Irã nega ter aceitado visita de inspetores da ONU a instalações nucleares atacadas pelos EUA

Irã nega ter aceitado visita de inspetores da ONU a instalações nucleares atacadas pelos EUA
Declaração do governo iraniano contrariou falas de Donald Trump e J.D. Vance na segunda, quando disseram que Teerã concordaria com 'grandes inspeções' pela AIEA, agência atômica da ONU, a seu programa nuclear.
OIrãnão realizou nenhuma reunião com a Agência Internacional de Energia Atômica na Suíça, nem planeja permitir que o órgão de fiscalização nuclear daONUinspecione suas instalações nucleares danificadas pela guerra contra os EUA, afirmou nesta terça-feira (23) o Ministério das Relações Exteriores iraniano.

O porta-voz da pasta, Esmaeil Baghaei, disse que não há protocolo para esse tipo de inspeção, acrescentando que o Irã continuará cumprindo suas obrigações atuais como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear e sob seu acordo de salvaguardas com a AIEA.

Ainda segundo Baghaei, os negociadores estão tentando alinhar todas as outras questões e cláusulas entre EUA e Irã antes de começar a negociar a questão nuclear. Ele disse também que as capacidades defensivas e o programa de mísseis de Teerã não serão objeto de negociações com ninguém.

A fala de Baghaei vai de encontro ao que disseram na segunda-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu vice, J.D. Vance.Trump afirmou que "todos estão plenamente cientes de que o Irã permitirá grandes inspeções de armamentos atômicos", e Vance disse que Teerã tinha concordado em visitas de inspetores da AIEA às suas instalações nucleares.

Ainda na segunda, o governo iraniano havia dito que não concordou com nada sobre seu programa nuclear durante a 1ª rodada de negociações na Suíça após assinatura do acordo de paz na guerra entre EUA e Irã.

A questão nuclear continua sendo uma das mais delicadas entre EUA e Irã neste pós-guerra, tanto sobre a diluição do material radioativo em poder de Teerã quanto sobre as inspeções às usinas iranianas. Porém, ambos os países se comprometeram a resolver esse problema e os demais —como a reabertura do Estreito de Ormuz— em até 60 dias através de múltiplas rodadas de negociações e com a ajuda de mediadores.

Ataques de Israel no Líbano são 'linha vermelha'

O embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahreini, afirmou nesta terça-feira que o Irã considera uma "linha vermelha" qualquer novo ataque de Israel no Líbano —no âmbito da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hezbollah.

Também nesta terça,duas pessoas morreram no sul do Líbano por disparos de tropas israelenses, segundo a Defesa Civil e a mídia estatal libanesas. Essas foram as primeiras mortes no país atribuídas a Israel nos últimos três dias.

Após o ataque no Líbano, o governo iraniano afirmou apenas que "qualquer violação na trégua no Líbano criará obstáculos nas negociações por uma paz definitiva".