Presidente de Cuba diz que não renunciará por pressão do governo Trump

Presidente de Cuba diz que não renunciará por pressão do governo Trump
Cuba está sendo pressionada há meses pelos EUA com bloqueio naval e falas inflamatórias de Trump, que busca busca mudança de regime na ilha caribenha, segundo a imprensa norte-americana. Escalada de tensões levou a negociações entre os dois países.
O presidente deCuba,Miguel Díaz-Canel, rejeitou renunciar por pressão do governo Trump e pediu um diálogo entre iguais, em sua primeira entrevista nesta quinta-feira (9) a uma rede de televisão dos EUA.

A ilha comunista está submetida a uma enorme pressão econômica e diplomática dosEstados Unidos, que mal permite o fornecimento de petróleo e exige uma transição política.

"Se o povo cubano entende que não estou capacitado para o cargo, que não estou à altura das circunstâncias, então eu não deveria ocupar a posição de presidente. Prestarei contas a eles. Mas não são osEstados Unidosque podem nos impor qualquer coisa. O governo dosEstados Unidos, que tem seguido esta política hostil contraCuba, carece da autoridade moral para exigir qualquer coisa deCuba", afirmou Díaz-Canel na entrevista com a "NBC".

O presidente Donald Trump manifesta abertamente a ideia de "tomar" a ilha, e seu governo classifica o regime cubano como uma "ameaça" para a sua segurança nacional.

O secretário de EstadoMarco Rubio, que tem origem cubana, assumiu pessoalmente as rédeas de umanegociação com a ilhaepediu mudanças políticas profundas daqueles que classifica como "dirigentes incompetentes".

"Não têm autoridade moralnem sequer para dizer que estão preocupados com a situação do povo cubano e que o governo cubano levouCubaa esta situação, quando toda a responsabilidade recai sobre seus ombros", explicou Díaz-Canel.

As autoridades da ilha atribuem a crise aos efeitos combinados do endurecimento do embargo americano imposto em 1962, da baixa produtividade de sua economia e do colapso do turismo.

Contudo,Rubio negou recentemente que tivesse pedido a renúncia de Díaz-Canel.

"Pedimos [...] para realizar um diálogo e debater sobre qualquer tema sem nenhuma condição, sem exigir mudanças em nosso sistema político, assim como nós não exigimos mudanças no sistema norte-americano", explicou o líder cubano.

Esse diálogo, iniciado após o anúncio do bloqueio petrolífero dosEstados Unidos,é "muito preliminar", indicou esta semana à agência de notícias AFP a vice-chanceler cubana Josefina Vidal.

Apesar da tensão bilateral, osEstados Unidospermitiram odesembarque de petróleo de um navio-tanque russohá dez dias.