A técnica de enfermagem Kátia dos Santos poderia ter desistido das abelhas após sofrer umchoque anafiláticocausado por uma picada do inseto. O quadro foi tão grave que ela precisou passar por dois anos de tratamento. Mas abandonar a atividade nunca foi uma opção."Eu fiz o tratamento para não precisar deixar a apicultura".
Cinco anos depois de deixar a área da saúde, Kátia trabalha com a criação de abelhas, produz cosméticos feitos com mel, própolis e outros produtos das colmeias, e também percorre diferentes estados capacitando produtores e pessoas interessadas em investir na atividade, como hobby ou fonte de renda.
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"Se eu não fizesse tratamento, seria inviável. Eu tomava o próprio veneno da abelha uma vez por semana em forma de injeção. Fui persistente. Tem que gostar. Porque depois que você entra nessa área, não quer mais sair", contou Kátia Abelha, como é conhecida em São Domingos do Norte, no Noroeste do Espírito Santo.
A história dela é um dos exemplos de como mulheres de diferentes profissões transformaram acriação de abelhas em empreendedorismo e mudança de vida.
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel, a advogada Eva Pires Dutra, a fisioterapeuta Giovana Branco e a própria Kátia seguiram caminhos diferentes até chegar ao mesmo destino:encontraram nas abelhas uma nova possibilidade de negócio.
Em comum, todas elas investiram em conhecimento antes de transformar a atividade em fonte de renda.
Da programação para a meliponicultura
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel teve o primeiro contato com abelhas há mais de uma década, após se mudar para uma casa em Aracruz, no Norte do Espírito Santo.
O que começou como um interesse pessoal e uma válvula de escape para o dia a dia logo se transformou em uma atividade que hoje ocupa boa parte da sua rotina.
"Sou da área de programação, não tem nada a ver com natureza. Mas fui me envolvendo e me apaixonando por esse mundo das abelhas", contou.
Ao longo dos anos, ela buscou cursos de capacitação, porque não bastava apenas gostar da atividade. Ela também participou de treinamentos oferecidos por associações do setor e passou por programas de empreendedorismo.
Atualmente, cursa pós-graduação em Gestão do Agronegócio e sonha em criar uma agroindústria familiar.
Além da produção de mel, Luana investe emsabonetes, velas, bebidas artesanais e outros produtos derivados das abelhas. Também atua como educadora ambiental, levando conhecimento sobre as abelhas nativas sem ferrão para escolas.
Segundo ela, a participação na Associação de Meliponicultores Capixabas foi fundamental para ampliar o conhecimento técnico e enxergar novas oportunidades de negócio.
"As abelhas mudaram completamente a minha vida. Esses bichinhos tão pequenos fizeram coisas grandiosas e mudaram minha rota", afirmou.
Luana destacou ainda que o mercado tem valorizado cada vez mais produtos artesanais e sustentáveis, o que foi incentivo a mais para empreender na área.
"As pessoas querem saber a origem do que consomem. Quando você une conservação ambiental, produção artesanal e qualidade, o produto ganha valor", disse.
O hobby que pode virar negócio
A advogada Eva Pires Dutra, de 53 anos, representa outra etapa dessa jornada empreendedora. Há cerca de um ano e meio, começou a criar abelhas sem ferrão em uma propriedade em Domingos Martins, na Região Serrana do estado.
A produção ainda é pequena e voltada ao consumo próprio, mas os planos já incluem a comercialização de mel e própolis. "Hoje, ainda é mais um hobby, mas o objetivo é ter uma produção comercial de mel e própolis", afirmou ela, já pensando lá na frente.
Para se preparar, Eva buscou capacitações e passou a participar de grupos de criadores. Segundo a advogada, a troca de experiências com outros produtores tem sido tão importante quanto os cursos.
"Aprendo muito com outros criadores. A troca de experiências é muito importante e nos faz crescer de forma consistente na atividade", disse.
Ela explicou que a principal dificuldade está no tempo necessário para consolidar a produção. "A produção de abelha sem ferrão é pequena. É preciso formar várias colônias para alcançar uma quantidade que permita comercialização."
Mesmo assim, acredita que a atividade tem potencial econômico e ambiental.
"A meliponicultura é promissora não apenas pela venda de mel, própolis e outros produtos, mas também pelos serviços de polinização. Onde têm abelhas, a produção aumenta", destacou.
Uma nova carreira após o esgotamento profissional
A fisioterapeuta Giovana Branco chegou à apicultura em um momento de mudança de vida. Após enfrentar um quadro de esgotamento profissional, ela começou a buscar alternativas ligadas à saúde, ao bem-estar e ao uso de produtos naturais.
"Eu comecei a buscar algo mais natural para orientar meus pacientes. Foi assim que conheci o própolis verde e me interessei pelas abelhas", contou.
O interesse inicial se transformou em negócio. Para estruturar a atividade, Giovana buscou mentorias, cursos técnicos e programas de capacitação voltados ao empreendedorismo.
Ela criou a empresa, montou uma estrutura de produção e conquistou certificações para comercializar os produtos.
O resultado veio rapidamente. Em um concurso realizado durante o Congresso Brasileiro de Apicultores e Meliponicultores, em Florianópolis, o mel produzido pela empresa conquistou o terceiro lugar nacional.
"Foi um orgulho enorme. A gente concorreu com produtores do Brasil inteiro. Isso mostrou que é possível crescer quando existe dedicação e capacitação", afirmou.
Para Giovana, a busca por conhecimento é permanente. Ela acredita que a atividade pode representar uma oportunidade para outras mulheres que desejam empreender.
Pequenos insetos, grandes negócios: mulheres transformam hobby por abelhas em fonte de renda no ES
Analista de sistemas, advogada, fisioterapeuta e técnica de enfermagem investiram em capacitação, criaram negócios ligados à apicultura e à meliponicultura e transformaram a atividade em fonte de renda e realização profissional.
"A apicultura e a meliponicultura são atividades sustentáveis e lucrativas. O mel é só o começo. Existem muitas possibilidades de trabalhar com os produtos das abelhas", afirmou.
De aluna a instrutora
Se para algumas dessas mulheres a criação de abelhas começou como hobby ou complemento de renda, para Kátia a atividade acabou se transformando em uma nova profissão em São Domingos do Norte, onde mora.
Depois de deixar a enfermagem, ela passou a estudar os diferentes usos dos produtos das colmeias e se especializou na produção artesanal de cosméticos.
Hoje, ela ensina outras mulheres a produzir sabonetes, velas, hidratantes e outros produtos utilizando mel, própolis, geoprópolis e cera de abelha.
"A maioria das pessoas que participa dos cursos busca uma renda complementar. A gente mostra que é possível criar novas fontes de renda a partir dos produtos das abelhas", explicou a empreendedora.
Ao lado do marido, Juliano Cordeiro, conhecido como "Juliano Abelha", ela transformou a atividade em um negócio familiar.
Há cinco anos, ele também deixou a carreira no serviço público para se dedicar integralmente à apicultura. O casal investiu em cursos, treinamentos e especializações até se tornar referência na área.
Hoje, os dois ministram capacitações em diferentes estados brasileiros para produtores, associações, cooperativas e instituições ligadas ao setor, inclusive com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A atuação foi além da produção de mel. Eles criaram um espaço voltado à formação de produtores e ao desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas à apicultura e à meliponicultura.
A rotina da família passou a girar em torno das abelhas. Os filhos Davi, de 17 anos, e Aaron, de 7, também acompanham parte das atividades e cresceram vendo os pais transformarem uma paixão em profissão.
Abelhas movimentam outras cadeias produtivas
O impacto das abelhas vai além dos produtos vendidos pelas empreendedoras. A atividade também contribui para a agricultura e ajuda a gerar renda dentro das propriedades rurais.
Segundo José Roberto Gonçalves, gerente corporativo de Agropecuária da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), as abelhas desempenham papel fundamental na cafeicultura, especialmente nas lavouras de café conilon.
"As abelhas possuem uma contribuição importante nesse processo, favorecendo maior produtividade e uniformidade na maturação dos frutos das lavouras de café conilon", explicou Gonçalves.
Além de ajudar na produção agrícola, a atividade pode representar uma nova fonte de receita para os agricultores.
"Os produtores que possuem apiários em suas propriedades, além de potencializarem a produção de café conilon, contam com uma segunda atividade econômica, gerando mais renda e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida", afirmou.
O interesse crescente pela atividade tem levado mais cafeicultores a buscar qualificação. Na Fazenda Experimental da Cooabriel, em São Gabriel da Palha, a cooperativa mantém um apiário utilizado em ações de capacitação e, nos últimos dias, promoveu cursos voltados a cooperados que conciliam a produção de café com a criação de abelhas.
Alguns desses cursos foram ministrados pelo casal 'Abelha'. Para Gonçalves, a capacitação é essencial para quem deseja crescer na atividade.
"A participação em capacitações possibilita o acesso às informações que contribuem para uma condução mais assertiva da criação de abelhas, tanto para apicultores experientes quanto para produtores que estão iniciando na atividade", disse.
Capacitação transforma interesse em negócio
O papel do conhecimento também é destacado pelo Sebrae. Segundo o analista Daywidson Stabenow, a capacitação é um dos fatores que permitem transformar uma atividade complementar em um negócio estruturado.
"A capacitação ajuda a transformar um conhecimento técnico ou uma habilidade prática em uma atividade economicamente viável. O empreendedor passa a enxergar o negócio de forma mais estratégica e identifica oportunidades que antes não via", explicou.
Para ele, as histórias das produtoras refletem uma tendência crescente do empreendedorismo feminino.
"Essas histórias mostram a força da mulher, a determinação e a capacidade de adaptação. Cada vez mais as mulheres têm buscado autonomia financeira, geração de renda e realização dos seus projetos pessoais", afirmou.
O analista também destaca que a cadeia produtiva das abelhas oferece oportunidades para pequenos empreendedores.
"Além da comercialização do mel, existem diversos produtos derivados, como própolis, pólen, cera e geleia real. Isso amplia as possibilidades de receita e de novos negócios", destacou.
Conhecimento como ponto de partida
Embora tenham histórias diferentes, as quatro mulheres compartilham um mesmo aprendizado: empreender exige preparo.
Foi por meio de cursos, treinamentos, mentorias, associações e programas de capacitação que elas encontraram caminhos para transformar interesse em oportunidade de negócio.
Mais do que produzir mel, própolis, cosméticos ou outros derivados das colmeias, elas passaram a enxergar possibilidades de geração de renda, valorização ambiental e independência financeira.
Agora, enquanto ampliam a produção e planejam novos passos, elas ajudam a mostrar que o empreendedorismo pode nascer nos lugares mais inesperados, até mesmo a partir de insetos que pesam poucos gramas, mas movimentam uma cadeia produtiva capaz de transformar vidas.
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De aluna a instrutora
Se para algumas dessas mulheres a criação de abelhas começou como hobby ou complemento de renda, para Kátia a atividade acabou se transformando em uma nova profissão em São Domingos do Norte, onde mora.
Depois de deixar a enfermagem, ela passou a estudar os diferentes usos dos produtos das colmeias e se especializou na produção artesanal de cosméticos.
Hoje, ela ensina outras mulheres a produzir sabonetes, velas, hidratantes e outros produtos utilizando mel, própolis, geoprópolis e cera de abelha.
"A maioria das pessoas que participa dos cursos busca uma renda complementar. A gente mostra que é possível criar novas fontes de renda a partir dos produtos das abelhas", explicou a empreendedora.
Ao lado do marido, Juliano Cordeiro, conhecido como "Juliano Abelha", ela transformou a atividade em um negócio familiar.
Há cinco anos, ele também deixou a carreira no serviço público para se dedicar integralmente à apicultura. O casal investiu em cursos, treinamentos e especializações até se tornar referência na área.
Hoje, os dois ministram capacitações em diferentes estados brasileiros para produtores, associações, cooperativas e instituições ligadas ao setor, inclusive com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A atuação foi além da produção de mel. Eles criaram um espaço voltado à formação de produtores e ao desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas à apicultura e à meliponicultura.
A rotina da família passou a girar em torno das abelhas. Os filhos Davi, de 17 anos, e Aaron, de 7, também acompanham parte das atividades e cresceram vendo os pais transformarem uma paixão em profissão.
Abelhas movimentam outras cadeias produtivas
O impacto das abelhas vai além dos produtos vendidos pelas empreendedoras. A atividade também contribui para a agricultura e ajuda a gerar renda dentro das propriedades rurais.
Segundo José Roberto Gonçalves, gerente corporativo de Agropecuária da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), as abelhas desempenham papel fundamental na cafeicultura, especialmente nas lavouras de café conilon.
"As abelhas possuem uma contribuição importante nesse processo, favorecendo maior produtividade e uniformidade na maturação dos frutos das lavouras de café conilon", explicou Gonçalves.
Além de ajudar na produção agrícola, a atividade pode representar uma nova fonte de receita para os agricultores.
"Os produtores que possuem apiários em suas propriedades, além de potencializarem a produção de café conilon, contam com uma segunda atividade econômica, gerando mais renda e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida", afirmou.
O interesse crescente pela atividade tem levado mais cafeicultores a buscar qualificação. Na Fazenda Experimental da Cooabriel, em São Gabriel da Palha, a cooperativa mantém um apiário utilizado em ações de capacitação e, nos últimos dias, promoveu cursos voltados a cooperados que conciliam a produção de café com a criação de abelhas.
Alguns desses cursos foram ministrados pelo casal 'Abelha'. Para Gonçalves, a capacitação é essencial para quem deseja crescer na atividade.
"A participação em capacitações possibilita o acesso às informações que contribuem para uma condução mais assertiva da criação de abelhas, tanto para apicultores experientes quanto para produtores que estão iniciando na atividade", disse.
Capacitação transforma interesse em negócio
O papel do conhecimento também é destacado pelo Sebrae. Segundo o analista Daywidson Stabenow, a capacitação é um dos fatores que permitem transformar uma atividade complementar em um negócio estruturado.
"A capacitação ajuda a transformar um conhecimento técnico ou uma habilidade prática em uma atividade economicamente viável. O empreendedor passa a enxergar o negócio de forma mais estratégica e identifica oportunidades que antes não via", explicou.
Para ele, as histórias das produtoras refletem uma tendência crescente do empreendedorismo feminino.
"Essas histórias mostram a força da mulher, a determinação e a capacidade de adaptação. Cada vez mais as mulheres têm buscado autonomia financeira, geração de renda e realização dos seus projetos pessoais", afirmou.
O analista também destaca que a cadeia produtiva das abelhas oferece oportunidades para pequenos empreendedores.
"Além da comercialização do mel, existem diversos produtos derivados, como própolis, pólen, cera e geleia real. Isso amplia as possibilidades de receita e de novos negócios", destacou.
Conhecimento como ponto de partida
Embora tenham histórias diferentes, as quatro mulheres compartilham um mesmo aprendizado: empreender exige preparo.
Foi por meio de cursos, treinamentos, mentorias, associações e programas de capacitação que elas encontraram caminhos para transformar interesse em oportunidade de negócio.
Mais do que produzir mel, própolis, cosméticos ou outros derivados das colmeias, elas passaram a enxergar possibilidades de geração de renda, valorização ambiental e independência financeira.
Agora, enquanto ampliam a produção e planejam novos passos, elas ajudam a mostrar que o empreendedorismo pode nascer nos lugares mais inesperados, até mesmo a partir de insetos que pesam poucos gramas, mas movimentam uma cadeia produtiva capaz de transformar vidas.
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