OIrãdeve ter um dia decisivo nesta quinta-feira (26), com mais uma rodada de negociações nucleares com autoridades dosEstados Unidos. Segundo o jornal britânico "The Guardian",o presidenteDonald Trumpdeve decidir sobre um possível ataque ao país com base no resultado do encontro.
▶️ Contexto:A reunião desta quinta, em Genebra, na Suíça, será a terceira em menos de um mês na tentativa de fechar um acordo que limite ou encerre o programa nuclear iraniano. O encontro começou por volta das 6h15, no horário de Brasília.
A última reunião entre os dois países ocorreu em 17 de fevereiro, também em Genebra. Na ocasião, a delegação iraniana afirmou que houve progresso. A Casa Branca disse que o encontro representou “certo avanço”.
Para a reunião desta quinta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou verchances de um bom resultado. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, disse que um acordo pode ser fechado, desde que a diplomacia seja priorizada.
Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira (25) que espera uma reunião produtiva. Por outro lado, declarou que o governo iraniano terá“um grande problema”se resistir a discutir o alcance dos mísseis.
Em meio às tensões, oIrã voltou a registrar protestosde estudantes nos últimos dias. O governo advertiu os manifestantes para quenão ultrapassem os “limites”. Em janeiro, uma onda de protestos deixou milhares de mortos após forte repressão das forças de segurança iranianas.
Nesta reportagem, você vai entender:
O que Trump cogita contra o IrãAs ameaças feitas pelo presidente dos EUAAs movimentações militaresComo cresceram as tensões entre os dois países
O jornal The Guardian publicou na segunda-feira (23) que Trump deve tomar uma decisão final sobre um ataque ao Irã com base na avaliação dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner após a reunião desta quinta com autoridades iranianas.
Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que Trump disse a assessores queconsidera ataques limitados para pressionar o Irã. O presidente também avalia uma campanha mais ampla, com o objetivo de derrubar o governo do aiatolá Ali Khamenei.
Já a CBS News informou que Trump tem demonstrado frustração com a limitação das opções militares disponíveis neste momento. Segundo a imprensa americana, o general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto,alertou o presidente para uma série de riscos.
O The New York Times informou que Trump considera um ataque mais limitado já nos próximos dias, caso avalie que as negociações não avançaram. Um bombardeio mais amplo, com o objetivo de derrubar Khamenei, ocorreria apenas nos próximos meses, se a pressão inicial não surtir efeito.
OIrã prometeu uma resposta “feroz”a qualquer tipo de ataque dos EUA, mesmo que seja limitado. O governo já indicou que pode atingir bases militares americanas no Oriente Médio.
“Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, na segunda-feira.
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Na terça-feira,Trump voltou a adotar um tom de ameaça contra o Irãdurante o discurso do Estado da União no Congresso dos EUA. Ele relembrou os ataques realizados em junho de 2025 e afirmou que, na ocasião, as forças americanas destruíram um programa de armas nucleares iraniano.
Essa não foi a primeira vez que Trump ameaçou o Irã. Desde janeiro, o presidente afirma que pode optar por uma saída militar caso a diplomacia fracasse.
Na semana passada, o presidentesugeriu ter dado até 15 diasao governo iraniano para avançar em um acordo. O prazo termina na primeira semana de março.
“Talvez tenhamos que dar um passo além. Ou talvez consigamos fechar um acordo. Vocês vão descobrir”, afirmou em 19 de fevereiro.
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Movimentações militares
Diante da crise, em janeiro, Trump ordenou oenvio do porta-aviões USS Abraham Lincolnpara o Oriente Médio. Segundo o presidente, o objetivo era monitorar Teerã “de perto”. Antes, o navio participava de manobras no Mar do Sul da China.
Nas últimas semanas, osEUA enviaram um segundo porta-aviões para a região. OUSS Gerald R. Ford, que havia auxiliado na operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, deixou o Caribe com destino ao Oriente Médio.
Imagens de satélite também registraram movimentações em bases militares dos EUA no Oriente Médio, comreforço aéreo e posicionamento de mísseis. Há ainda relatos do envio de aeronaves para a Europa e Israel.
Enquanto isso, o Irã anunciouexercícios militares conjuntos com Rússia e Chinano Mar de Omã e no norte do Oceano Índico. A Guarda Revolucionária também realizou manobras,inclusive no Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte da produção mundial de petróleo.
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Não é de hoje que Irã e Estados Unidos vivem relações tensas. Os países acumulam desavenças desde 1979, quando aRevolução Islâmicaimplantou o regime dos aiatolás, que dura até hoje.
De lá para cá, os dois países trocaram uma série de hostilidades, com os EUA apostando em sanções econômicas e embargos comerciais para pressionar o Irã, principalmente para evitar que o país desenvolva armas e apoie grupos armados no Oriente Médio.
As tensões voltaram a crescer no início de janeiro deste ano, quando o Irã enfrentou com violência uma onda de protestos contra o governo Khamenei. Milhares de pessoas morreram durante a repressão. À época, Trump ameaçou uma nova ação militar.
Com o enfraquecimento dos atos, motivado pela repressão do governo, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano para manter as ameaças. Mesmo com os dois países voltando à mesa de negociações, a troca de declarações hostis continuou.
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Irã tem dia decisivo com reunião nuclear com os EUA e possível decisão de Trump sobre ataque
Delegações se reúnem em Genebra nesta quinta-feira (25), na terceira rodada de negociações. Imprensa americana diz que EUA podem lançar ataque limitado nos próximos dias.