebola não vai acabar nesta província. Pedimos às autoridades que se envolvam a todos os níveis para que uma solução seja encontrada rapidamente”, disse Edouige Makosi, um dos profissionais.
A precariedade das condições de vida dos profissionais de saúde na linha de frente tem sido uma das principais preocupações durante o surto, o segundo maior da história, que se desenrola em uma das áreas mais remotas e vulneráveis doCongo.
Além dos problemas com os pagamentos, muitos profissionais e instalações de saúde foram atacados por rebeldes e multidões enfurecidas.
No dia 16 de julho, pacientes com Ebola e profissionais de saúde fugiram de um hospital no leste da República Democrática doCongo(RDC) depois que olocal foi atacado por uma multidão enfurecida.
Surto se espalha "em ritmo alarmante"
No dia 22 de julho, a a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o surto de Ebola, declarado em maio, já matou mais de mil pessoas noCongo, na República Democrática doCongo(RDC) e em Uganda.
Nesta quarta-feira (5), durante visita aoCongo, o diretor-geral daOMS, Tedros Adhanom, instou as autoridades a priorizarem o atendimento e o apoio aos profissionais de saúde que atuam na resposta à crise.
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras afirmou esta semana que o surto ainda está "se espalhando em um ritmo alarmante e sem precedentes" e que a resposta, que vem sendo ampliada com novas medidas, "ainda não está chegando às comunidades com rapidez suficiente para interromper as cadeias de transmissão".
Profissionais de saúde no epicentro do surto de Ebola no Congo protestam contra a falta de pagamento
Grupo afirma que não recebe salários nem bônus pelo trabalho de combate à doença desde que o surto foi declarado em meados de maio.