O professor Allison Ruan de Morais Silva, quehavia perdido no fim de julho o cargo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)em uma disputa sobre cotas, conseguiu recuperar a vaga.
Allison havia sido aprovado pela reserva de vagas destinada a candidatos negros no concurso da UFPE para o Departamento de Engenharia Química. Ele chegou a dar aulas por seis meses, mas foi afastado depois que outra candidata do mesmo concurso, aprovada na ampla concorrência, obteve na Justiça a anulação da nomeação dele e assumiu o cargo em seu lugar.
Nesta sexta-feira (4), o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) decidiu pausar os efeitos dessa decisão até que o caso seja julgado de forma definitiva. Na prática, isso significa que Allison volta a ocupar o cargo — pelo menos por enquanto — até que a Justiça analise o recurso apresentado por ele.
🔴O ponto central da discussão é o mesmo que já dificultou ou inviabilizou a contração de outros professores negros em universidades federais na última década:divergências no modo como as vagas de concursos públicos devem ser contabilizadas.
O concurso teve 25% das vagas reservadas a candidatos negros, 3% a indígenas e 2% a quilombolas —percentual aplicado sobre o total de vagas do certame, e não sobre cada área isoladamente.
Ao todo, foram oferecidas 52 vagas distribuídas entre diferentes áreas e subáreas, das quais 13 foramreservadasa candidatos negros.
Depois do resultado final, os candidatos da reserva foram organizados em uma lista única, por ordem de nota, independentemente da área para a qual concorriam.
Na mesma área e subárea, porém, quem tirou a nota mais alta na ampla concorrência foi Brígida Maria Villar da Gama, com 8,50 — quase três pontos acima da nota de Allison, que foi 6,07.
Como a especialidade disputada por eles tinha uma única vaga, Brígida ficou de fora. Com a nomeação de Alisson,ela foi à Justiça argumentar que essa vaga deveria ter ficado com quem passou na ampla concorrência, e não com a reserva.
Em primeira instância, a Justiça Federal de Alagoas deu razão a ela: anulou a nomeação de Allison e determinou que Brígida fosse nomeada em seu lugar. A UFPE cumpriu a decisão em 28 de julho.
Agora, a nova decisão mudou o cenário. Para o relator do caso no TRF-5,o fato de a especialidade em disputa ter apenas uma vaga não é suficiente, isoladamente, para invalidar a sistemática das cotas no concurso, uma vez que a reserva é calculada sobre o conjunto das vagas do concurso.
Advogados ouvidos pelog1afirmam que essa “tática” de fracionar o número de vagas por departamento, em vez de considerar o total de um concurso para a carreira de professor,desrespeita a legislação e enfraquece ações afirmativas.
Com a decisão do TRF-5, ficam sem efeito, até o julgamento final da apelação, tanto a portaria que retirou Allison do cargo quanto a que havia nomeado Brígida em seu lugar.
Justiça devolve cargo de professor cotista que tinha perdido vaga para candidata que questionou cotas na UFPE
Allison Ruan, aprovado pela reserva de vagas para candidatos negros, trabalhou durante todo o primeiro semestre de 2026 na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), até Justiça anular sua nomeação. Agora, caso foi revertido de forma liminar.