Candidatos à Presidência da República sabatinados na semana passada pelog1e pela GloboNews mencionaram o"modelo deEl Salvador"como referência de gestão de segurança pública.
Os candidatos — Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) — se referiam ao governo atual do país da América Central,liderado por Nayib Bukele. Eles fizeram coro a umdiscurso que tem sido a referência de candidatos da direita em eleições recentes na América Latina.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL), convidado para ser sabatinado nesta segunda-feira (10), também já elogiou o modelo Bukeleechegou avisitar El Salvador, ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, para encontros ligados à segurança pública.
Mas o que é, afinal, o "modelo de El Salvador"?
O "modelo de El Salvador" diz respeito, principalmente, à gestão da segurança pública do governo deNayib Bukele(leia mais sobre Bukele abaixo).
O presidente salvadorenho, no poder desde 2019, tem como principal bandeira ocombate às ganguesque durante décadas controlaram grandes partes de El Salvador.
👉 Suas medidas para isso, no entanto, são controversas:
prisões sem mandadode milhares de pessoas, eaconstrução de megaprisõespara receber a nova população carcerária.
O grande símbolo desse modelo é o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), o megapresídio inaugurado por Bukele em 2023 que se tornoua maior prisão das Américas. O local tem capacidade para40 mil detentos— como base de comparação, o Complexo do Carandiru chegou a abrigar 8 mil presidiários na década de 1990, quando era o maior presídio da América Latina.
Como fruto dessa política, o governo Bukele já prendeu mais de 91.500 pessoas, segundo dados da Comissão Inter-Americana dos Direitos Humanos. O número corresponde acerca de 1,5% da população total de El Salvador.
👉 O problema das prisões é quegrande parte delas ocorreu sem mandados ou provas, com base apenas em denúncias anônimas. Além disso, entidades de direitos humanos do país também denunciam a realização dejulgamentos coletivos.
Para implementar as prisões em massa,Bukele declarou estado de exceção em 2022. Ele alegou, na ocasião, que a medida era necessária para frear a gangue Mara Salvatrucha, responsabilizada por uma onda de assassinatos da época.
Mas Bukele acabou mantendo o estado de exceção como justificativa para combater as gangues e, desde 2022, já renovou a medida por mais de 50 vezes, colocando em suspensão permanente as garantias constitucionais da população.
E isso permitiu ao presidente salvadorenho ampliar seu leque medidas autoritárias — tomadas sem consultar o Congresso — para além da segurança pública, comoforte perseguição a opositores e à liberdade de imprensa.
Ainda assim,os altos números de prisões alavancaram a popularidade de Bukele, o que refletiu em sua reeleição em 2024 para mais cinco anos no poder.
Bukele 'para exportação'
Mas foi só quando Bukele firmou uma parceria com o presidente dosEstados Unidos,Donald Trump, seu aliado, que sua política de segurança públicacomeçou a tomar forma como um modelo de exportaçãopara a direita para a América Latina.
Em 2025, por sugestão do salvadorenho, Bukele e Trump firmaram uma parceria para que El Salvador recebesse imigrantes venezuelanos em situação irregular presos pelo ICE - a agência norte-americana à frente da caça e da detenção de estrangeiros nos EUA.
O pacto, a um custo de US$ 6 milhões por um ano para os cofres norte-americanos, estabelece que detidos identificados como membros de gangues venezuelanas seriam deportados a El Salvador.
AJustiça dos EUA chegou a barrar a parceria, mas Trump ignorou a sentença, e Bukele afirmou que mais de 250 pessoas já foram enviados dos EUA ao CECOT.
👉 Como consequência, omodelo começou rapidamente a se espalhar como referência na América Latina, sendo mencionado e elogiado por diversos candidatos a eleições recentes na região.
O que disseram os candidatos no Brasil sobre El Salvador
Veja, abaixo, o que disseram os candidatos brasileiros sobre El Salvador e Nayib Bukele na sabatina promovida pelog1e pela GloboNews:
Foram convidados para a sabatina do g1 e da GloboNews os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha do dia 24 de julho. A ordem foi definida por sorteio. O presidente Lula (PT) seria entrevistado na terça (4), mas decidiu não participar.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) está previsto para ser sabatinado nesta segunda-feira (10), mas ainda não respondeu.
O que é o 'modelo El Salvador', citado por candidatos de direita no Brasil
Referência do governo de Nayib Bukele foi mencionada por candidatos sabatinados. Modelo, centrado na política de segurança pública, também virou bandeira para candidatos da direita na América Latina.