O presidente do Banco deBrasília(BRB), Nelson Antônio de Souza, se reuniu na tarde desta segunda-feira (27) com o presidente do Banco Central,Gabriel Galípolo.
A pauta do encontro inclui a tentativa do BRB e do governo do Distrito Federal de destravar oempréstimo bilionário de socorro ao Banco de Brasília– e dos balanços da instituição, atrasados desde o fim do ano passado.
No último dia 14, a governadora do DF,Celina Leão, participou de reunião similar com Nelson e Galípolo na sede do BRB. O grupo saiu sem dar entrevistas e, depois, o governo classificou o encontro como uma "reunião técnica".
Até as 16h30, Nelson Antônio de Souza e a diretora-executiva de Controles e Riscos (DICOR) do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa, seguiam na sede do Banco Central.
O BRB entrou em apuros após transações malsucedidas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.A lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhõesfoi sancionada no dia 24 de junho.
Na manhã desta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda,Dario Durigan, em declaração à Rádio Jornal, de Pernambuco, afirmou que"[o banco], basicamente, passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada".
Por que o BRB está em crise?
A atual crise do BRB está ligada àsnegociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaramR$ 30 bilhõessegundo dados do próprio banco.
Em novembro de 2025,a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zeroe apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações.
Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou àprisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.
O BRB estima que pelo menosR$ 8,8 bilhõesdos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco.
O governo diz que consegue recuperarR$ 2,2 bilhõespara cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outrosR$ 6,6 bilhões.
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Presidente do BRB se reúne com Galípolo no Banco Central
BRB entrou em apuros após transações malsucedidas com Banco Master. Lei que viabiliza empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada em junho; crédito ainda não foi efetivado.