Por que decisão do Departamento de Guerra dos EUA é um exemplo negativo sobre uso de suplementação hormonal

Por que decisão do Departamento de Guerra dos EUA é um exemplo negativo sobre uso de suplementação hormonal
Nesta semana, o Secretário da Guerra dos EUA anunciou a implementação de um novo programa de triagem para 'deficiência de testosterona' entre as tropas, classificando-o como necessário para permitir que atuem em seu 'desempenho máximo'.
Nesta semana, o Secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciou aimplementação de um novo programa de triagem para "deficiência de testosterona"entre as tropas, classificando-o como necessário para permitir que atuem em seu "desempenho máximo".

➡️A medida ocorre em um momento em que outras autoridades da administração Trump começaram a defender um acesso mais fácil a terapias de reposição de testosterona para homens.(entenda mais abaixo)

Mas, diferentemente do que defendem as autoridades norte-americanas, asuplementação desse hormônio não é indicada para todos os homense o abuso da substância pode causarconsequências graves para a saúde.

🩸Atestosteronaé responsável pelodesenvolvimento das características sexuais: o desenvolvimento do pênis, crescimento dos pelos e aumento da massa muscular. Ela também tem ação no sistema ósseo, garante a libido masculina, ajuda na parte metabólica.

Abaixo, nesta reportagem, você entendequem precisa de reposiçãoequais os riscos da suplementaçãodesnecessária.

Quem precisa de reposição de testosterona?

A queda gradual da testosterona com a idade é algo comum, mas nem sempre exige reposição. A reposição só é feita depois de um diagnóstico combinado: clínico e laboratorial.

Segundo os especialistas, o indivíduo precisa estar com osníveis de testosterona baixos e ter sintomas, como diminuição de desejo, cansaço, fadiga, irritabilidade.

"Se o paciente estiver com a testosterona baixa, mas sem sintomas, não indicamos a reposição. Também não indicamos se ele estiver com os sintomas, mas com a testosterona normal. Agora, se ele tem os sintomas e o hormônio está baixo, aí começamos a pensar na reposição", explica o urologista Luiz Otávio Torres.

A reposição é indicada quando se constata uma condição chamadahipogonadismo, em que ocorpo não consegue produzir testosterona suficiente por conta própriadevido a problemas nos testículos ou na glândula pituitária, ou para homens com algumasíndrome genéticaque afeta a produção de testosterona.

O diagnóstico é feito com base em exames de sangue que confirmam níveis consistentemente baixos de testosterona, combinados com sintomas que afetam o bem-estar.

Já para mulheres, a reposição é indicada para aquelas comdiagnóstico de desejo sexual hipoativo (DSH), distúrbio sexual que se caracteriza por uma diminuição ou cessação do desejo sexual por mais de seis meses.

No sexo feminino, a testosterona é produzida principalmente nos ovários e nas glândulas adrenais e está disponível em níveis muito mais baixos do que em indivíduos do sexo masculino. O hormônio pode contribuir para a libido, saúde óssea, energia e humor.

⚠️Os especialistas ainda lembram quenão há indicação para reposição de testosterona visando o vigor físico ou a estética. Lembrando que os chamados"chips da beleza" são proibidos no Brasil.

Riscos da reposição sem indicação

A reposição de testosterona, quando bem indicada, pode melhorar muito a qualidade de vida da pessoa. Mas não é recomendado repor um hormônio que não está em falta.

Nasmulheres, a reposição sem acompanhamento pode trazer uma série de riscos, como amasculinização(engrossamento da voz e aumento de pelos faciais), além deelevação dos níveis de colesterol e alterações no humor.

👉Já noshomens, o excesso de testosterona está ligado a problemas como:

Portanto, asuplementação só deve ser realizada quando os benefícios para a saúde superam os riscose sempre com orientação.

Testes de testosterona nos EUA e facilitação na prescrição

As novas triagens para identificar a deficiência de testosterona entre as tropas, anunciadas pelo Departamento de Guerra dos EUA, serão realizadas anualmente como parte dos exames médicos obrigatórios para militares com 30 anos ou mais.

Militares com menos de 30 anos poderão se voluntariar para os testes e o Pentágono não especificou quais condições ou doenças seriam o alvo da política. No vídeo de divulgação da iniciativa, Hegseth afirmou que a adesão à terapia de reposição de testosterona seria voluntária.

O anúncio de Hegseth ocorre em um momento em que o Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e outras autoridades da administração Trump estão tomandomedidas para facilitar a prescrição de testosterona por médicos.

No mês passado, a FDA (agência reguladora de medicamentos dos EUA) propôs flexibilizar as restrições de prescrição para géis, comprimidos, adesivos e injeções de testosterona.

Não só nos EUA, como também no Brasil, ohormônio vem se popularizando nas redes sociais e em clínicas que prometem benefícioscomo ganho de massa muscular, emagrecimento, aumento de energia, melhora da disposição e rejuvenescimento.