Lula parte da Índia rumo à Coreia do Sul em viagem estratégica para países da Ásia

Lula parte da Índia rumo à Coreia do Sul em viagem estratégica para países da Ásia
Giro pela região mistura agenda diplomática, interesses comerciais e tentativa de ampliar parcerias estratégicas do Brasil. É a terceira viagem do presidente à Coreia do Sul.
O presidenteLuiz Inácio Lula da Silva(PT) deixou a Índia neste domingo (22) com destino àCoreia do Sul,onde fará uma visita oficial a convite do governo sul-coreano. A visita está prevista para começar nesta segunda-feira (23).

Esta será a terceira viagem de Lula ao país asiático. Ele esteve na Coreia do Sul em 2005 e 2010, masesta é a primeira vez com o peso de visita de Estado, o que indica maior peso político, econômico e diplomático para os dois países.

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja,acompanhou Lula até a Índia mas não ficou para os compromissos oficiais e seguiu antes para a Coreia do Sul, onde cumpre agenda própria com a primeira-dama sul-coreana.

No último ano, Lula se reuniu duas vezes com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung:

Segundo interlocutores do Ministério das Relações Exteriores, nos dois encontros a afinidade entre os presidentes ficou “clara e evidente”.

A visita é tratada como uma confirmação do bom momento nas relações entre Brasil e Coreia do Sul.Os dois países mantêm relações diplomáticas desde 1959, há mais de seis décadas.

Nesse contexto, a expectativa é que os líderes assinem um "Plano de Ação 2026-2029". O documento deve formalizar um nível mais estratégico de cooperação entre os dois países. Além disso, os líderes devem discutir áreas consideradas prioritárias e trocar avaliações sobre o cenário geopolítico internacional.

A viagem também se insere em uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de ampliar a presença do país na Ásia e abrir novos mercados na região.

A ideia é diversificar parceiros comerciais, aumentar exportações e atrair investimentos, reduzindo a dependência de parceiros grandes e tradicionais.A aproximação com países do continente é vista pelo governo como parte central da política externa econômica do Brasil nos próximos anos.

Hoje, a Coreia do Sul é um parceiro econômico relevante para o Brasil.Desde 2024, o país asiático já anunciou cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos no território brasileiro.Quase 80% desse total está concentrado na chamada indústria de transformação.

No comércio bilateral, o fluxo entre Brasil e Coreia do Sul somou US$ 10,8 bilhões no ano passado, com superávit de US$ 174 milhões para o lado brasileiro.Entre os países da Ásia, a Coreia do Sul é o quarto maior parceiro comercial do Brasil. No ranking global, ocupa a 13ª posição.

Cultura, beleza e cosméticos

Nos últimos anos, a presença da cultura coreana no Brasil cresceu de forma expressiva, impulsionada principalmente pelo sucesso global dok-pop, das séries de TV e do cinema da Coreia do Sul.

Grupos musicais,produções exibidas em plataformas de streaminge a popularização da culinária, da moda e dos ritos de beleza ampliaram o interesse do público brasileiro, fortalecendo os laços culturais e aproximando as sociedades dos dois países.

Outro fenômeno recente é a popularização doskincarecoreano.Produtos e rotinas de cuidados com a pele inspirados na chamada "K-beauty " ganharam espaço nas redes sociais, no varejo e entre influenciadores, impulsionando a demanda por itens como séruns e outros produtos de beleza.

A aparência uniforme e luminosa virou uma vitrine para a indústria de cosméticos. Esse padrão estético, reforçado por celebridades, atores de doramas e ídolos do K-pop, estimula o interesse por produtos e rotinas inspiradas na "K-beauty".

O aumento da demanda por produtos da Coreia do Sul também despertou o interesse do setor de cosméticos do Brasil. Empresas brasileiras passaram a acompanhar mais de perto as inovações coreanas em tecnologia de cuidados com a pele e no desenvolvimento de fórmulas.