O presidente daColômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta quarta-feira (18) que a bomba encontrada perto da fronteira com oEquadorpertence ao Exército do país vizinho.
Na terça-feira, Petro acusouo Equador de bombardearo território colombiano próximo à fronteira, e que o ataque teria ocorrido na segunda (16). Ele também disse que27 corpos foram encontrados carbonizadosna comunidade de El Amarradero perto de uma bomba.
"Foi comprovado que a bomba em território colombiano é do Exército equatoriano. A investigação continua e haverá uma nota de protesto diplomático", afirmou Petro, sem apresentar forneceu provas para sustentar a acusação, em publicação nas redes sociais.
Na terça (17), o presidente do Equador,Daniel Noboa, negou ter bombardeado alvos na Colômbia. Noboa disse ainda que seu Exército vem realizando ataques contra grupos criminosos equatorianos, porém dentro do próprio território, apenas.
A negativa, no entanto, não serviu para o líder colombiano, que disse ter pedido ao presidente dos EUA, Donald Trump, que ligue para Noboa para exigir explicações, "porque não queremos entrar em uma guerra". Ele acrescentou que o bombardeio não veio de grupos criminosos colombianos.
As imagens mostram fragmentos de bombas com dizeres em inglês, no departamento de Narino, a perto da fronteira que separa os dois países.(Veja abaixo)
Segundo Petro, bombas caíram perto de casas de famílias"que decidiram pacificamente substituir seus cultivos de folha de coca por cultivos legais", como café e cacau.O líder colombiano publicou uma foto dos chocolates produzidos por elas.
Ainda não está claro quando o bombardeio aconteceu nem as identidades dos corpos encontrados.
O bombardeio ocorreu um dia após o governo Noboa lançar uma ampla ofensiva, com a ajuda dos EUA, para combater cartéis de drogas equatorianos, com ataques coordenados por terra, ar e mar.
A fala de Petro acusando o Equador ocorreu durante uma reunião gravada com ministros sobre a reforma agrária.
"Estão nos bombardeando a partir do Equador e não são os grupos armados ilegais", afirmou durante a reunião, que foi exibida na televisão.
Petro acrescentou que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que "atue" diante do suposto bombardeio.
"Pedi que ligue para o presidente do Equador porque nós não queremos entrar em uma guerra", acrescentou, sem revelar a data em que fez a solicitação.
Colômbia e Equador travam uma guerra comercial desde fevereiro, quando o equatoriano Daniel Noboa impôs tarifas ao país vizinho ao reclamar de Petro por supostamente não adotar esforços suficientes no combate ao narcotráfico na fronteira.
Petro respondeu com a mesma medida e, apesar dos esforços diplomáticos, a crise continua.
"Escudo das Américas"
As forças equatorianas deram início no domingo (15) a umaofensiva de combate às drogasde duas semanas com apoio dos Estados Unidos. O país mobilizou 75 mil militares e impôs um rígido toque de recolher em algumas regiões do país.
Noboa é muito próximo a Washington e seu país integra o chamado "Escudo das Américas", uma aliança de 17 países do continente criada recentemente para enfrentar ameaças à segurança.
A Colômbia não faz parte do acordo anunciado por Trump - que é um desafeto de Petro. Os dois, no entanto, estabeleceram uma trégua após umareunião na Casa Branca em 3 de fevereiro. O encontro ocorreu após meses de trocas públicas de acusações, ameaças e insultos.
Petro diz que bomba encontrada na fronteira pertence ao Exército do Equador
Presidente da Colômbia acusou o Equador de ter bombardeado território colombiano. Presidente do Equador, Daniel Noboa, negou na terça (17) autoria nos ataques. Incidente agravou crise diplomática já existente entre os dois países.