Jornalista dos EUA relata contratação-relâmpago pelo ICE após entrevista de 6 minutos

Jornalista dos EUA relata contratação-relâmpago pelo ICE após entrevista de 6 minutos
Agência de imigração do governo Trump está acelerando admissões com oferta de bônus em dinheiro e perdão de dívidas estudantis. Tempo de treinamento foi reduzido.
Um relato feito por uma jornalista independente reacendeu o debate sobre a forma como o governo de Donald Trump tem recrutado agentes para a polícia migratória dosEstados Unidos. Laura Jedeed afirma ter sido contratada pelo ICE após uma entrevista de apenas seis minutos. As falas viralizaram nas redes sociais.

O ICE é a agência responsável por operações de deportação de imigrantes no país. Essas ações têm sido alvo de críticas por uso excessivo da força e já estiveram ligadas à morte de ao menos dois cidadãos americanos em janeiro.

Segundo Jedeed, a contratação ocorreu mesmo sem a conclusão de etapas básicas do processo seletivo. Em depoimento a um comitê do Senado de Minnesota, ela afirmou que não chegou a finalizar a documentação exigida nem a realizar um teste antidrogas.

“Espero que minha experiência ajude a jogar luz sobre o desprezo que essa organização demonstra pela vida humana”, disse a jornalista aos senadores.

O Departamento de Segurança Interna contesta a versão, mas o caso aumentou o questionamento sobre o controle interno da agência.

O episódio ocorre em meio a uma aceleração sem precedentes nas contratações do ICE. A agência afirma adotar uma estratégia de “recrutamento em tempos de guerra”. O objetivo é viabilizar a política de deportações em massa, que prevê a expulsão de cerca de 1 milhão de pessoas por ano.

Para isso, o governo reduziu o tempo de treinamento de novos agentes de 16 para oito semanas, flexibilizou o limite de idade e eliminou a exigência de aprendizado de espanhol — a segunda língua mais falada nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o ICE passou a oferecer incentivos financeiros agressivos, como bônus de até US$ 50 mil (R$ 263 mil) e perdão de dívidas estudantis que pode chegar a US$ 60 mil (R$ 315 mil).

A agência também intensificou campanhas de recrutamento em várias cidades e nas redes sociais, com material de divulgação de estética fortemente militarizada.

As medidas surtiram efeito. Mais de 220 mil pessoas se candidataram a vagas no ICE apenas no último ano. Desde que Trump voltou ao poder, em janeiro de 2025, o número de agentes mais que dobrou, saltando de cerca de 10 mil para 22 mil. Esse crescimento é considerado inédito.

Diante do aumento de denúncias de violência em operações migratórias, especialistas e parlamentares têm questionado os critérios de contratação, a redução do treinamento e a forma de atuação dos agentes.

Outro ponto de crítica recorrente é a falta de punição em casos de abusos cometidos durante ações do ICE.

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