Irã divulga novo mapa com linhas vermelhas no Estreito de Ormuz após Trump anunciar operação militar para travessia de navios

Irã divulga novo mapa com linhas vermelhas no Estreito de Ormuz após Trump anunciar operação militar para travessia de navios
Mapa mostra 'nova área' sob gestão do regime iraniano, segundo a Guarda Revolucionária. Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no domingo (3) que seu Exército ajudará navios presos no Golfo Pérsico a passar por Ormuz, e Irã ameaçou retaliar.
OIrãpublicou nesta segunda-feira (4) um novo mapa do Estreito de Ormuz com linhas vermelhas delimitando a área que está sob o domínio de seus militares um dia após Trump ter anunciado uma operação para ajudar navios a atravessar a via marítima noOriente Médio.

O mapa mostraduas linhas vermelhas na região do Estreito de Ormuz, que o regime iraniano disse delimitar "a nova área sob gestão e controledas Forças Armadas do Irã".

O mapa foi divulgado um dia após o presidente dos EUA,Donald Trump, teranunciado que o Exército norte-americano irá guiar em segurança pelo Estreito de Ormuz navios comerciaispresos no Golfo Pérsico. A operação, segundo Trump, ocorreria a partir da manhã desta segunda.

A agência estatal iraniana Fars afirmou quedois mísseis atingiram um navio de guerra dos EUA perto da ilha de Jask, após a tripulação ter ignorado os avisos iranianos, e que a embarcação deu meia volta após o ataque. Washington não havia se pronunciado oficialmente sobre o incidente até a última atualização desta reportagem.

Horas antes, o Exército iranianoameaçou atacar qualquer navio militar dos EUA que se aproximar do Estreito de Ormuze reiterou que mantém "controle total" sobre a região.Ainda segundo o comunicado compartilhado pela mídia estatal iraniana nesta segunda, a passagem de navios pela via marítima terá que ser coordenado com Teerã.

“Advertimos que qualquer força armada estrangeira —especialmente o agressivo Exército dos EUA— se pretender se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo e será atacada”, disse o comandante Abdolrahim Mousavi Abdollahi, do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya.

A Guarda Revolucionária iraniana disse também que "movimentações marítimas que contrariem os princípios anunciados pela Marinha da Guarda Revolucionária enfrentarão sérios riscos e serão detidas com firmeza", segundo o general Mohseni, porta-voz da força militar.

O Estreito de Ormuz, vital para a economia mundial por ser caminho de 20% do fluxo de petróleo, está fechado pelo Irã desde o dia 28 de fevereiro, quando começou a guerra contra os EUA e Israel. Desde então, uma quantidade ínfima de navios comerciais conseguiu atravessar a região.

O conflito está em um cessar-fogo desde o início de abril, porém a via marítima não foi reaberta pelo Irã, à revelia da vontade dos EUA. Para pressionar Teerã, os EUA fazem seu próprio bloqueio ao Estreito de Ormuz desde 13 de abril e já redirecionaram 48 navios ligados ao regime iraniano, segundo o Exército norte-americano.

A nova iniciativa dos EUA para ajudar a travessia de navios, chamada de "Projeto Liberdade", terá o objetivo de libertar pessoas, empresas e países que seriam "vítimas das circunstâncias" do bloqueio na passagem, segundo Trump. "Se, de alguma forma, esse processo humanitário for interferido, essa interferência, infelizmente, terá que ser combatida com firmeza", disse o líder norte-americano.

Também no domingo, o Irã anunciou ter recebido uma resposta dos EUA à sua mais recente proposta para finalizar a guerra. A mídia estatal iraniana informou que estava analisando a resposta de Washington à sua proposta de 14 pontos enviada por meio do mediador Paquistão.