O Irã anunciou nesta quinta-feira (19) astrês primeiras execuções de presos condenados por participação nos protestosde massa contra o regime dos aiatolás que tomaram o país janeiro. Eles eram acusados de envolvimento na morte de dois agentes de segurança.
"Os três condenados foramenforcados na cidade de Qomapós seremdeclarados culpados de assassinatoe de realizar ações operacionais em favor de Israel e dos Estados Unidos", informou a agência Mizan, do Poder Judiciário iraniano.
Os executados foram identificados como Mehdi Ghasemi, Saleh Mohammadi e Saeid Davudi e sentenciados à morte pelo crime demoharebeh,algo como "inimizade contra Deus", um conceito legal usado pela Justiça iraniana para punir delitos contra a segurança pública, o islã e espionagem.
AJustiça afirma que eles teriam atacado os agentes com armas brancas e que confessaram os fatosdurante as diferentes fases do processo judicial. Segundo a Mizan, as execuções ocorreram depois que oSupremo Tribunal confirmou as sentençase após "a conclusão dos procedimentos legais, na presença de advogados de defesa".
➡️ Os protestos de janeiro, que pediam o fim da República Islâmica, foram sufocados após umarepressão brutal que causou a morte de 3.117 pessoas, segundo o balanço oficial. Já organizações de direitos humanos como a HRANA, sediada nos EUA, tenham estimado o número emmais de 7.000. Cerca de 53.000 manifestantes foram detidos.
Os confrontos durante as manifestações alimentaram as justificativas americanas para desencadear a guerra contra Teerã. Washington pressionava o país para reverter a pena de morte em casos relacionados aos protestos. Em janeiro, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, chegou a indicar que 800 execuções que estavam agendadas foram suspensas devido à diplomacia americana.
Somente durante o ano de 2025 o Irã executou 1.500 pessoas, segundo dados da ONU, um aumento de 50% em relação ao ano anterior.
Cidadão sueco acusado de espionagem
Na quarta-feira, a ministra do Exterior da Suécia, Maria Malmer Stenergard, confirmou que um cidadão sueco também foi executado pelo regime iraniano, acusado de espionagem a serviço de Israel.
O Irã afirma que ele foi preso durante a guerra de junho do ano passado, e teria se encontrado com agentes israelenses e recebido treinamento em "seis países europeus e em Tel Aviv".Esta foi a primeira execução anunciada publicamente desde os ataques lançados por Israel e pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro.
Segundo Stenergard, o acusado se tornou cidadão sueco em 2019 e o país tentou intervir "em todos os níveis possíveis", tanto na capital sueca quanto em Teerã. O Irã recusou o acesso consular alegando que não reconhecia o homem como cidadão sueco.
Nos últimos dias, segundo a imprensa local, centenas de pessoas foram detidas sob suspeita de colaborar com Israel e os EUA. No domingo, o chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, falou em 500 prisões por espionagem e por "fornecer informações ao inimigo e à mídia anti-iraniana".
Irã executa primeiros condenados por protestos de janeiro
Executados foram acusados de matar agentes de segurança. EUA pressionavam pela suspensão das sentenças contra manifestantes. Sueco condenado por espionagem também foi morto.