Petro antecipa discurso de despedida da Presidência da Colômbia a pouco mais de um mês para fim do mandato

Petro antecipa discurso de despedida da Presidência da Colômbia a pouco mais de um mês para fim do mandato
O candidato o atual presidente perdeu as eleições para Abelardo de la Espriella. A data escolhida para a despedida coincide com o dia da independência do país.
O presidente daColômbia, Gustavo Petro, anunciou que irá antecipar o seu discurso de despedida do cargo para o próximo dia 20 de julho, data em que se comemora a independência do país. O pronunciamento ocorrerá nas praças públicas colombianas pouco mais de um mês antes do fim oficial de seu mandato, em 7 de agosto.

O anúncio de Petro rompe com os ritos tradicionais de agosto, período que o presidente classificou como uma "data trágica". Com isso, transfere o debate político para as ruas no feriado da independência, em um momento em que a oposição de ultradireita consolida sua vitória nas urnas, apesar dos questionamentos feitos pelo atual mandatário.

O posicionamento de Petro de convocar uma "mobilização geral" e organizar a "resistência" nas ruas ocorre em paralelo àfinalização da apuração oficial do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no dia 21 de junho.

No primeiro turno, disputado em maio, ocandidato de ultradireita Abelardo de la Espriellaliderou com 43,7% dos votos, seguido pelo governista Iván Cepeda, com 40,90%. Diante dos resultados iniciais daquela etapa, Petro já havia afirmado quenão aceitava a pré-contageme criticou o software da empresa Thomas Greg & Sons (TGS), apontando uma suposta divergência de 800 mil pessoas no censo eleitoral.

O ex-presidente Iván Duque rebateu as declarações na ocasião, acusando o mandatário de desrespeitar a democracia.

O candidato governista Iván Cepedaconcedeu a vitória a Abelardo de la Espriellaem coletiva de imprensa na última quarta-feira (24), três dias após a votação do segundo turno.

A decisão de Cepeda reverteu sua postura inicial e a de seu partido, o Pacto Histórico, que chegou a mobilizar advogados para pedir a impugnação de 33 mil mesas eleitorais sob alegação de erros técnicos.

A contestação perdeu força após o Registrador Nacional da Colômbia informar que o escrutínio oficial, divergiu em apenas 0,003% das cédulas em relação à apuração preliminar.

🔎 O escrutínio é o processo de checagem e recontagem conduzido pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

A contagem confirmou a vitória apertada do candidato da direita por uma diferença de cerca de 250 mil votos (menos de um ponto percentual):

“Decidi aceitar o resultado que emerge desse processo e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República”, declarou Cepeda. O presidente eleito recebeu felicitações de diversos líderes mundiais, incluindo o presidente dos EUA,Donald Trump, que havia manifestado apoio público à sua campanha.

O cenário que aguarda o novo governo

Conhecido peloapelido de "El Tigre", Abelardo de la Espriella, de 47 anos, lidera o movimento ultraconservador Defensores da Pátria. Alinhado a discursos de linha dura como os de Trump e do salvadorenho Nayib Bukele, o advogado ganhou força explorando a segurança pública — apontada por 40% dos colombianos como o maior problema do país, em meio a recentes confrontos entre facções dissidentes das Farc que deixaram dezenas de mortos na Amazônia colombiana.

Espriella promete suspender processos de diálogo com grupos armados, promover uma ofensiva militar com a construção de 10 megaprisões e retirar a Colômbia de organismos internacionais como a ONU e a OEA.

O novo presidente, no entanto, deve enfrentar um cenário de forte fragmentação legislativa. As eleições de março indicam que o Congresso continuará dividido, com o Pacto Histórico de Petro e Cepeda mantendo a maior bancada, o que exigirá negociações constantes para a aprovação de projetos a partir de agosto.