A artesã Ilene Fonseca, moradora deItaberaí, queviralizou após cobrir o próprio carro com crochê, conta que o artesanato surgiu ainda na infância como alternativa para complementar a renda da família. Segundo ela, seu perfil criativo a ajudou a transformar a técnica em fonte de renda: “Sempre fui muito criativa.Na escola eu ganhava merenda as vezes até trocados para fazer capas de trabalhos ou desenhos em cartolinas nas apresentações, eu sempre me reinventei”.
Aog1, Ilene disse que faz crochê há pelo menos36 anos. Ela também é lavradora e começou a trabalhar cedo. Na infância, dividia o tempo entre os cuidados com a casa e ajuda eventual na lavoura.
O crochê começou como possibilidade de renda dentro de casa, aos 10 anos. Ilene conta que, quando sentia vontade de ter algo e os pais não podiam dar, percebia que precisava encontrar uma forma de ajudar.
“Comecei a fazer crochê porque achei uma forma de trabalhar a partir de casa e nas horas vagas pra ganhar um dinheirinho”, afirmou.
Ela ensinou os filhos a crochetar e diz que a técnica sempre foi sua principal fonte de renda.
Ainda criança, ela conta que enxergava no fazer manual uma maneira de conquistar pequenas independências. As primeiras peças eram simples, mas já demonstravam habilidade e iniciativa. “A primeira peça foi uma xuxinha de cabelo, fiz muitas”, relembrou.
A prática constante, segundo ela, foi o que permitiu que a atividade deixasse de ser apenas uma ajuda pontual nas despesas e se transformasse, com o passar dos anos, nabase do sustento dela e de seus filhos.
Carro coberto de crochê
A repercussão nacional veio após Ilene publicar nas redes sociais um vídeo em que aparece jogando peças de crochê para o alto e, na sequência, surge o carro totalmente revestido com o trabalho artesanal. Segundo ela, foram cinco meses para concluir o projeto.
A ideia surgiu quando buscava uma forma de cobrir detalhes do veículo, como arranhões e amassados. Com isso, também aproveitou a oportunidade parahomenagear Luciano Huck, com as cores do seu programa ‘Domingão’.
Ela afirma que estabelecia metas diárias para concluir o carro, mas nem sempre conseguia cumprir. “Fazia minhas metas, mas nem sempre cumpria porque o trabalho exaustivo da roça às vezes não me deixava trabalhar à noite por causa de meus problemas de saúde: hérnia de disco, escoliose lombar, artrose nos joelhos, entre outros.”
O tempo dedicado ao projeto variava conforme o corpo permitia e seu tempo livre. Dedicava parte do tempo em que tinha que esperar para buscar sua filha no trabalho de madrugada para se concentrar no crochê e não dormir. Seu filho mais novo, Eniel, de 10 anos, ajudou a mãe a concluir ocarro de crochêdurante suas férias escolares, reproduzindo os ensinamentos que ela o ensinou
Mesmo sendo muito trabalhoso, diz que o crochê temsignificado especial.
“Sinto paz, esperança, leveza, viajo na imaginação, fico imaginando um dia uma casa linda cheia de peças de crochê”, afirmou.
Além do carro, Ilene tambémcompôs músicas e escreveu cartas ao apresentador Luciano Huckna tentativa de participar do quadro Lar Doce Lar. Ela diz que acompanha o programa há décadas e que o sonho começou ainda na infância.
“Cresci vendo o sofrimento de nossa família sem ter onde morar, sempre mudando de um lugar para outro. Ter um lar seu é o mínimo de dignidade que o ser humano pode ter”, afirmou.
Para os próximos anos, Ilene afirma que desejase dedicar mais às composições, ser reconhecida pelos trabalhos artesanais e desenvolver projetos sociais. Também sonha em escrever a própria história.
Enquanto isso, segue trabalhando com o crochê. Técnica que, segundo ela, começou como necessidade e se transformou em sustento e expressão artística.
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Mulher que cobriu carro com crochê diz que artesanato surgiu como fonte de renda ainda na infância: 'Sempre fui muito criativa'
Artesã de Itaberaí afirma que começou a trabalhar ainda criança e encontrou no crochê uma forma de ajudar nas despesas. Projeto do carro “crochetado” ganhou repercussão nas redes.