Irã testou reação do Exército dos EUA com drone perto de porta-aviões e tentativa de apreender petroleiro, diz instituto

Irã testou reação do Exército dos EUA com drone perto de porta-aviões e tentativa de apreender petroleiro, diz instituto
Dois incidentes na terça (3) são possível início de escalada iraniana contra navios militares e comerciais dos EUA no Estreito de Ormuz, na costa do Irã, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra. Trump realiza pressão contra o regime Khamenei em busca de um acordo nuclear.
Dois incidentes separados ocorridos na terça-feira (3) elevaram o alerta no Estreito de Ormuz, na costa doIrã, palco da escalada de tensões entre osEstados Unidose o Irã.

Ambas as ações tiveram como objetivo testar a reação do Exército norte-americano para ver como as forças militares dos EUA responderiam, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), um think-tank norte-americano especializado em questões militares.

O ISW alertou ainda queos dois incidentes podem marcar o início de uma escalada marítima do Irãque busca dissuadir um ataque dos EUA por meio de demonstrações de capacidade de desafiar a presença naval norte-americana na costa iraniana.

Ao menos 10 navios de guerra estão próximos ao Irã após envio do presidente dos EUA,Donald Trump, segundo o jornal norte-americano "The New York Times". Trump realiza uma escalada de tensões com o objetivo de pressionar o regime do aiatolá Ali Khamenei a um acordo para limitar seu programa nuclear.

Entre os navios enviados por Trump estão o porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque de navios que o escoltam, que inclui navios de combate e de reabastecimento. Uma análise dog1identificou os modelos de seis destróieres que acompanham o porta-aviões:

Apesar dos incidentes de terça-feira, uma rodada de negociações nucleares envolvendo os EUA e o Irã ainda está agendada para ocorrer na sexta-feira (6) no Omã. As tratativas devem contar com a presença de representantes de outros países da região.

O impasse entre os EUA e o Irã ocorre porque o Teerã defende seu direito de enriquecer urânio e diz que seu programa nuclear é pacífico — no entanto, EUA e Israel não acreditam nisso. Trump utilizou uma recente onda de protestos contra o regime Khamenei para iniciar sua pressão para levar o Irã à mesa de negociações.

EUA e Irã já tiveram um acordo de não proliferação de armas nucleares, assinado pelo ex-presidente norte-americano Barack Obama. O próprio Trump, no entanto,se retirou desse acordo em 2018, em sua primeira gestão na Casa Branca, em retaliação ao Irã. Na ocasião, ele acusou o governo iraniano de financiar grupos terroristas.

Drone abatido pelos EUA

O Exército dos Estados Unidos derrubou na terça-feira (3) um drone militar iraniano que se aproximou de um dos porta-aviões norte-americanos que navegam rumo ao Irã. Segundo comunicado do Exército, um caça F-35 levantou voo para abater o drone, de modelo Shahed-139, quando a aproximação foi detectada.

"Um caça F-35C do USS Abraham Lincoln derrubou um drone iraniano em legítima defesa e para proteger o porta-aviões e a tripulação a bordo", afirmou o porta-voz do Comando Central dos EUA, capitão Tim Hawkins, na nota.

Horas após o incidente, agências de notícias iranianas afirmaram que um drone concluiu uma "missão de vigilância em águas internacionais".Leia mais sobre o incidente aqui.

EUA repelem tentativa de apreensão de petroleiro

Horas após o incidente com o drone, forças iranianas tentaram apreender um navio petroleiro de bandeira dos EUA que navegava no Estreito de Ormuz, informaram fontes marítimas à agência de notícias Reuters.

Segundo a agência, um grupo de lanchas armadas iranianas se aproximou do petroleiro Stena Imperative, que navegava em direção ao Bahrein. Os soldados ordenaram que a tripulação desligasse os motores e se preparasse para ser abordado. No entanto, nesse momento o destróier norte-americano USS McFaul interviu e passou a escoltar a embarcação.

O Irã alega que a embarcação havia entrado em águas territoriais iranianas sem as permissão e foi advertida e deixou a área “sem que qualquer evento especial de segurança tivesse ocorrido”, segundo a agência semi-oficial iraniana Fars. Entretanto, agências de monitoramento marítimo desmentem a afirmação e dizem que o petroleiro estava em águas internacionais.

Segundo o ISW, a Guarda Revolucionária do Irã pode ter selecionado o petroleiro Imperative pelo fato da embarcação já ter sido utilizada para reabastecer navios militares dos EUA.