Líder supremo do Irã diz que EUA foram derrotados na guerra e estão 'sofrendo humilhação profunda'

Líder supremo do Irã diz que EUA foram derrotados na guerra e estão 'sofrendo humilhação profunda'
Um dia após Trump falar em um encontro entre eles, Motjaba Khamenei fez uma série de ataques contra os EUA e Israel: 'O imperialismo está disposto a fazer qualquer coisa para impedir o progresso do Irã'.
O líder supremo doIrã, Motjaba Khamenei, atacou osEstados Unidosem mensagem nas redes sociais nesta quinta-feira (4).

Um dia após opresidente norte-americano, Donald Trump, falar em um encontro entre eles, Khamenei disse que os EUA foram derrotados na guerra e acusou o país de tentar reverter isso semeando "desespero, medo, desconfiança e discórdia".

"O inimigo malicioso foi derrotado em seu confronto com as Forças Armadas. Tendo recebido um golpe decisivo, tanto no combate militar quanto nas praças e ruas, ele está sofrendo uma humilhação profunda e significativa", afirmou.

O aiatolá, que assumiu o cargo de líder iraniano após amorte do pai no primeiro dia de guerra, eainda não fez nenhuma aparição pública, também atacouIsrael, que chamou de "base militar" construída pelos EUA.

➡️ O governo israelense fez os primeiros ataques contra o Irã ao lado das tropas americanas e, essa semana, intensificou suas operações noLíbanopara combater o Hezbollah, grupo extremista libanês apoiado pelo regime de Teerã.

"O imperialismo, liderado pelos EUA, construiu uma base militar chamada Israel ao longo dos últimos 80 anos. E eles não aceitam a existência de um Irã forte e independente na fronteira leste da falsa e ilegítima geografia de "Israel Maior"—isto é, a leste do rio Eufrates. O imperialismo está disposto a fazer qualquer coisa para impedir o progresso do Irã", disse.

Trump falou em encontro com Khamenei

Em entrevista a um podcast nesta quarta-feira (3), o presidente dos Estados Unidos,Donald Trump, afirmou queoIrã"concordou em não ter armas nucleares"e anunciou que gostaria de conhecer Motjaba Khamenei.

Em meio a um momento tenso nas negociações entre os dois países, com várias violações do cessar-fogo de ambos os lados, Trump disse queKhamenei está envolvido nas negociações do acordo de paz e que eles irão se ver "em algum momento".

"Ele está envolvido, com certeza. Acho que eles têm muito respeito por ele. Gostaria de conhecê-lo. Provavelmente nos encontraremos em algum momento, dependendo de como tudo se desenrolar", declarou.

Opresidente norte-americano se mostrou otimista com o andamento das conversasentre os dois países. Falou que "a situação está evoluindo rapidamente":

"O Irã é um grande sucesso. Veremos o que acontece. Estamos trabalhando em um acordo, e se isso acontecer, ótimo. Se não acontecer, tudo bem também. Faremos de outra maneira".
Apesar das declarações de Trump, pouco antes,o conselheiro militar de Khamenei, Mohsen Rezaei, fez um post na rede social X que aparentemente contradiz suas declarações.

Após bombardeios dos EUA a um petroleiro iraniano e à ilha iraniana de Qeshm, que desencadearam ataques retaliatórios do Irã contra o Kuwait e o Bahrein, nesta quarta, Rezaei fez ameaças:

"Cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones. O agressor será punido rapidamente".

O vai e vem das negociações de paz

Há três dias, na segunda-feira (1º), Trump falou que osEUA e o Irã deveriam chegar a um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz na próxima semanaem entrevista à emissora ABC News.

Trump disse que conseguiu contornar um contratempo, após o Irã ameaçar suspender as negociações por causa da troca de ataques entre Israel e o grupo extremista Hezbollah, no Líbano. Ainda segundo o presidente,as conversas com o Irã estão em "ritmo rápido".

"Então, conversei com o Hezbollah e disse para não dispararem, e conversei com Bibi [o primeiro-ministro israelenseBenjamin Netanyahu] e disse para não dispararem, e ambos pararam de atacar um ao outro", disse.

O Irã condicionou qualquer trégua com os Estados Unidos à implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, disse nesta segunda-feira que o fim dos ataques é essencial para as negociações de paz.

"Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra".

O porta-voz também acusou os EUA de continuarem violando o cessar-fogo com Teerã. Segundo ele, o Irã não hesitará em adotar todas as medidas que considerar necessárias para defender a segurança nacional.

Irã e Estados Unidos estão em cessar-fogo desde 7 de abril. Os dois países chegaram a trocar ataques pontuais nas últimas semanas. Enquanto isso, o Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo — continua fechado para navegação.

O principal ponto de disputa nas negociações atuais é o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos exigem que Teerã se comprometa a nunca desenvolver armas nucleares. Já o Irã afirma que o tema não está em discussão no momento.