O pirarucuapreendido durante uma fiscalização de combate à pesca predatória, emBonópolis, no norte de Goiás, era maior que o policial que o encontrou com dois pescadores. O peixe media 1,85 metro de comprimento, enquanto o sargento Paulo Messias Resende, do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, mede 1,83 metro. Os dois suspeitos que haviam capturado o peixe foram presos.
Como os nomes dos pescadores não foram divulgados pela polícia, og1não conseguiu localizar as suas defesas até a última atualização desta reportagem.
Em entrevista aog1, o sargento Resende contou que esse foi o maior peixe que ele já viu pessoalmente em toda a sua vida. Ao ver o tamanho, sua reação foi, ao mesmo tempo, de surpresa e de tristeza.
"A gente fica triste porque um peixe daquela espécie leva muitos anos para chegar àquele tamanho adulto. E, de repente, o pessoal vai lá e faz a captura de maneira irregular", disse o sargento.
O pirarucu foi encontrado por ele e sua equipe durante uma incursão no Rio Crixás-Açu, por volta da 1h da madrugada de domingo (3). A ação foi feita após a polícia ter recebido denúncias de pesca predatória na região.
Segundo Resende, os pescadores eram um aposentado, de 82 anos, e um sobrinho dele, de cerca de 40 anos. Ao ser abordado, o senhor disse que já tinha o costume de pescar usando espinhel, equipamento de pesca predatória. Tanto ele quanto o sobrinho alegaram, no entanto, que tinham capturado o pirarucu apenas para tirar fotos, mas a polícia não acredita nessa versão.
"Quando chegamos, o peixe já estava pendurado no acampamento, na barraca. Já estava morto", detalhou o sargento.
Entenda a legislação
Em Goiás, a pesca do pirarucu para consumo é proibida na Bacia Tocantins-Araguaia, à qual pertence o Rio Crixás-Açu, onde os dois pescadores estavam. Mas em março deste ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou uma instrução normativa, válida em todo o país, permitindo a pesca da espécie apenas onde ela for considerada invasora.
A permissão se deve ao fato de a retirada de peixes predadores ser positiva para reduzir a pressão sobre espécies nativas. Em Goiás, o pirarucu é considerado fora de sua área de ocorrência natural apenas nas bacias hidrográficas do Paranaíba e São Francisco. Assim, nessas áreas ele pode ser pescado.
"A iniciativa está alinhada às diretrizes da Política Nacional da Biodiversidade, que prevê ações de prevenção, erradicação e controle de espécies exóticas invasoras", explicou a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Goiás, em nota.
A proibição da pesca em área de ocorrência natural foi estabelecida em Goiás há 30 anos, pela Lei Estadual 13.025/1997. Além do pirarucu, outras sete espécies não podem ser pescadas:
Os dois suspeitos com quem estavam os peixes foram autuados pelo crime de pesca ilegal e levados à central de flagrantes deSão Miguel do Araguaia, a cerca de 70 km de Bonópolis. A Polícia Civil informou que foi definida uma fiança de R$ 10 mil para cada um, que não havia sido paga até a última atualização desta reportagem.
Além do pirarucu, a dupla estava com cerca de 20 kg de pescados, que também não poderiam ter sido capturados, por terem tamanho abaixo do mínimo permitido pela legislação. Os peixes apreendidos foram doados à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Miguel do Araguaia.
Onde a pesca é proibida?
O sargento Resende explica que a pesca esportiva, em que o pirarucu é capturado e logo é devolvido à água, é permitida. Mas nunca para consumo.
"O alerta que a gente faz é que quando a pessoa for pescar, procure ler a legislação ambiental, para não cometer um crime. Porque realmente é crime e dá cadeia", disse.
Para facilitar o entendimento dos pescadores, a Semad possui uma lista dos 121 municípios goianos onde a pesca do pirarucu é proibida. Confira abaixo:
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Pirarucu de 1,85 metro e mais de 100 kg foi encontrado com dois pescadores durante uma fiscalização de pesca predatória, em Bonópolis, no norte de Goiás. Suspeitos foram presos.