Ormuz reaberto, impasse sobre urânio: o que avançou e o que está travando as negociações entre EUA e Irã

Ormuz reaberto, impasse sobre urânio: o que avançou e o que está travando as negociações entre EUA e Irã
Governo iraniano e presidente dos EUA deram declarações contraditórias ao longo desta sexta (17). Enquanto Trump fala em acordo próximo, Teerã diz que há diferenças significativas.
OIrãanunciou nesta sexta-feira (17) areabertura total do Estreito de Ormuz. A declaração foi seguida por falas do presidente dosEstados Unidos,Donald Trump, que afirmou não haver mais "pontos conflitantes" para um acordo entre os dois países. A versão, no entanto, é contestada por Teerã.

▶️Contexto:O Estreito de Ormuz se tornou um dos principais focos de tensão na guerra entre EUA, Israel e Irã. Boa parte do petróleo mundial, além de uma parcela relevante de fertilizantes, passa pela rota marítima. O fechamento pressionou a economia global.

Horas depois do anúncio, porém, declarações de Trump e do próprio governo iraniano levantaram dúvidas sobre a manutenção da abertura da rota marítima e sobre a proximidade de um acordo.

🔵🔴 Versão dos EUA:Trump usou redes sociais, entrevistas e um discurso a apoiadores para dizer que as negociações avançaram e estão perto do fim. Ao mesmo tempo, ele afirmou que as forças americanas continuarão pressionando o Irã.

"Estamos muito perto. Parece que vai ser algo muito bom para todos. E estamos muito perto de fechar um acordo", disse. "As coisas vão muito bem."

🟢🔴 Versão do Irã:As declarações de Trump não foram bem recebidas em Teerã. Autoridades usaram a mídia estatal e redes sociais para rebater o presidente norte-americano e fazer novas ameaças.

"Em troca, o Irã fornecerá garantias à comunidade internacional sobre a natureza pacífica de seu programa nuclear", disse. A autoridade acrescentou que qualquer outra narrativa sobre as negociações "é uma deturpação da situação".

Ormuz está mesmo aberto?

A reabertura do Estreito de Ormuz animou a comunidade internacional e o mercado,com queda no preço do petróleoapós o anúncio. Ainda assim, há sinais de que a rota não está totalmente liberada.

Dados de tráfego marítimo obtidos pela Reuters mostram que cerca de 20 navios avançaram pelo Golfo Pérsico em direção ao estreito na noite desta sexta, mas a maioria recuou. O motivo não está claro.

O próprio governo iraniano também deu sinais contraditórios. A agência estatal Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, classificou a reabertura como incompleta ecriticou o próprio chanceler do país, Abbas Araghchi, que havia anunciado a liberação total.

Segundo a agência, o comunicado de Araghchi foi "de extremo mau gosto", já que foi "publicado sem as explicações necessárias e suficientes" e "criou ambiguidades sobre as condições de passagem".

"Diversas condições foram consideradas para esta questão, sendo uma das mais importantes a supervisão completa das Forças Armadas iranianas sobre a passagem e a navegação dos navios. Essa passagem será considerada cancelada caso o alegado bloqueio naval continue", afirmou.

O Irã também passou a exigir que navios comerciais avisem e se coordenem com a Guarda Revolucionária antes de atravessar o Estreito de Ormuz, algo que não ocorria antes da guerra.

Além disso, o Ministério da Defesa informou, em comunicado citado pela TV estatal, que navios militares e embarcações ligadas a "forças hostis" seguem sem permissão para atravessar.

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