O que se sabe sobre o cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã

O que se sabe sobre o cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã
Trégua provisória ocorre mais de um mês após EUA e Israel lançarem ataques coordenados contra o Irã — e poucas horas depois de Trump ameaçar que 'uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada' caso o Irã não reabrisse estreito de Ormuz.
IrãeEstados Unidosconcordaram com umcessar-fogo condicional de duas semanas, durante o qual o tráfego marítimo será permitido peloestreito de Ormuz, via por onde passavam cerca de 20% do petróleo globalaté ser fechada pelo governo iraniano em reação aos ataques americanos e israelenses.

O acordo de cessar-fogo foi fechado nesta terça-feira (7), mais de um mês apósEUA e Israel lançarem ataques coordenados contra o Irã (iniciado em 28/2), e poucas horas depois de o presidente dos EUA,Donald Trump, ameaçar que"uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada"caso oIrãnão reabrisse o estreito de Ormuz.

O primeiro-ministro doPaquistão, Shehbaz Sharif, que vinha mediando as negociações, disse na manhã desta quarta-feira (8) queo cessar-fogo passou a valer imediatamente.

Veja o que se sabe até agora sobre o acordo.

O que disseram EUA eIrã?

Trump afirmou que concordou em "suspender o bombardeio e os ataques contra oIrãpor um período de duas semanas" caso oIrãaceite reabrir o estreito de Ormuz, uma rota essencial para o transporte de petróleo e outras exportações do Golfo.

Em uma publicação em sua rede social, Truth Social, Trump disse que aceitou o cessar-fogo provisório porque "já atingimos e superamos todos os objetivos militares".

Isso ocorre depois de ele ter alertado anteriormente que os EUA poderiam destruir oIrã"em uma noite" e que "toda civilização morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada",ameaças que foram condenadas pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo papa.

OIrã concordou em permitir a passagem de embarcações pelo estreito de Ormuzpor duas semanas, com o trânsito coordenado pelas forças militares iranianas.

O país também apresentou um plano de 10 pontos, que inclui, entre outras medidas, a cessação completa da guerra noIrã,Iraque,LíbanoeIêmen; o "compromisso total" com a retirada das sanções contra oIrã; a liberação de fundos e ativos iranianos congelados pelos EUA; e o "pagamento integral de compensação pelos custos de reconstrução" aoIrã.

Também afirma que oIrã "se compromete plenamente a não buscar a posse de armas nucleares".

"A vitória doIrãno campo de batalha também será consolidada nas negociações políticas", afirmou o Conselho Supremo de Segurança Nacional doIrãno comunicado.

Segundo o primeiro-ministro paquistanês, o cessar-fogo também passará a valer noLíbano, ondeIsraelafirma estar em combate com oHezbollah,partido político islâmico xiita e grupo paramilitar apoiado peloIrã.

A liderança deIsraeltem afirmado que não deixará oLíbanoaté que a ameaça representada peloHezbollahseja eliminada.

Não há indicação de que Israel tenha concordado em interromper suas operações no Líbano, ou em outros locais.

Sirenes soaram emIsraellogo após o anúncio de Trump, com as forças de segurança israelenses afirmando que estavam interceptando mísseis lançados peloIrã.

Diversas explosões foram ouvidas emJerusalémna noite de terça-feira (7).

Poucas horas após o anúncio do cessar-fogo por Trump, o primeiro-ministro israelense,Benjamin Netanyahu, afirmou: "Israelapoia a decisão do presidente Trump de suspender os bombardeios contra oIrãpor duas semanas, sujeita à abertura imediata do estreito e a paralisação de todos os ataques contra os EUA,Israele países da região".

A declaração israelense acrescenta que o "cessar-fogo não inclui oLíbano", ondeIsraeltem tropas em solo.

A liderança israelense tem reiterado que não deixará oLíbanoaté que a ameaça doHezbollah(aliado doIrã) seja eliminada.Até o momento, não há indicação de queIsraeltenha concordado em interromper suas operações no país ou em outras frentes.

Não está claro quão envolvido Netanyahu esteve na decisão de Trump de firmar o cessar-fogo.

OPaquistão, que tem intermediado as negociações, convidou asdelegações dos países envolvidos no conflito para se encontrarem em Islamabad, capital do Paquistão, na sexta-feira (10)"para novas negociações em direção a um acordo conclusivo que resolva todas as disputas".

A porta-voz daCasa Branca, Karoline Leavitt, reconheceu que existem discussões sobre conversas em encontros presenciais, mas disse que "nada é definitivo até ser anunciado pelo presidente ou pelaCasa Branca".

Qualquer que seja o formato, as negociações devem ser bastante difíceis.

Os dois países já aparentam mostrar contradições sobre o que de fato o cessar-fogo engloba.Além disso, oIrãe os EUA já tiveram duas rodadas de negociações no ano passado, e nas duas ocasiões houve uma escalada de tensões militares durante as negociações.

Segundo Khashayar Joneidi, correspondente da BBC News Persa em Washington, há um déficit de confiança entre os países às vésperas de uma nova rodada de negociações.

Joneidi lista entre os impasses o tráfego no estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano.

"Os EUA condicionaram o cessar-fogo à livre circulação de navios no estreito de Ormuz, enquanto oIrãinsiste em manter controle sobre o tráfego marítimo na região, citando sua posição geográfica como prioridade estratégica", afirma Joneidi.

Além disso, segundo Joneidi, "a mídia estatal do país afirma que os EUA teriam aceitado o enriquecimento de urânio noIrã, mas Washington sustenta a posição oposta: não quer que nenhum enriquecimento seja realizado no território iraniano".

A lista de demandas doIrã

Segundo uma emissora estatal iraniana, o plano de 10 pontos enviado aos EUA e que deve ser discutido nos próximos dias prevê:

Embora os detalhes desse plano ainda não sejam conhecidos, Trump afirmou que ele oferece uma "base viável para negociação".